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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Quando é necessário fazer uma cesariana?

Saiu no site do IG :

Conheça os principais motivos alegados pelos médicos – e entenda porque nem todos eles significam que a cesárea seja, de fato, a única opção



Livia Valim, especial para o iG São Paulo | 02/02/2011 12:30


O Brasil é recordista mundial em número de cesarianas. Enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que 15% dos partos sejam feitos desta forma, na rede médica particular brasileira este número chega a 84%, segundo dado da Agência Nacional de Saúde. As razões são muitas: desde remuneração insuficiente por parte dos convênios aos médicos que fazem parto natural até o medo das dores do parto. No entanto, o parto normal tem várias vantagens, como recuperação mais rápida e menos dolorida da mãe, menor risco de infecções e hemorragias e menor risco de dificuldade respiratória no bebê. O mais importante é que a escolha seja feita pela principal personagem desta história: a mãe.

“Como donos da informação, muitos obstetras não admitem questionamentos”, diz a ginecologista e obstetra Melania Amorim. “É difícil argumentar quando não se tem essas informações. Afinal de contas, quem está dizendo isso é o médico em quem a mulher confia e que acompanhou todo o pré-natal”, completa a obstetra Andrea Campos.

Os argumentos listados abaixo são comumente ouvidos pelas gestantes, mas nem sempre significam que à mãe só resta a opção da cesárea. Use toda informação a seu favor – até para encontrar um obstetra alinhado com seus objetivos. O ideal é que, em cada caso abaixo, o médico seja claro em relação às porcentagens reais de risco e ofereça informações completas para a escolha da mãe.


“O bebê está com o cordão enrolado”
“A ocorrência é muito comum e acomete até 40% dos partos”, conta Melania. Só que o diagnóstico de circular de cordão – quando o cordão umbilical está enrolado em qualquer parte do corpo do bebê – não é determinante, porque ele se mexe dentro da barriga o tempo todo. A ultrassonografia pode mostrar uma circular que irá se desfazer e o bebê nascer sem circular – ou, ao contrário, o bebê pode não apresentar circular no ultrassom e nascer com circular. “O bebê não ‘respira’ como nós, ele está em um meio líquido, seu pulmão é fechado e sua oxigenação é através do cordão umbilical. Ao nascer e observar a presença de circular, apenas retira-se, como um ‘cachecol’, pela cabeça ou corpinho”, explica a obstetra Mariana Simões.
“Você está com a pressão alta” ou “Você está com a pressão baixa”
A pressão baixa é comum na gravidez, não requer nenhuma medida drástica. Já a pressão alta pode levar a uma interrupção da gestação – não necessariamente cirúrgica. “Isso pode ser feito através da indução de um parto normal”, explica a Andrea Campos. Os obstetras podem se utilizar de hormônios ou procedimentos mecânicos, como o rompimento artificial da bolsa ou exames de toque vigorosos.
“O bebê não está encaixado”
O posicionamento correto do bebê pode acontecer só durante o trabalho de parto. São as contrações efetivas que fazem com que ele “desça” e se encaixe.
“O bebê passou do tempo”
“Bebês não ‘passam do tempo’, apenas têm um tempo diferente de maturidade. Segundo estudos mais recentes, após 41 semanas e 1 dia deve haver acompanhamento, mas não interrupção com cesárea”, diz Mariana. De qualquer forma, mesmo nestes casos a solução não é só a cesárea – também dá para acelerar ou induzir o trabalho de parto.
“Os batimentos do bebê estão acelerados”
Bebês dormem e se movimentam. Como nós, se dormimos ou estamos em repouso, há uma queda do batimento. Se nos agitamos, os batimentos se aceleram. Agora, se há uma aceleração persistente e foram excluídas causas fisiológicas – como taquicardia ou febre da mãe – pode ser indício de sofrimento fetal. “Neste caso, a cesariana pode ser necessária”, alerta Andrea.
“A cabeça do bebê é muito grande”
A desproporção céfalo-pélvica é um motivo real para escolher pela cesariana, mas o problema está no diagnóstico. “Muitas vezes usa-se esta desculpa antes do trabalho de parto, mas só dá para saber que existe a desproporção durante o trabalho de parto”, conta Melania. O problema acontece quando a cabeça do bebê não consegue passar pela parte mais estreita da bacia da mãe, mesmo quando a dilatação do colo uterino já é total. Por isso, é recomendável que mesmo quem opta pelo parto normal tenha uma estrutura de hospitalar à disposição.
“O bebê é muito grande”
A ultrassonografia não é precisa para determinar o peso do bebê. Mesmo assim, bebês com mais de 4 kg ainda podem nascer de parto normal. “Desde que a mãe não tenha uma diabetes descompensada, isso não é problema. O bebê geralmente tem o tamanho que passaria pela pelve”, conta Andrea.
“Você já fez uma cesárea anteriormente”
Muitas mulheres ficam surpresas e não acreditam que, mesmo depois de terem passado por uma cesárea, podem ter o segundo filho de parto normal. “Com até duas cesáreas anteriores, os riscos reais em trabalho de parto natural (sem indução farmacológica) é de cerca de 0,5%. Já com três cesáreas anteriores, pode-se haver até 5% de riscos de ruptura uterina e esse número para a medicina é considerado um valor alto”, descreve Mariana.
“Você não tem dilatação”
Antes do trabalho de parto, é normal não haver dilatação. Em geral, o colo só se dilata significativamente durante o processo. O que caracteriza o trabalho de parto são as contrações regulares a cada três minutos, com duração de em média três minutos. Antes disso, não há razão para esperar uma dilatação.
“Você está constipada”
“A constipação intestinal não exerce nenhuma influência sobre o parto”, garante Andrea. Nesses casos, complicações da cesárea podem agravar o quadro, já que o intestino pode ficar paralisado por algum tempo.
"O período expulsivo está demorando muito"
O período expulsivo é a segunda fase do parto natural. Ele vai da hora em que a dilatação está completa até o momento em que o bebê efetivamente nasce. Os limites toleráveis para a duração do período expulsivo são muito variáveis. “Há quem indique cesárea depois de 30 ou 40 minutos de período expulsivo. Mas, com analgesia, o ACOG (American College of Obstetricians and Gynecologists) considera segura uma duração de até 3 horas. Sem analgesia, 2 horas”, explica Melania. Antes disso, outras medidas podem ser tomadas, como a prescrição de ocitocina (hormônio que acelera as contrações), vácuo-extração ou fórceps. “Mas eu diria que só chegar a período expulsivo hoje no Brasil é uma vitória. A maioria das cesáreas são eletivas, realizadas antes do trabalho de parto”, lamenta Melania. E, consequentemente, antes de ser possível avaliar a real necessidade da intervenção cirúrgica.
Quando a cesárea necessária
Existem, sim, muitos casos em que ela pode salvar a vida da mãe e do feto. Mas a maioria das justificativas aparecem só durante o trabalho de parto. E mesmo as cesáreas eletivas – ou seja, marcadas – podem esperar este momento para ter certeza que o bebê está pronto para vir ao mundo. Veja alguns motivos que podem levar à cesariana e entenda porque, nestes casos, a intervenção cirúrgica é melhor:
- Estado Fetal Intranquilizador (sofrimento fetal): quando o bebê não está bem e o nascimento precisa ocorrer prontamente – e a cesárea é a via de parto mais rápida.
- Apresentação córmica: quando o bebê está atravessado no momento do trabalho de parto.
- Hemorragias maternas no final da gravidez: podem ocorrer por descolamento da placenta (quando a placenta descola antes de o bebê nascer) ou placenta prévia (quando a placenta recobre o colo do útero). As duas pedem uma cesárea. Mas sangramentos pequenos podem acontecer também pela dilatação do colo do útero e, neste caso, não há necessidade de cirurgia.
- Mãe portadora do HIV: pesquisadores do International HIV Group analisaram diversos estudos e concluíram que as chances de transmissão do vírus da mãe para o bebê diminui em 50% se feita a cesariana programada.
- Apresentação pélvica em primigesta (bebê sentado em mulheres que nunca pariram): o bebê pode nascer sentado, mas nestes casos o risco relativo do parto normal é maior que o da cesárea.
- Herpes genital com lesão ativa: há maior chance de o bebê se infectar durante o parto normal do que na cesariana eletiva.
- Prolapso de cordão: o cordão sai antes do bebê. O problema é que quando o bebê passa pelo canal, quando feito o parto normal, provoca uma pressão no cordão, impedindo a passagem de sangue para a criança.

