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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Informar só não basta!

Este texto é do blog mamíferas. Acho que vai ajudar a refletir um pouco...

Outro dia, uma conhecida me pediu um artigo científico para convencer uma mãe a desistir de uma cesárea eletiva. Disse a ela que nenhuma informação poderia convencer ninguém de nada, que ela já havia decidido o rumo desta gestação.
É bem verdade que a imprensa tradicional é bem tendenciosa em relação à cesárea. Por que ela é realmente mais segura? Por que somos loucas que tentamos a qualquer preço um exercício biológico do corpo em um parto natural?
Não. A resposta é porque a mídia é patrocinada por órgãos, por laboratórios que se beneficiam com as cesáreas eletivas. Laboratórios, empresas ligadas a área médica também financiam a pesquisa de novos equipamentos e fármacos eficientes para alivio da dor, fios para cicatrização etc. E profissionais são convidados para congressos cheios de mimos para conhecerem os benefícios destas descobertas. Como abrir mão de tudo isso, deixando no armário a possibilidade de “fazer um parto”, para ser apenas coadjuvante de um nascimento?
De certa forma o protagonismo médico é confortável. Não exige grandes mudanças, revoluções, questionamentos. Basta ir a todas as consultas de pré natal, vibrar com os ultrassons, achar o médico o máximo por ter o equipamento no consultório, seguir suas orientações. No lugar do parto apenas uma cirurgia que trará seus filhos para seus braços, passivamente. Que importa se feita com 37 semanas? O médico com seus aparelhos mágicos sabe a hora que o bebê está pronto. Afinal, me ensinaram a ser uma menina comportada: não fazer perguntas indiscretas e principalmente, respeitar o médico (ou o pai ou Deus).
E existe conforto em tudo isso: muitas pessoas fizeram esse mesmo caminho. Para que procurar um médico fora do plano de saúde? Para que abrir mão dos benefícios de uma anestesia ou mesmo da cirurgia?
Não adianta: sementes só nascem em solos férteis. O que fertiliza esse solo? A vida, as experiências anteriores deste ser humano.
Muito se fala de empoderamento. O que é essa palavra? Assumir o protagonismo das próprias escolhas. A maternidade é um momento em que esse chamado se torna mais claro. Afinal é no momento que nos tornamos mãe que deixamos a história da filha para trás para escrever nosso capítulo como força feminina criadora daquela nova família.
O empoderamento se dá muito antes, quando decidimos não seguir a religião dos nossos pais, quando escolhemos a faculdade que é nossa vocação e não a tradição da família, quando adotamos a homeopatia no lugar da alopatia, quando resolvemos viajar sozinha pelo mundo.
O protagonismo é a capacidade de fazer escolhas baseadas, não no medo de não conseguir, não na crença de modelos estabelecidos e difundidos pela mídia, mas pela nossa capacidade de pensar e agir de acordo com nossas crnças.
Não adianta com artigo convencer uma mãe que ela deve ter um parto. Ela ainda está na tutela do médico, da família, da mídia que a faz acreditar que ela escolheu, quando de fato ela se trata de um marionete na mão de poderosos títeres.
Cortar os fios não é fácil. Ser títere da própria vida é solitário e pioneiro. Existem poucas referências por perto. Sair da matrix é difícil em todos os sentidos. Nunca olharemos para uma tinta de cabelo com a mesma inconsciência, nem uma vitamina artificial como inofensiva. Empoderar-se é entender como as coisas funcionam. Não adianta um texto, uma palestra para mostrar que suas escolhas estão inadequadas.
Empoderamento ou você tem ou você não tem. E não quer dizer que a mulher que teve uma cesárea não é empoderada. Conheço muitas mulheres que assumiram o poder interior e vivenciaram uma cirurgia. E um monte de mulheres que nunca assumiram o protagonismo da própria vida que tiveram partos naturais na água.
O empoderamento está na vida, em cada atitude desta mulher. Esse poder pode ser forte, como um tufão, ou sereno e leve como uma brisa. E não por acaso, essas mulheres se aglomeram em diversidade para lançar sementes para que outras mulheres, em seus solos já férteis, gestem o poder interior e cortem os fios e assumam o controle de suas próprias escolhas.

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