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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

E se passar de 40 semanas?



Sabemos que o tempo de gravidez da mulher é calculado tendo por base o primeiro dia de sua última menstruação, data da qual nem todas as mulheres têm certeza, além do fato de o calculo tender a ignorar a possível ocorrência de uma ovulação tardia, o que faria com que o feto fosse menos maduro do que se presume, pois a fecundação não teria ocorrido no 14º dia do ciclo conforme se supõe.

Devido à cultura dos partos no Brasil - país campeão mundial de cesáreas - convencionou-se agendar a cesariana da mulher caso ela não entre em trabalho de parto expontâneo depois - ou até mesmo antes - da 40ª semana da gravidez, com a justificativa de o bebê estar "passando da hora", mas, assim que o bebê nasce e passa por avaliação do pediatra neonatal, constata-se o fato de que a idade gestacional daquele bebê é bem menor do que se imaginava e esse bebê - e todos os outros que têm seu nascimento antecipado sem necessidade real - apresenta risco aumentado de complicações respiratórias e, geralmente, é encaminhado para uma incubadora na qual ele irá "se acostumar" ou "aprender a respirar" e a família inocentemente acreditará que o bebê foi salvo pela cesariana.

Chamamos esse fenômeno de prematuridade iatrogênica, sendo iatrogenia uma doença causada pelo tratamento médico, ou seja, " quando se agenda uma cesariana por supor que o bebê está maduro, mas ele nasce prematuro", segundo o próprio Ministério da Saúde.
Excluindo os casos de gestações nas quais a idade gestacional estimada era incondizente com a real, constatamos que as gestações realmente prolongadas, que ultrapassam as 42 semanas, são raras, mas não se devem a algum defeito físico ou incapacidade da mulher de parir seu bebê e sim ao fato de que cada indivíduo se desenvolve do seu modo, no seu tempo e para que um trabalho de parto se inicie é necessário que uma série de eventos aconteça no organismo da gestante e do bebê, como a liberação de hormônios específicos. Esses bebês especificamente precisam passar mais tempo dentro do útero para completarem seu desenvolvimento e estarem prontos para nascer
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A mulher que tem uma gestação prolongada carrega consigo uma série de medos: medo de que o bebê possa entrar em sofrimento, deixando de ser oxigenado corretamente, que a placenta estará envelhecida e não irá nutrir o feto e que o bebê eliminará mecônio. Precisamos, em um primeiro momento, entender que a eliminação de mecônio que acontece devido ao fato de o intestino do bebê já estar maduro dentro do útero não significa necessariamente que o bebê esteja ou que irá entrar em sofrimento fetal (privação de oxigênio).Porém, existe uma complicação na gravidez chamada de insuficiência placentária, que por sua vez ocasiana um aumento dos movimentos intestinais, relaxamento dos esfincteres anais e a consequênte eliminação de mecônio que, quando combinado com líquido amniótico reduzido e baixas reservas de oxigênio, pode ser aspirado podendo levar à óbito antes ou depois do nascimento.
Portanto, em gestações que se prolongam, é necessário que haja um monitoramento no qual se avalia a vitalidade do bebê através de ultrassonografia e ecocardiografia e, caso seja detectada alguma alteração significante, existe a opção de interromper a gravidez - o que não significa agendar uma cesariana - realizando a indução do parto vaginal com ajuda de medicamentos específicos para amolecer o colo do útero ou tornar as contrações mais intensas, caso o colo já esteja pronto para entrar em trabalho de parto. Em todo caso, essa é uma decisão que cabe ao casal, mediante esclarecimento, em conjunto com a equipe que irá acompanhar o parto. É preciso que cada situação seja estudada isoladamente e cada mulher possa decidir se irá aguardar o trabalho de parto espontâneo com monitoramento ou se irá induzir o parto.
O casal precisa ser informado a respeito dos riscos e benefícios de cada uma das opções e não que simplesmente sejam informados das datas disponíveis para o agendamento da cesariana alegando que os riscos do parto vaginal sejam maiores do que o de uma cesariana, pois já sabemos que isso não é verdade.
Texto baseado nas informações cedidas pela Dra. Melania Amorim ao site Guia do Bebê em resposta à uma coluna cujas informações eram equivocadas e divergiam das evidências científicas.

Texto cedido gentilmente por Priscila Rezende

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