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quarta-feira, 27 de junho de 2012

Teste da orelhinha tem mais chances de falhar em bebês nascidos de cesárea, diz pesquisa

Especialitas acreditam, no entanto, que falha no exame está mais ligada à gestação

Cami Oliveira

 Shutterstock
Se o seu bebê nascer de cesárea, ele terá três vezes mais probabilidade de receber um resultado negativo no teste da orelhinha, alertam pesquisadores israelenses. Mas, calma! Não há razão para desespero – o primeiro diagnóstico é temporário e pode ser refeito, avisa o estudo publicado na revista científica Pediatrics deste mês.

A explicação para a ausência de respostas durante o primeiro exame de audição é o acúmulo de líquido da gestação no conduto auditivo. Ao optar pelo parto normal, com a força para empurrar o bebê, a mulher facilita também a saída dessa secreção da criança, o que não acontece durante a cesárea.

Mas, não responder aos primeiros sinais sonoros não significa que seu filho tenha algum tipo de deficiência. O teste pode ser refeito após 72 horas, quando os fluidos são eliminados por completo, e aí, sim, ele terá um diagnóstico mais preciso.

Os pesquisadores avaliaram 1.653 recém-nascidos com até 48 horas de vida - 1.171 nascidos de parto normal e 483, de cesárea. Destes, 21% falharam no primeiro exame comparado a pouco mais de 7% nos bebês que nasceram de parto normal.

Segundo a neonatologista Vera Valverde, do Hospital e Maternidade Santa Joana (SP), essa é a primeira vez que o resultado do teste da orelhinha aparece relacionado com o tipo de parto. “A criança pode apresentar algum tipo de deficiência caso a mãe passe por alguma infecção, por rubéola ou herpes, durante a gestação. Mas não acredito que o parto influencie no resultado do teste”, diz ela.

        A pediatra Alessandra Cavalcante, do Hospital e Maternidade São Luís (SP), também não vê essa ligação. Para ela, é normal o acúmulo de secreção (no conduto auditivo do bebê) nos dois tipos de parto. Se repetir o teste e continuar negativo, o melhor é fazer o exame Bera, teste de última geração utilizado para avaliar a audição quando testes rotineiros não são suficientes.

Se for detectado algum problema, o bebê deve ser encaminhado a um otorrinolaringologista para indicar o melhor tipo de tratamento, que deve ser iniciado imediatamente.
Como é o teste da orelhinha?
O teste da orelhinha, ou a triagem auditiva neonatal, é um exame indolor e obrigatório realizado gratuitamente nas primeiras 48 horas de vida do bebê em todos os hospitais do país.
Por meio de um pequeno fone na parte externa do ouvido, acoplado a um computador, um fonoaudiologista emite sons ao bebê por um tempo que varia de 3 a 5 minutos para avaliar sua resposta auditiva.
Evitando futuros problemas

A principal causa de distúrbios auditivos em crianças é a higiene incorreta. Para limpar o ouvido do seu bebê, basta limpar delicadamente a área externa. “Nada de introduzir cotonete”, alerta Vera.

“Não há como usar (cotonete) de maneira segura. Ele vai ser sempre prejudicial, já que você empurra a cera e qualquer tipo de secreção para dentro e assim, facilita o aparecimento de infecções”, alerta.

        Se você chama seu bebê pelo nome, deixa cair algo por perto ou faz qualquer tipo de ruído e ele não reage até os 3 meses, procure um pediatra. Com essa idade, além de reconhecer a voz da mãe e das pessoas mais próximas, ele deve emitir sons comuns da idade, como balbuciar palavras. Aquele "ma-ma", "da-da", "ne-ne", que as crianças dizem como se estivesse conversando.


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