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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Parto domiciliar : refletindo sobre paradigmas por Dra. Melania Maria Ramos de Amorim

Como falei anteriormente, postei uma matéria sobre os riscos do parto domiciliar e agora uma sobre as vantagens. Esse assunto é muito polêmico, por isso leia tire suas próprias conclusões!

Parto domiciliar: refletindo sobre paradigmas

Quando começamos a escrever esta coluna para o Guia do Bebê, em 2010, nosso primeiro artigo abordou um assunto que começava então a despertar o interesse da mídia brasileira: o parto domiciliar (1). Na oportunidade, revisamos as evidências científicas disponíveis e concluímos que o parto domiciliar, uma realidade frequente em outros países, como Holanda, Inglaterra e Canadá, representava uma alternativa segura para as gestantes de baixo risco, resultando em menor taxa de intervenções como episiotomia, analgesia, operação cesariana e parto instrumental (fórceps e vácuo-extrator), sem aumento do risco de complicações para mães e bebês (2-4). Destacamos a publicação, em 2009, de um grande estudo de coorte comparando mais de 500.000 partos domiciliares ou hospitalares planejados em gestantes de baixo risco, no qual não se verificou diferença significativa no risco de morte fetal intraparto, morte neonatal precoce e admissão em unidade de terapia intensiva (UTI) neonatal (4).


Interrompendo temporariamente nossa série de artigos sobre Parto Normal vs. Cesárea (5-7), voltamos agora a abordar este tema, que recentemente retoma a atenção da mídia despertando intensa polêmica, depois da publicação de matéria online no site da maior revista de atualidades brasileira, com o título sensacionalista “Parto domiciliar: quando o risco não é necessário” (8). Depois de publicar uma controvertida matéria sobre os milagrosos efeitos de uma medicação antiobesidade (9) que não é aceita pela comunidade científica com esta finalidade (10,11) a revista volta a fazer incursões na área de saúde, mas desta vez em paz com os “conselhos de medicina”, ao alertar que o parto domiciliar estaria expondo mulheres e crianças a “complicações que podem ser graves” (8).

À parte considerações puramente semânticas às quais não iremos nos ater, a matéria presta um desserviço à população com suas afirmações categóricas e sem embasamento científico, em que se confundem mau jornalismo e julgamentos apressados, além de um amontoado de lugares-comuns, como exemplificado no seguinte trecho do primeiro parágrafo: “Depois da revolução pela qual a medicina passou no século 20, hospitais tornaram-se lugares mais seguros e indicados não só para tratamento de doentes, como para o nascimento de crianças. É regra que, dadas as condições, não faz mais sentido realizar um parto dentro casa, sujeito a problemas com consequências potencialmente desastrosas que poderiam ser resolvidas em um hospital. Regra, no entanto, que algumas mulheres moradoras de grandes centros urbanos, com todas as condições de usufruir desses avanços da medicina, questionam e ignoram. Essas mulheres defendem o parto à moda antiga, dentro de casa.”(8)

Ora, quem ditou essa regra que as transgressoras “moradoras de grandes centros urbanos” resolvem agora “questionar e ignorar”, defendendo o “parto à moda antiga”? Por que a revista afirma que hospitais são os “lugares mais seguros e indicados não só para tratamento de doentes, como para o nascimento de crianças”? Por que os representantes de conselhos e sociedades batem tanto na tecla de “riscos eminentes”? Seriam os riscos tão importantes assim ou foi somente um erro de grafia? E finalmente, quais são as reais implicações do artigo publicado por Joseph Wax (12) no “conceituado periódico médico internacional”, o American Journal of Obstetrics and Gynecology (AJOG)?

