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sábado, 3 de dezembro de 2011

Como o marido pode ajudar na hora do parto

Muitas pessoas e especialmente maridos, me perguntam o que eles devem fazer no parto, e eu respondo sempre que eles devem conhecer os próprios limites.

Alguns parceiros querem e conseguem participar ativamente do trabalho de parto e parto, alguns parceiros não querem, outros não conseguem ver a esposa chorando, com contrações, as vezes reclamando da dor, etc. Então quero deixar um recado para vocês, não se sintam obrigados a fazer nada, mas lembrem que o parto também é de vocês, e que esse momento é realmente único.

Como ajudar?
Uma das coisas principais é entender o que sua parceira quer. Como ela quer que o parto aconteça, o que ela quer, quem ela quer no parto, o que ela deseja fazer, o que não deseja  É fundamental que o pai do bebê saiba tudo isso, porque assim ele pode incentiva-la, lembra-la de que ela consegue, de que ela é forte e vai conseguir, para não desistir, etc. E muitas vezes, quando o médico indicar algo que ela não quer, é o marido que pode negar.

Prepare o ambiente:
Veja o que você pode fazer para melhorar o local do trabalho de parto, se estiver com muita luz, apague essas luzes ou feche as cortinas. Se tiver muito barulho, peça por silêncio e isole esse incômodo. Se estiver muito bagunçado, dê uma arrumada no principal e deixe confortável. Faça um chá, um suco natural, acenda algumas velas ou coloque uma música calma que ela goste. Proteja-a.


Massagem:

Muitas pessoas não entendem o valor da massagem, e como ela realmente pode diminuir a dor das contrações, o conforto que ela traz, como relaxa e como ajuda a parturiente. Novamente, o companheiro é a melhor pessoa pra isso, desde que ele mantenha a calma e faça tudo com delicadeza.
Palavras de carinho e apoio são fundamentais. ''Você consegue, você está indo muito bem, perfeito, acredite no seu corpo, etc''

Paciência:É preciso ter paciência, a natureza não tem relógio e o parto pode ser longo. Não adianta correr pra maternidade se o objetivo da mulher é um parto natural, quanto mais cedo ela for, maior as chances dela sofrer intervenções e acabar numa cesárea. Por isso, tenha calma, respeite as escolhas que ela fez, escolham informadas e conscientes.
Não se sinta ofendido:É comum que no trabalho de parto a parturiente fique meio louca, ela não sabe muitas vezes o que quer, então ela pode estar amando a massagem e na próxima contração mandar você tirar a mão. Ela pode amar abraços, dar beijos e depois fechar a cara totalmente. Faz parte do trabalho de parto, da parte primitiva, por isso não leve para o lado pessoal. Apenas fique ao seu lado, muitas vezes é tudo o que ela precisa, que você esteja ali. Assim como agir de modo estranho, ela pode falar coisas sem sentido, pode pedir uma analgesia da boca pra fora, uma cesárea, começar a chorar e 5 minutos depois sorrir, dê apoio mas não leve tudo ao pé da letra.
Respeite:
Ela pode pedir em algum momento para que você a deixe sozinha, pode pedir para que você saia, respeite o pedido dela. É normal que a mulher não se sinta á vontade em fazer certas coisas na presença do companheiro, e é fundamental que ela não tenha vergonha nem medo no trabalho de parto. Dê um passo para trás, e quando ela precisar, ela vai chamar.

Incentive:
Incentivar a parceira a caminhar, comer, beber, ir ao banheiro, descansar ou dormir também é importante. Se ela estiver desconfortável ajude-a a trocar de posição, e veja uma posição em que ela se sinta confortável e que torne o trabalho de parto mais fácil.

Aproveite:O parto também é o seu momento, é o seu momento de conhecer o bebê que vocês fizeram juntos, e que desejam parir e criar juntos. Não tente pensar nas mil coisas que vão acontecer depois, foque apenas no parto, e no momento do nascimento do seu filho. Fotografe e filme apenas o necessário, você não tem que fazer um book, curta este momento.
Conheça seus limites:
Se sentir que estar no parto vai deixá-lo nervoso, que não vai conseguir ajudar, ou até mesmo os pais que acham besteira aquilo tudo, que a cesárea já deveria ter acontecido. Se não se sentir á vontade, explique para sua parceira e deixe que outra pessoa da confiança dela assuma.


Cris De Melo
Téc Enfermagem, Mãe & Doula

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