Nove em cada dez partos feitos por planos de saúde são cesáreas

Halline teve a primeira filha por cesárea e a outra por parto normal: o envolvimento no segundo parto foi bem maior


Brasil ainda não sabe como reduzir o número de cesáreas. Tentativas feitas até agora foram em vão. Número de partos feitos desse modo só cresce no país

Publicado em 15/10/2011
Por Pollianna Milan

As mulheres com plano de saúde ajudam a elevar o índice de cesáreas no Brasil. O país tem uma das maiores taxas de parto cesariano do mundo, com atualmente 45%. Enquanto no Sistema Único de Saúde (SUS) 40% dos nascimentos são via cesáreas, na saúde suplementar este índice mais do que dobra, chegando a 90%.
Desde 2005, quando se descobriu que as mulheres com plano de saúde em quase sua totalidade faziam cesarianas, o governo federal e as entidades médicas se uniram para pressionar as operadoras a reduzir as taxas. Passados seis anos, pouca coisa mudou e, o pior, o Brasil até agora não sabe ao certo em qual frente deve trabalhar para reverter a situação, já que os fatores de escolha pelo parto cesáreo são múltiplos.
A ideia de que parto era algo para ser feito nos hospitais foi copiada dos Estados Unidos, mas lá as taxas de cesarianas chegam a 27%, bem inferiores ao Brasil. A Organização Mundial da Saúde (OMS) sugere uma taxa de parto cesáreo de 25% para cada país. Com o intuito de acabar com as altas taxas, o Conselho Federal de Medicina (CFM), a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febras­­go), a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e outras entidades médicas fizeram uma pesquisa com 3 mil médicos para tentar mapear as motivações pela escolha da cesariana e, assim, combatê-las. A pesquisa só será divulgada em novembro, mas, em entrevista, as entidades já adiantam alguns fatores observados.