Vamos por partes. Primeiro, é fato que houve grandes avanços na Medicina durante o século XX e que, por conta destes avanços, verificou-se notável queda da mortalidade materna e perinatal. Em decorrência da antissepsia e da descoberta de antibióticos, a par da introdução das modernas técnicas anestésicas, tornou-se mais seguro realizar uma cesariana, e é fato inconteste que uma cesariana bem indicada é salvadora (13,14). Transfusão sanguínea, uso de antibióticos, prevenção e tratamento das convulsões com sulfato de magnésio, todas essas tecnologias bem empregadas levaram à redução das mortes maternas por hemorragia, infecção e hipertensão e são estratégias que devem estar facilmente disponíveis nos serviços de saúde para as situações de alto risco (15). No entanto, taxas de cesariana superiores a 15%-20% não resultam em redução das complicações e da mortalidade materna e neonatal e, ao contrário, podem estar associadas a resultados prejudiciais tanto para a mãe como para o concepto (16-18).

Por outro lado, o processo de hospitalização do parto, coincidindo com esses avanços, gerou infelizmente uma elaborada proliferação de ritos e rituais em torno deste evento fisiológico, como alerta Robbie Davis-Floyd em seu instigante livro “Birth as an American Rite of Passage”(19). Esses ritos e rituais adotados pelo modelo tecnocrático de assistência ao parto vigente no mundo ocidental foram introduzidos sem evidências científicas corroborando sua efetividade e vieram como “respostas ao medo exagerado deste processo natural do qual depende a continuidade de nossa existência” (19). Como resultado, intervenções e procedimentos desnecessários como episiotomia (corte no períneo), raspagem dos pelos, lavagem intestinal, uso rotineiro de ocitocina para acelerar o trabalho de parto e cesarianas sem indicação foram progressivamente incorporados à prática médica e ainda seguem sendo realizados como rotina em muitos hospitais brasileiros. De fato, cada parturiente internada em hospital passa a ser vista como “paciente” e submetida, portanto, às “regras” desse hospital para todos os “doentes”(20) .

Foi contra essa medicalização excessiva de um processo fisiológico que os movimentos de contracultura se voltaram nos anos 1960 e 1970, e foi como consequência da pressão desses movimentos que se começou a estudar a real necessidade, segurança e efetividade de muitos dos procedimentos estabelecidos como rotina na prática obstétrica diária (21). O novo paradigma da “Saúde Baseada em Evidências” , iniciando-se na Medicina e avançando progressivamente para outras áreas que passam a se integrar em uma perspectiva transdisciplinar, tem seus pilares na década de 1970 e 1980 exatamente na Saúde Materno-Infantil (22), como resposta aos questionamentos sobre o complexo emaranhado de rituais desnecessários permeando a assistência obstétrica e neonatal (19-22).

O movimento de retorno ao que se chama “parto à moda antiga” não é novo nem representa um modismo, e tampouco pretende abdicar do que a tecnologia tem de positivo e atraente, uma vez que intervenções necessárias são bem vindas. Todos os sistemas de saúde que facultam a opção de partos domiciliares como alternativa para as mulheres que assim o desejam contam com sistemas de classificação de risco e disponibilizam não apenas parteiras treinadas como um bom sistema de transferência e transporte, embora não seja verdade que uma ambulância ou UTI móvel fique à porta desses domicílios (2-4). A Organização Mundial de Saúde reconhece como profissionais habilitados para prestar assistência ao parto tanto médicos como enfermeiras-obstetras e parteiras (23) e recomenda que as mulheres podem escolher ter seus partos em casa se elas têm gestações de baixo-risco, recebem o nível apropriado de cuidado e formulam planos de contingência para transferência para uma unidade de saúde devidamente equipada se surgem problemas durante o parto (24,25). Por sua vez, a Federação Internacional de Ginecologistas e Obstetras (FIGO) recomenda que "uma mulher deve dar à luz num local onde se sinta segura, e no nível mais periférico onde a assistência adequada for viável e segura” (26). Tanto o American College of Nurse Midwives(27) como a American Public Health Association(28), o Royal College of Midwives (RCM) e o Royal College of Obstetricians and Gynaecologists (RCOG) apoiam o parto domiciliar para mulheres com gestações não complicadas. De acordo com a diretriz do RCM e do RCOG, “não há motivos para que o parto domiciliar não seja oferecido a mulheres de baixo risco, uma vez que pode conferir consideráveis benefícios para estas e suas famílias” (29).

