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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Eliminação de mecônio nem sempre significa sofrimento fetal

A urina é a principal fonte de produção de líquido amniótico, o que indica que os rins do feto estão funcionando de maneira correta. Quando o bebê está maduro e seu intestino está funcionando corretamente, pode acontecer de ele eliminar mecônio durante a gravidez. Quando isso acontece e o feto está bem oxigenado, a presença do mecônio diluído no líquido amniótico não traz problemas. Nessa situação, o mecônio fica bastante fluído, a medicina denomina esse aspecto de "tinto de mecônio".
Quando o líquido amniótico está diminuído, o mecônio não tem como ser diluído, e se torna um mecônio espesso, formando uma papa. Nessas situações, é preciso avaliar o motivo pelo qual o líquido está diminuido, pois pode ser um sinal de que o fluxo sanguíneo da placenta para o rim do bebê não esteja ocorrendo de forma plena, o que a medicina chama de insuficiência placentária. Essa diminuição de líquido pode ocorrer também na gestação pós-termo, quando a gestação ultrapassa as 42 semanas e precisa ser acompanhada mais de perto.
Uma outra situação envolvendo mecônio é o famoso sofrimento fetal: quando o feto está mal oxigenado, aumenta a contratibilidade dos intestinos e relaxam-se os esfíncteres. Havendo eliminação de mecônio, o bebê pode aspirá-lo e, como seus mecanismos pulmores estão anormais, no momento do nascimento, o corpo do bebê não é capaz de eliminar esse mecônio dos pulmões, desenvolvendo um quadro de pneumonite grave ou síndrome de aspiração meconial. Um bebê que não está apresentando sofrimento fetal, ou seja, está sendo bem oxigenado, é capaz de eliminar esse mecônio naturalmente ao nascer, pois seus pulmões estão funcionando corretamente.

Por isso, é fundamental que o profissional responsável pela saúde da parturiente e do bebê saiba distinguir se o bebê encontra-se ou não em sofrimento através da ausculta dos batimentos cardíacos fetais (BCF). O monitoramento do bem estar fetal durante o trabalho de parto é realizado utilizando-se um aparelho chamado sonar ou pela cardiotocografia. Durante a auscuta, caso haja alteração dos batimentos e a freqüência cardíaca passa a ter um padrão não tranquilizador, é indicado antecipar o parto realizando uma cirurgia cesariana ou fórces / vácuo-extração, caso aconteça durante o período de expulsão do bebê.

A Organização Mundial da Saúde recomenda que a ausculta dos batimentos cardíacos fetais seja realizada de forma intermitente, ou seja, recomenda que a mulher não fique constantemente conectada ao aparelho de cardiotocografia durante todo o trabalho de parto, porque, além de impedir que a mulher se movimente e efetivamente trabalhe o seu parto, as alterações fisiológicas naturais da freqüência cardíaca do bebê, até mesmo pela posição na qual a mulher se encontra no momento da aferição, pode resultar em alarmes falsos e, conseqüentemente, um maior número de cesarianas desnecessárias.

Texto cedido por Priscila Rezende

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