Motivos

A questão mais óbvia desta diferença é que as atendidas pelos planos de saúde podem escolher livremente o parto que querem ter, e elas preferem o cesáreo por diversos fatores: pela comodidade, pela falsa ideia de que dói menos (na verdade, a recuperação da cesariana é bem mais dolorida), por medo de o parto normal machucar o bebê (se for feito corretamente, é inverídico) e, atualmente, pela violência urbana e a possibilidade de não haver vagas nas maternidades.
“Nas grandes cidades, mulheres e médicos têm preferido marcar a cesárea para evitar a surpresa de um parto normal na madrugada, colocando em risco o médico, a parturiente e o bebê, pois podem ser assaltados no trajeto até a maternidade”, ex­­plica a médica Lucila Nagata, membro da comissão de mortalidade materna da Federação Brasileira das Associa­­ções de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). Além disso, o agendamento acaba sendo a garantia de que a mulher vai ter o filho no lugar escolhido previamente.

Indução
A grande reclamação das mu­­­lheres, porém, é de que os médicos induzem ao parto cesáreo. Elas dizem que os médicos fazem isso devido à cesariana ser mais cômoda para eles, afinal, este parto dura cerca de duas horas enquanto um parto normal pode durar 12 horas.
“Sempre quis ter normal, cheguei a entrar em trabalho de parto e o médico, no hospital, me disse que eu não tinha dilatação. Ele me pegou em um momento de fragilidade e afirmou que teria de ser cesárea pelo bem do bebê. Acabei cedendo, mas foi frustrante”, afirma a farmacêutica Halline Queiroz, que tem duas meninas, a Julia e a Laura.
A Julia nasceu de cesariana e a Laura de parto normal. “Na segunda vez, mudei de médico e ele me provou que o parto normal era possível. Ele derrubou o mito de que mulher que tem o primeiro filho de cesárea vai ter de fazer cesariana sempre”, conta.

Prematuridade aumenta e bebês vão para UTIs
O problema da escolha pela cesariana é cultural, segundo a gerente-geral de regulação assistencial da Agência Nacional de Saúde Suplementar, Marta Oliveira. Para ela, não basta pressionar os planos de saúde para reduzir as taxas, “a mulher precisa aceitar o parto normal.”Marta chama a atenção para o fato de as cesarianas serem literalmente agendadas, ou seja, a mulher nem chega a entrar em trabalho de parto e o bebê, por isso, acaba nascendo imaturo (com o pulmão ainda com líquido). “Se tivéssemos 90% de partos cesáreos e estivesse tudo bem, sem problemas. A questão é que temos a prematuridade aumentando e muitos bebês ficando em UTIs. Este tipo de consequência nos preocupa”, diz.

Mitos

Conheça algumas crenças sobre o parto normal que não são comprovadas pela Medicina:

Há muita perda de sangue
Na realidade, na cesariana se perde muito mais sangue.

A dor é muito forte
Na hora da cirurgia da cesárea a mulher não sente dor devido à anestesia, mas a recuperação é bem mais complicada e dolorida.

O bebê se machuca
Pelo contrário: a passagem pelo canal vaginal ajuda a criança a expelir os últimos líquidos, inclusive do pulmão, e isso evita a síndrome de angústia respiratória.

A relação é pior
Na cesárea, muitas vezes, o bebê vai para a incubadora. Segundo médicos, isso é extremamente prejudicial na relação da mãe com o filho. No parto normal o bebê é colocado imediatamente no peito da mãe para criar o vínculo maternal.

Reduz a libidoAo contrário do que se acredita, o parto normal não diminui a libido.

Levantamento
Dinheiro gasto com cesarianas poderia ir para outras áreas

O Ministério da Saúde tem pesquisas que mostram o quanto de dinheiro foi usado desnecessariamente com cesarianas, mas os dados são internos e não podem ser divulgados à imprensa. A economista Tabi Thuler Santos, do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional de Minas Gerais, defendeu recentemente uma dissertação onde trabalhou o tema Evidências de indução de demanda por parto cesáreo no Brasil e chegou à conclusão de que “há dinheiro gasto com cesáreas que poderia ser usado para investimento em outras áreas”. O custo de um parto normal pelo Sistema Único de Saúde é de R$ 291 e a cesariana custa cerca de R$ 402. O valor, no privado, pode variar conforme a operadora do plano.
“A cesariana é um procedimento cirúrgico que às vezes demanda UTI e antibióticos: é um problema de saúde e econômico”, diz. Tabi revisou a literatura e chegou a dois dados interessantes: o primeiro é a crença (errada) de que a mulher que tem o primeiro parto de cesariana precisa fazer os outros do mesmo modo. “Um estudo de São Paulo de 2002 revelou que 95% das mulheres com mais de um parto fizeram cesariana no segundo ou nos outros porque já haviam passado uma vez pela cirurgia”, diz. Outro dado, de 2009 (Rio de Janeiro), é de que apenas 37% das cesáreas no período foram uma escolha exclusiva da mulher, ou seja, a interferência do médico é grande.

O outro lado
Plano de saúde adere à campanha

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) lançou uma campanha intitulada Parto Normal está no meu plano com o intuito de incentivar as mulheres com planos de saúde a não optar pela cesariana. A reportagem entrou em contato com a Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), com a Federação Nacional de Saúde Suplementar (Fenasaúde) e a União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde (Unidas) para saber qual o posicionamento das operadoras de planos de saúde sobre os altos índices de cesarianas na saúde suplementar. A única que atendeu à reportagem foi a Unidas.
Por e-mail, ela respondeu que faz pesquisas (está na 12ª edição) para verificar a adesão à cesariana e que tem percebido as altas taxas, por isso aderiu à campanha da ANS. Sobre os motivos das altas taxas, afirmou que é um problema cultural e o fato de os riscos da cesariana não serem levados em conta. A presidente da Unidas, Denise Rodrigues Eloi de Brito, ressalta que não há culpados pelas altas taxas de cesariana, afinal, “hoje o custo dela é equivalente ao do parto normal e, às vezes, até maior.”