O que há de novo nos últimos anos é que o tema passou a ter maior visibilidade no Brasil, não somente com a divulgação dos partos domiciliares de algumas celebridades, mas principalmente com o constante debate nas redes sociais, permitindo que as mulheres compartilhassem suas experiências de parto, domiciliar ou hospitalar, e pudessem compará-las. Tornou-se bastante evidente que havia uma parcela crescente de mulheres insatisfeitas com o atual modelo de assistência obstétrica em nosso país, excessivamente tecnocrático e caracterizado por um lado pelas taxas de cesárea inaceitavelmente elevadas no setor privado e, por outro, pelos partos traumáticos e com excesso de intervenções no Sistema Público de Saúde. Apesar da política de Humanização da Assistência ao Parto e Nascimento preconizada pelo Ministério da Saúde no Brasil (30), é fato que o modelo atual, hospitalocêntrico e medicalocêntrico, não permite ainda à maior parte das usuárias ter uma assistência ao parto humanizada e segura. Vivemos ainda em um país onde, "quando não se corta por cima, se corta por baixo", como bem definem Diniz e Chachan, referindo-se às cesáreas e episiotomias desnecessárias (31).

Para completar, uma em cada quatro mulheres brasileiras internadas para assistência ao parto em hospitais públicos ou privados relata ter sofrido violência institucional, traduzida por qualquer forma de agressão perpetrada pelos profissionais de saúde que lhe prestam atendimento. Essas agressões não envolvem apenas o uso de procedimentos, técnicas e exames dolorosos e desnecessários, mas até “ironias, gritos e tratamentos grosseiros com viés discriminatório quanto a classe social ou cor da pele” (32). A violência institucional durante o parto pode assumir múltiplas facetas e representa um problema internacionalmente reconhecido (33). Em diversos hospitais ainda não se permite a presença do acompanhante, mesmo com a Lei 11.108 estabelecendo a obrigatoriedade de tanto hospitais públicos como privados permitirem a presença, junto à parturiente, de um acompanhante durante todo o trabalho de parto, parto e pós-parto imediato (34).
Em contrapartida, com o crescente acesso à informação e a divulgação da realidade nua e crua do modelo de assistência obstétrica vigente no Brasil, diversas mulheres desejando uma assistência humanizada e segura para os seus partos puderam identificar outros modelos possíveis, já implementados e funcionando a contento em outros países, além de tomar conhecimento das evidências científicas comprovando efetividade e segurança dessas alternativas. Um exemplo é o modelo de assistência obstétrica conduzida por obstetrizes ou parteiras, cujos benefícios foram amplamente demonstrados em uma revisão sistemática da Biblioteca Cochrane: aqui nos referimos àquelas profissionais que fazem curso superior de Obstetrícia, as midwives em língua inglesa, sage-femmes na literatura francesa ou ainda comadronas em espanhol (35).

Essas mulheres, empoderadas e confiantes, não apenas no Brasil, mas também nos Estados Unidos e outros países em que ainda predomina o modelo tecnocrático de assistência ao parto, começaram a buscar profissionais, médicos, enfermeiras-obstetras ou parteiras, que se dispusessem a auxiliá-las nesta jornada rumo a um parto respeitoso, humanizado e seguro. Essas mulheres se deram conta de que parir em suas residências era uma alternativa possível e não apenas luxo, modismo ou excentricidade de famosas. Essas mulheres pesquisaram, leram e estudaram as evidências, e conseguiram encontrar como parceiros os profissionais que também vinham trilhando sua própria jornada transformadora(36), profissionais que se respaldavam no novo e desafiante paradigma da Saúde Baseada em Evidências e buscavam, portanto, modelos de assistência ao parto que funcionassem sob esta perspectiva ecológica e sustentável (37).

