Páginas

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Bebês prematuros e com baixo peso têm mais risco de desenvolver autismo, diz estudo

Entre as possíveis causas, estariam as interferências precoces que o cérebro ainda imaturo do bebê sofre fora da barriga da mãe

Ana Paula Pontes

 Shutterstock
Bebês prematuros e que nascem com baixo peso têm cinco vezes mais risco de desenvolver autismo do que aqueles que nascem no tempo certo. Esse foi o resultado de um estudo realizado pela Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, publicado nesta segunda (17) pela revista científica Pediatrics.

Os cientistas identificaram 1.105 crianças que nasceram com menos de 2 kg entre outubro de 1984 e julho de 1989 em Nova Jersey. Dezesseis anos depois, 623 deles foram analisados para o transtorno do espectro autista. Outra análise realizada quando os participantes do estudo tinham 21 anos de idade revelou que 5% receberam resultado positivo para autismo.

Segundo Jennifer Pinto-Martin, co-autora do estudo, os prematuros têm algo como uma lesão cerebral neonatal. Em alguns casos, é apenas uma contusão, sem consequência, mas em outros pode ter um efeito a longo prazo.

Essa não é a primeira pesquisa a fazer essa relação e alguns especialistas já percebem isso na prática. “Ao observamos bebês de prematuridade extrema, que nascem antes de 32 semanas, e os que pesam menos de 1,5 kg, vemos uma incidência maior de problemas de comportamento. Isso acontece porque o cérebro, que estava se desenvolvendo, é mais vulnerável e exposto precocemente a interferências ambientais, como pequenas variações de pressão, intercorrências na UTI, o que pode levar a microlesões. No entanto, não é possível observá-las em laboratório”, diz Antonio Carlos Farias, neurologista infantil do Hospital Pequeno Príncipe (PR) e pesquisador do Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe.

O estudo, no entanto, é apenas um alerta para os pais de prematuros. A grande maioria dos bebês que nasce antes da hora não desenvolve autismo. Segundo Jennifer, a intenção da pesquisa não é ser alarmante. “Não é algo para se preocupar, mas é algo para prestar atenção”, disse à Reuters. Afinal, são pesquisas como essa que podem possibilitar que o autismo tenha um diagnóstico cada vez mais precoce.

Fonte: Revista Crescer

Um comentário:

Adèle Valarini disse...

Olá. Adorei o Blog!

Acho que faz muito sentido isso que acaba de ser "descoberto" pelos cientistas: os bebês que ficam muito tempo isolados, em incubadoras, não desenvolvem certas habilidades sociais essenciais em seus primeiros momentos de vida, e a parte do seu cérebro ligada à essas interações meio que "atrofia". Seria interessante fazer um estudo com prematuros que foram cuidados no modelo mãe-canguru e os que ficaram em incubadoras. Com certeza os resultados seriam impressionantes!

Para saber mais sobre o autismo em bebês, recomendo o vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=eCYBv2jqYJc&list=PL364AEF59F6DCBE6E&index=3

beijos