Fragilidade de convicções por Dr. Ricardo Jones

Sobre o tema de “meu obstetra abrirá uma exceção para mim”, há muita coisa ainda a dizer para aclarar as questões relativas ao encobrimento emocional e psicológico das decisões a tomar. Mulheres que agem sob a pressão da assimetria psicológica característica do pré-natal sofrem de algo que chamei de "fragilidade de convicções". Houve gente que não gostou.

Entretanto, com muitos anos de escuta, principalmente no espaço cibernético das listas de discussão, não há mais como se enganar. O discurso dessas mulheres mostra uma característica em comum: uma "fraqueza essencial na topografia relacional".

Credo... foi o Max que inventou isso. Significa apenas que, na dinâmica da relação com o cuidador, o cliente - no caso a grávida - se encontra numa posição por demais desfavorável, a ponto de que ela própria considera sua voz inaudível no embate que porventura se estabeleça. Ela mesma se percebe fraca e desempoderada. Ela mesma se entende impotente diante do gigantismo das decisões. Assim sendo, ela se cala.

Mas, para que tal apequenamento não se torne uma violência contra si mesma, ela opta por uma série de racionalizações em sequência e, muitas vezes, interdependentes.

Para tais casos, os obstetras "bonzinhos" costumam aparentar uma espécie de disponibilidade dúbia, apresentando um discurso repleto restrições e promessas, o qual a gestante nos apresenta de uma forma benevolente e alienadamente compreensiva, a saber:

• Ele gosta, mas tem 30 anos de carreira; está cansado;
• Ele já fez muitos, me contaram;
• Ele fez para uma amiga minha;
• Ele vai tentar, se tudo estiver certo;
• Ele vai abrir uma exceção para mim;
• Ele vai fazer desde que não seja nos fins de semana, pois não abre mão da família;
• Ele diz que adora parto normal, mas hoje em dia as mulheres todas pedem cesarianas;
• Ele prefere o parto normal, mas as mulheres enfraqueceram de uns anos para cá;
• Ele admira a coragem dessas "corajosas", mas prefere a segurança de uma cesárea;
• Ele (complete aqui com sua história pessoal ou próxima...)

Depois de uma década colecionando este tipo de relatos não há mais como se enganar muito.
Aliás... não é necessário ir muito longe. Leiam os relatos das modelos e atrizes brazucas. Quase todas as descrições nos tablóides (com exceção notável - e elogiável, em certo ponto - da Sra Letícia Birkheuer que anunciou com larga antecedência que faria uma cesariana) falam de histórias clichê em que o "parto será normal e meu médico está me preparando para isso". A mais minúscula das contrariedades, entretanto, levou o profissional a, rapidamente, trocar de idéia, com o beneplácito sorridente da amável celebridade tupiniquim. Raras são as mulheres que, tendo a carregar o peso da notoriedade social, não sucumbem diante dos temores que os próprios profissionais enfrentam de levar um parto normal até o fim.

Humanizar o nascimento é restituir o protagonismo à mulher. Isso implica uma série de responsabilidades compartilhadas. Não há como ser protagonista e ter uma posição subalterna no terreno das decisões. Não existe protagonismo sem voz e sem vez. É impossível ser agente do próprio destino quando as convicções são débeis e a atitude é frágil. Empoderamento não é um “slogan” apenas; é uma espécie de “levante pela autonomia”, uma revolução cultural em nome da liberdade.

Eliminação de mecônio nem sempre significa sofrimento fetal

A urina é a principal fonte de produção de líquido amniótico, o que indica que os rins do feto estão funcionando de maneira correta. Quando o bebê está maduro e seu intestino está funcionando corretamente, pode acontecer de ele eliminar mecônio durante a gravidez. Quando isso acontece e o feto está bem oxigenado, a presença do mecônio diluído no líquido amniótico não traz problemas. Nessa situação, o mecônio fica bastante fluído, a medicina denomina esse aspecto de "tinto de mecônio".
Quando o líquido amniótico está diminuído, o mecônio não tem como ser diluído, e se torna um mecônio espesso, formando uma papa. Nessas situações, é preciso avaliar o motivo pelo qual o líquido está diminuido, pois pode ser um sinal de que o fluxo sanguíneo da placenta para o rim do bebê não esteja ocorrendo de forma plena, o que a medicina chama de insuficiência placentária. Essa diminuição de líquido pode ocorrer também na gestação pós-termo, quando a gestação ultrapassa as 42 semanas e precisa ser acompanhada mais de perto.
Uma outra situação envolvendo mecônio é o famoso sofrimento fetal: quando o feto está mal oxigenado, aumenta a contratibilidade dos intestinos e relaxam-se os esfíncteres. Havendo eliminação de mecônio, o bebê pode aspirá-lo e, como seus mecanismos pulmores estão anormais, no momento do nascimento, o corpo do bebê não é capaz de eliminar esse mecônio dos pulmões, desenvolvendo um quadro de pneumonite grave ou síndrome de aspiração meconial. Um bebê que não está apresentando sofrimento fetal, ou seja, está sendo bem oxigenado, é capaz de eliminar esse mecônio naturalmente ao nascer, pois seus pulmões estão funcionando corretamente.