Desta forma, verificou-se um aumento do número de partos domiciliares assistidos no Brasil e nos EUA (38-40) e, embora não disponhamos ainda de estatísticas confiáveis sobre o percentual de partos domiciliares planejados em nosso país, sabe-se que nas grandes cidades equipes transdisciplinares vêm se formando e atuando para prestar assistência a esses partos. Depoimentos de mulheres até então anônimas estão disponíveis em blogs e redes sociais. Grupos e comunidades sobre Parto Domiciliar discutem abertamente este tema. Twitter, Orkut e Facebook permitiram a milhares de mulheres trocar informações e partilhar experiências. O tema é palpitante, a discussão está no ar e, como se trata de remar contra a corrente, não é de se admirar que o establishment médico reaja e conselhos e entidades de classe comecem a se manifestar, em geral com posição contrária à prática.

Esta reação era previsível, assim transcorrem as revoluções científicas, assim se procedem as mudanças de paradigma: o modelo atual, embora falido e não sustentável em longo prazo, permite ainda a muitos profissionais soluções cômodas a que estes se aferram, de dentro de sua zona de conforto, como a praticidade e a conveniência de programar cesarianas eletivas sem indicação médica definida. Curiosamente, são estes os mesmos profissionais que defendem o "direito" da mulher de escolher sua via de parto, embora aparentemente este direito tenha mão única, só valha para a minoria de mulheres que desejam uma cesariana (6) e não inclua aquelas que desejam um parto normal nem tampouco se estenda para a decisão sobre o local de parto. A voz das mulheres e o seu direito de escolha têm sido grandemente ignorados (39,41).

Não é, portanto, surpreendente a publicação de uma matéria sobre este tema na citada revista de atualidades. Infelizmente, como sói acontecer com as matérias de interesse à saúde publicadas na referida revista, esta é tendenciosa, parcial e não considera ou interpreta equivocadamente as evidências científicas pertinentes. O próprio posicionamento do American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) é apresentado de forma incorreta, porque em sua última diretriz esta sociedade, conquanto explicite que considera hospitais e centros de parto normal mais seguros, reconhece o DIREITO das mulheres de escolher o local do parto. Citando literalmente o resumo da diretriz, publicada em fevereiro de 2011: “Embora o Comitê de Prática Obstétrica acredite que os hospitais e centros de parto normal sejam os locais mais seguros para o nascimento, ele respeita o direito de uma mulher de tomar uma decisão medicamente informada sobre o parto. Mulheres questionando sobre o parto domiciliar planejado deveriam ser informadas sobre os seus riscos e benefícios baseados nas recentes evidências. Especificamente, elas deveriam ser informadas que embora o risco absoluto possa ser baixo, o parto domiciliar planejado está associado com um risco duas a três vezes maior de morte neonatal quando comparado com o parto hospitalar planejado. É importante que as mulheres devam ser informadas que a adequada seleção de candidatas para o parto domiciliar; a disponibilidade de enfermeiras-obstetras ou parteiras certificadas, ou médicos atuando dentro de um sistema de saúde integrado e regulado; o pronto acesso à consulta; e a garantia de transporte seguro e rápido para os hospitais mais próximos são críticos para reduzir as taxas de mortalidade perinatal e obter desfechos favoráveis do parto domiciliar.” (42)

Interessante é que há cerca de seis meses, outra revista de atualidades, esta internacional, publicou matéria sobre o parto domiciliar: no número de 31 de março de 2011, “The Economist” aborda o tema em uma bela reportagem, exemplo de bom jornalismo. Com o título “Não há nenhum lugar como o lar?” e o subtítulo “O lugar onde as mulheres dão à luz é um assunto controverso no mundo rico”, a matéria prima pelo senso crítico, pelo rigor investigativo e pela isenção, apresentando prós e contras e discutindo o mesmo estudo citado pela revista brasileira, porém com destaque às críticas que este suscitou na comunidade científica. Ao final, em vez de fazer terrorismo contra o parto domiciliar e decretar qual o melhor local de parto para todas as mulheres, uma reflexão importante: “Como em muitos outros aspectos da criação dos filhos, o nascimento ao final irá depender da escolha dos pais – se preferem as luzes brilhantes e a abundância de métodos analgésicos de um hospital ou os confortos familiares do lar.”(43)