Por isso, é fundamental que o profissional responsável pela saúde da parturiente e do bebê saiba distinguir se o bebê encontra-se ou não em sofrimento através da ausculta dos batimentos cardíacos fetais (BCF). O monitoramento do bem estar fetal durante o trabalho de parto é realizado utilizando-se um aparelho chamado sonar ou pela cardiotocografia. Durante a auscuta, caso haja alteração dos batimentos e a freqüência cardíaca passa a ter um padrão não tranquilizador, é indicado antecipar o parto realizando uma cirurgia cesariana ou fórces / vácuo-extração, caso aconteça durante o período de expulsão do bebê.

A Organização Mundial da Saúde recomenda que a ausculta dos batimentos cardíacos fetais seja realizada de forma intermitente, ou seja, recomenda que a mulher não fique constantemente conectada ao aparelho de cardiotocografia durante todo o trabalho de parto, porque, além de impedir que a mulher se movimente e efetivamente trabalhe o seu parto, as alterações fisiológicas naturais da freqüência cardíaca do bebê, até mesmo pela posição na qual a mulher se encontra no momento da aferição, pode resultar em alarmes falsos e, conseqüentemente, um maior número de cesarianas desnecessárias.

Texto cedido por Priscila Rezende

Analgesia Epidural


Em sua caminhada para o parto normal, as mulheres sabem que podem contar com a analgesia no momento em que a dor das contrações do útero no parto se tornarem insuportaveis. Quando o cansaço ocasionado por horas e mais horas de trabalho de parto as impede de ter uma experiência de parto tranquila ou mesmo passa torna a cesariana uma opção, a analgesia se torna uma grande aliada, evitando uma intervenção cirúrgica.

Eu costumo dizer que analgesia de parto boa mesmo é a presença da doula, que vai sempre te encorajar e te avisar quando o momento da expulsão do bebê estiver finalmente se aproximando, para que a parturiente não se submeta à analgesia nos minutos finais. Além disso, eu acredito que a presença de um acompanhante conhecido na hora do parto ajude a mulher a se sentir mais confortável e, consequentemente, a sentir menos dor. A presença do amor nesse momento é uma ótima analgesia: abraçar e beijar o marido, além de tornar as contrações eficazes por conta da liberação de altas doses de ocitocina natural, afasta a adrenalina, o hormônio do estresse. Fatores como o ambiente hospitalar, ar condicionado, luzes ofuscantes, exames de toque excessivos fazem com que a mulher entre no ciclo de tensão-medo-dor, portanto, precisamos de alguém do nosso lado para nos trazer de volta ao clima de harmonia, ajuda a nos concentarmos e relaxarmos.

E se, mesmo com tudo isso, eu precisar de analgesia?

Saiba que ela não é livre de riscos para você e para o seu bebê! Encontrei essa lista de vantagens e desvantagens em um site americano, vou traduzir para vocês:



Quais são as vantagens da anestesia epidural?



  • Permite descansar se o trabalho de parto é prolongado
  • Aliviar o desconforto do parto pode ajudar algumas mulheres a terem uma experiência de parto mais positiva
  • Quando a epidural é administrada de forma correta, ela permite que você permaneça alerta e continue participando ativamente do nascimento do seu filho
  • Se você precisar de uma cesariana, a epidural te permite ficar acordada e também te proporciona um alívio efetivo da dor durante a recuperação
  • Quando todos os outros métodos de alívio da dor não estão ajudando mais, a epidural pode ser o que você precisa para continuar trabalhando o seu parto apesar da exaustão, irritabilidade e fadiga. A epidural te permite descansar, relaxar, se concentrar e te dá forças para seguir em frente como um participante ativo da sua experiência de parto
  • O uso da anestesia epidural durante o parto está sendo continuamente aperfeiçoado e muito do seu sucesso depende do cuidado com que é administrado.

Quais são as desvantagens da anestesia peridural?

  • A analgesia epidural pode fazer com que sua pressão arteria caia de repente. Por esta razão, a sua pressão arterial será verificada rotineiramente para se certificar de que há fluxo de sangue adequado para o seu bebê. Se isso acontecer, talvez você tenha que ser tratada com fluídos intravenosos, medicamentos e oxigênio
  • Você pode ter uma dor de cabeça severa causada por vazamento de fluído espinhal. Menos de 1% das mulheres sofrem esse efeito colateral do uso da epidural. Se os sintomas persistirem, o tratamento é feito com uma injeção de sangue no espaço peridural, que alivia a dor de cabeça.
  • Depois que analgesia é aplicada, você terá que se deitar alternadamente de um lado e do outro e ter monitoramente contínuo para verificar os baticamentos cardíacos do seu bebê. ficar deitada em uma posição pode desacelerar o trabalho de parto ou até mesmo pará-lo.
  • Você pode ter os seguintes efeitos colaterais: tremores, zumbidos nos ouvidos, dores na lombar, dor onde a agulha é inserida, nauseas ou dificuldade pra urinar
  • Com a epidural, você pode não sentir os puxos involuntários, e aí terá que fazer força sendo dirigida pelo médico para conseguir expulsar o bebê, caso você tenha essa dificuldade, o médico provavelmente terá que administrar ocitocina sintética, usar o fórceps ou vácuo extrator e até mesmo ter que realizar uma cesariana
  • Durante algumas horas após o parto, você poderá sentir a parte inferior do corpo dormente e não poderá andar sem ajuda
  • Em casos raros, poderá ter danos permanentes no nervo onde o catéter foi introduzido
  • A maioria dos estudos sugere que os bebês terão dificuldades com amamentação e outros estudos sugerem que o bebê pode sofrer de depressão respiratório, ficar mal posicionado e ter sua frequencia cardíaca variando e tudo isso, como dito anteriormente, culmina na necessidade do uso de fórceps, vácuo extrator, cesariana e episiotomia.

Muitas mulheres que não têm o acompanhamento de uma doula acabam pedindo analgesia no momento em que acreditam não aguentar mais e, coincidentemente, esse é o momento em que o bebê está quase nascendo, é uma situação muito comum a parturiente ter a analgesia aplicada e parir alguns minutos depois e acabar perdendo a oportunidade de passar pela experiência de sentir o bebê passando pelo canal de parto, o bebê coroando e sentir o famoso círculo de fogo. Eu costumo perguntar para as mães que eu conheço ou acompanho o que doeu mais: a passagem do bebê ou as contrações do trabalho de parto e elas sempre respondem que a dor que elas sentiram na passagem do bebê foi muito menor do que as dores das contrações que aconteceram antes.

Eu acredito que, quando a gente opta pelo parto normal, estamos tomando para nós o parto, nós é que determinaremos o ritmo, trabalhando junto com o bebê e com o nosso corpo e, quando optamos pela analgesia, o ritmo muda e pode ter que ser ditado apenas pelo médico, se ele for um profissional treinado para acompanhar os partos de forma humanizada, isso poderá não ser desrespeitoso, mas sabemos que esses profissionais compõe a minoria.

Cesarianas contribuem com a obesidade

A opção pelo parto cirúrgico pode ser uma das causas do sobrepeso da população adulta

por Marco Antonio Barbieri e equipe*

Quem nasceu de parto cesariana tem 58% mais chances de ser obeso, quando adulto, do que aqueles que vieram ao mundo por parto normal. Uma das explicações para isso pode ser a alteração no desenvolvimento, ou na composição da microbiota intestinal, também conhecida como flora, que é diferente nas crianças que nascem de parto vaginal. Isso porque, na cesariana, o bebê não tem nenhum contato com a vagina materna, que concentra micro-organismos importantes para a flora intestinal da criança. Este contato parece ser importante para o desenvolvimento da flora intestinal do recém-nascido. Algumas bactérias presentes no canal do parto teriam efeito benéfico por estimular o sistema imunológico do recém-nascido. Sem isso, a maneira como acolhemos e armazenamos energia é afetada e há um impacto sobre o surgimento da obesidade.
Isso é o resultado da pesquisa que concluímos há pouco na Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto. Usamos informações de um grupo de bebês nascidos em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, entre junho de 1978 e maio de 1979. No momento do parto, foram coletados dados das mães e dos filhos. De abril de 2002 a maio de 2004, ou seja, quando os filhos já tinham entre 23 e 25 anos de idade, usamos dados de 2.057 deles e fizemos uma análise do estilo de vida e avaliação antropométrica (levando em conta a prática de
exercícios físicos e questões socioeconômicas).




A questão da obesidade não é a única quando se relaciona a forma do nascimento com as características futuras. Outros estudos já revelaram que alterações na microbiota intestinal podem estar ligadas a algumas condições inflamatórias crônicas comuns. Além da própria obesidade, doença de Crohn e até a diabetes. Alguns estudos também mostraram que a presença de bactérias intestinais durante os 3 primeiros dias de vida foram influenciadas pelo tipo de parto. Ficou evidente uma ausência substancial de bactérias que podem ter um impacto significativo sobre as funções imunológicas do bebê.

Vale lembrar ainda que o aumento das taxas de cesariana ocorreu em paralelo com o aumento das taxas de obesidade. Na Inglaterra, Suécia e Estados Unidos, por exemplo, os índices de cesarianas passaram de 6%, 8% e 10%, em 1975, para 21%, 16% e 24%, em 2001, respectivamente. Em Ribeirão Preto, a taxa de cesariana aumentou de 30%, em 1978, para 51%, em 1994. Hoje está em torno de 60%. Já a taxa de obesidade no Brasil aumentou de 4%, em 1974, para 11% em 2006. Uma vez que a colonização intestinal pode ter um efeito duradouro na saúde, concluímos que o aumento das taxas de cesariana pode desempenhar um papel fundamental na epidemia de obesidade no mundo.

Marco Antonio Barbieri (coordenador), Helena Ayako Sueno Goldani, Heloisa Bettiol, Antonio Augusto Moura da Silva, Marilyn Agranonik, Mauro Moraes e Marcelo Goldani, do Núcleo de Estudos da Saúde da Criança e do Adolescente da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto .

Fatores econômicos predominam na escolha por cesárea

Estudo realizado pela UFMG mostra que remuneração médica e renda da paciente se sobrepõem aos indicativos médicos.
Priscilla Borges, iG Brasília | 29/12/2011 12:27



Foto: Getty Images/Stockbyte Silver/John Foxx

Gravidez: parto natural não é incentivado pelos médicos, aponta pesquisa

As cesarianas representam mais da metade dos partos feitos no Brasil, mas, ao contrário do que deveria, a justificativa para a realização desse tipo de parto não é clínica.

A conclusão é um estudo realizado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A economista Tabi Thuler, autora da dissertação Evidências de indução de demanda por parto cesáreo no Brasil, concluiu que fatores econômicos – de médicos e pacientes – têm sido a principal influência nessa decisão.

Segundo Tabi, a remuneração recebida pelos médicos pelas cesáreas aparece como fator mais “determinante” na escolha do tipo de parto. A análise foi feita com base nos partos realizados por um plano de saúde do estado de São Paulo entre 2004 e 2009. A conclusão é a de que, quanto maior a diferença de valores entre os partos cesarianos e normais, mais cesarianas foram feitas. Nesse caso, a remuneração paga por cesáreas era mais alta.

“Queríamos compreender se havia uma ‘indução de demanda’ para justificar o crescente aumento do número de cesáreas no Brasil. Não encontramos nenhum estudo com o olhar econômico sobre o assunto”, diz.

Tabi conta que já esperava encontrar sinais de que há “incentivos” econômicos para que os médicos optem por realizar partos cesáreos e não normais. Ela se impressionou, no entanto, por não ver os fatores clínicos entre os principais.

A economista explica que os riscos de complicações para mães ou bebês não tiveram influência significativa nas opções feitas pelos médicos do plano de saúde pesquisado. “Foi inesperado”, admite ela. Na base de dados utilizada por Tabi, mais de 90% dos partos feitos nesse período de cinco anos eram cesarianas. Ela só considerou no estudo os procedimentos feitos por médicos que haviam realizado cesáreas e partos normais no período.

Além disso, a renda da paciente apareceu como outro forte indicativo para o parto cirúrgico. Quanto maiores os ganhos da mãe, mais a cesariana aparece como opção. O número desse tipo de parto na capital também foi maior que no interior.

“Espero que o estudo ajude nos debates sobre o gasto que estamos fazendo com saúde e como reverter a quantidade imensa de cesarianas feitas no País”, afirma.

52% dos 3 milhões de partos feitos no País em 2010 foram cirúrgicos. A recomendação da OMS é que esse número não supere os 15%.

Para a Federação Brasileira de Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), reverter o cenário brasileiro será difícil. Segundo dados recentes divulgados pelo Ministério da Saúde, 52% dos 3 milhões de partos realizados no País em 2010 foram cirúrgicos. A recomendação da Organização Mundial de Saúde é que esse número não supere os 15%. Há dez anos, em 2000, elas representavam 38% dos partos realizados no País.

“Tornou-se cultural a opção pela cesariana, por causa de múltiplas variáveis, mas as mais relevantes são a remuneração médica e a cultura da mulher, que não quer sentir dores. Isso só vai mudar com uma educação em saúde pública maciça para todos os brasileiros, de todas as classes sociais”, ressalta o presidente da Comissão de Gestação de Alto Risco da Fegrasgo, Denis José Nascimento.

Nascimento, que coordena o Departamento de Tocoginecologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), lembra que os planos de saúde pagam muito pouco aos profissionais. A dedicação que exige um parto normal então, segundo ele, não é valorizada.

“Não tem estrutura que pague um profissional que se dedique a ficar horas e horas a fio ao lado da paciente”, diz. E as mulheres, de acordo com ele, passaram a participar mais da decisão e também querer a comodidade da cesárea.

E se passar de 40 semanas?



Sabemos que o tempo de gravidez da mulher é calculado tendo por base o primeiro dia de sua última menstruação, data da qual nem todas as mulheres têm certeza, além do fato de o calculo tender a ignorar a possível ocorrência de uma ovulação tardia, o que faria com que o feto fosse menos maduro do que se presume, pois a fecundação não teria ocorrido no 14º dia do ciclo conforme se supõe.

Devido à cultura dos partos no Brasil - país campeão mundial de cesáreas - convencionou-se agendar a cesariana da mulher caso ela não entre em trabalho de parto expontâneo depois - ou até mesmo antes - da 40ª semana da gravidez, com a justificativa de o bebê estar "passando da hora", mas, assim que o bebê nasce e passa por avaliação do pediatra neonatal, constata-se o fato de que a idade gestacional daquele bebê é bem menor do que se imaginava e esse bebê - e todos os outros que têm seu nascimento antecipado sem necessidade real - apresenta risco aumentado de complicações respiratórias e, geralmente, é encaminhado para uma incubadora na qual ele irá "se acostumar" ou "aprender a respirar" e a família inocentemente acreditará que o bebê foi salvo pela cesariana.

Chamamos esse fenômeno de prematuridade iatrogênica, sendo iatrogenia uma doença causada pelo tratamento médico, ou seja, " quando se agenda uma cesariana por supor que o bebê está maduro, mas ele nasce prematuro", segundo o próprio Ministério da Saúde.
Excluindo os casos de gestações nas quais a idade gestacional estimada era incondizente com a real, constatamos que as gestações realmente prolongadas, que ultrapassam as 42 semanas, são raras, mas não se devem a algum defeito físico ou incapacidade da mulher de parir seu bebê e sim ao fato de que cada indivíduo se desenvolve do seu modo, no seu tempo e para que um trabalho de parto se inicie é necessário que uma série de eventos aconteça no organismo da gestante e do bebê, como a liberação de hormônios específicos. Esses bebês especificamente precisam passar mais tempo dentro do útero para completarem seu desenvolvimento e estarem prontos para nascer
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A mulher que tem uma gestação prolongada carrega consigo uma série de medos: medo de que o bebê possa entrar em sofrimento, deixando de ser oxigenado corretamente, que a placenta estará envelhecida e não irá nutrir o feto e que o bebê eliminará mecônio. Precisamos, em um primeiro momento, entender que a eliminação de mecônio que acontece devido ao fato de o intestino do bebê já estar maduro dentro do útero não significa necessariamente que o bebê esteja ou que irá entrar em sofrimento fetal (privação de oxigênio).Porém, existe uma complicação na gravidez chamada de insuficiência placentária, que por sua vez ocasiana um aumento dos movimentos intestinais, relaxamento dos esfincteres anais e a consequênte eliminação de mecônio que, quando combinado com líquido amniótico reduzido e baixas reservas de oxigênio, pode ser aspirado podendo levar à óbito antes ou depois do nascimento.
Portanto, em gestações que se prolongam, é necessário que haja um monitoramento no qual se avalia a vitalidade do bebê através de ultrassonografia e ecocardiografia e, caso seja detectada alguma alteração significante, existe a opção de interromper a gravidez - o que não significa agendar uma cesariana - realizando a indução do parto vaginal com ajuda de medicamentos específicos para amolecer o colo do útero ou tornar as contrações mais intensas, caso o colo já esteja pronto para entrar em trabalho de parto. Em todo caso, essa é uma decisão que cabe ao casal, mediante esclarecimento, em conjunto com a equipe que irá acompanhar o parto. É preciso que cada situação seja estudada isoladamente e cada mulher possa decidir se irá aguardar o trabalho de parto espontâneo com monitoramento ou se irá induzir o parto.
O casal precisa ser informado a respeito dos riscos e benefícios de cada uma das opções e não que simplesmente sejam informados das datas disponíveis para o agendamento da cesariana alegando que os riscos do parto vaginal sejam maiores do que o de uma cesariana, pois já sabemos que isso não é verdade.
Texto baseado nas informações cedidas pela Dra. Melania Amorim ao site Guia do Bebê em resposta à uma coluna cujas informações eram equivocadas e divergiam das evidências científicas.

Texto cedido gentilmente por Priscila Rezende

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Indução do parto



Muitas mulheres todos os anos do mundo inteiro passam por induções, problemas de saúde com a mãe ou o bebê são um dos principais motivos para interromper a gestação, outro é quando a gestação passa de 41 semanas. Todo procedimento tem beneficios e riscos, a indução também, e não deve ser usada de rotina.Antes de decidir pela indução, discuta sobre esses detalhes importantes como seu obstetra.
Tradução do vídeo:
Algumas vezes o corpo precisa de uma ajuda para que o trabalho de parto comece. No vídeo a gestante Sheryl grávida de 39 semanas será induzida , existem muitas formas de induzir o parto, e todas tem o mesmo objetivo, desencadear o trabalho de parto.
‘Nós induzimos as contrações, e essas contrações devem dilatar o colo do útero, e com o progresso da dilatação o bebê nasce via vaginal.” Dr.Richard Carapeltolli
Seu médico ou parteira podem indicar indução nos casos de:
– Gestação prolongada;
– A bolsa rompe mas o trabalho de parto não começa;
– Ou problemas de saúde, que é o caso da Sheryl;
Existem vários metodos para induzir:
- Sonda Foley :que é a mesma inserida na uretra, no caso ela é introduzida no canal vaginal, dentro do colo do útero, e faz com que o corpo produza prostaglandinas e o trabalho de parto comece;
-Prostaglandinhas: Essa mesma substância é encontrada em comprimidos vaginais e gel vaginal, que serve para afinar e dilatar o colo do útero, causando contrações;
- Descolar a bolsa amniótica: é uma das mais comuns e frequentes, e ajuda a iniciar as contrações, mas é preciso ter alguma dialatação ( 1 ou 2 cms).
- Estourar a bolsa: romper a bolsa amniotica ajuda a iniciar o trabalho de parto, é preciso ter alguma dilatação e é eficaz para acelerar o trabalho de parto ( mas tem riscos ).
- Ocitocina: É a forma sintética de hormônio natural do corpo que desencadeia o trabalho de parto, é o método mais popular, Sheryl receberá ocitocina hoje .
Quando é usado ocitocina:
– Quando o colo do útero não esta afinando nem amaciando ;
– Se o parto regride ao invés de evoluir;
– Se a bolsa rompe mas após horas o parto ainda não começou;
Ocitocina nem sempre é uma solução rápida. Se a mãe já esta com contraces, quando aplicada ocitocina ela vai evoluir rápido, se o colo do útero não esta favorável pode-se usar doses pequenas por até 12 horas para preparar o colo do útero, Sheryl esta com monitoramento contínuo, coração do bebe e força da contração através do cardiotoco. Não tem necessidade disso e é extremamente desconfortável para a mãe, pois ela precisa ficar deitada, evoluindo mais devagar e aumentando a sensação de dor.
Após 2 horas de indução, ela esta com 3 cms e o médico com pressa, rompe a bolsa para acelerar o trabalho de parto. Indução em geral é seguro, mas traz riscos, por isso é preciso discutir esses riscos com o médico. Nem sempre as induções são bem sucedidas e se isso acontecer, a mulher será submetida a uma cesárea.
Depois de 7 horas de indução, Sheryl acha que esta demorando mais do que ela esperava, mas decide não tomar analgesia peridural, ( comum nos EUA). 11 horas após o início da indução, ela esta pronta para empurrar. Sheryl dá a luz a uma menina saudável, ela diz que a sensação de dor com a ocitocina foi intensa, mas nem mais nem menos do que no parto anterior, que foi natural. Ela esta feliz que a indução tenha funcionado e feliz de conhecer sua filha.

Fonte: BabyCenter