Em relação ao estudo citado como evidência dos riscos dos partos domiciliares, no qual o ACOG se apoia para desaconselhar o parto domiciliar, trata-se de uma revisão sistemática com metanálise (12) que tem sido extremamente criticada dentro da comunidade científica, por diversos vieses e erros metodológicos e estatísticos (44-49). Não se trata de um estudo original nem tampouco inclui ensaios clínicos randomizados, apenas estudos observacionais que foram mal interpretados e incluídos ou excluídos arbitrariamente pelos autores nas análises dos desfechos considerados de interesse (49). Esta metanálise tem sido amplamente divulgada como "prova" dos riscos perinatais decorrentes de partos domiciliares e constitui a base para as recomendações do ACOG em relação às informações que devem ser apresentadas como o “estado da arte” das atuais pesquisas sobre parto domiciliar (50). Portanto, iremos discuti-la com maiores detalhes, apresentando uma síntese dos seus resultados e das críticas já publicadas nas revistas científicas internacionais, motivando até mesmo a publicação de uma errata reconhecendo erros na análise estatística(51).

A revisão sistemática de Wax e colaboradores foi apresentada inicialmente no 30º. Encontro Anual da Sociedade de Medicina Materno-Infantil de Chicago em fevereiro de 2010, publicada online no American Journal of Obstetrics and Gynecology em julho de 2010 e na versão impressa em setembro do mesmo ano (12). A metanálise incluiu 12 estudos originais e um total de 342.056 partos domiciliares e 207.551 partos hospitalares planejados. No resumo do artigo, os autores concluem que os partos domiciliares planejados se associam com menor risco de intervenções maternas, incluindo analgesia peridural, monitoração eletrônica fetal, episiotomia, parto operatório, além de menor frequência de lacerações, hemorragia e infecções. Dentre os desfechos neonatais dos partos domiciliares planejados, verificou-se menor taxa de prematuridade, baixo peso ao nascer e necessidade de ventilação assistida. No entanto, apesar de as taxas de mortalidade perinatal serem semelhantes entre partos domiciliares e partos hospitalares, os partos domiciliares se associaram com aumento de cerca de três vezes das taxas de mortalidade neonatal.

O artigo em questão gerou intensa polêmica na comunidade científica internacional, seguindo-se diversas cartas publicadas em sequência no próprio AJOG (44,46,47,52), das quais uma tem o provocativo título “Parto domiciliar triplica a taxa de morte neonatal: comunicação pública ou má ciência?” (45). Diante de todas as críticas, o AJOG resolveu investigar o estudo em questão, e a revisão pós-publicação de fato encontrou erros na análise original, embora não tenha alterado suas conclusões (51). A própria Nature se interessou pela questão, porém mesmo solicitando diversas vezes que tanto Wax como o ACOG comentassem os problemas apontados por vários especialistas, estes declinaram o convite (53). A Elsevier, editora que publica a revista, reconhece os erros, mas não acredita que estes possam motivar uma retratação (54).

Tentando resumir a enorme quantidade de críticas feitas à metanálise de Wax, podemos afirmar que, à diferença das revisões sistemáticas da Cochrane, esta não seguiu as diretrizes estabelecidas internacionalmente para condução e publicação de metanálise, como o PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses) (55) ou o MOOSE (Meta-Analyses and Systematic Reviews of Observational Studies)(56). Diversos erros estatísticos foram cometidos, até porque os autores utilizaram uma calculadora para a metanálise que apresenta vários problemas, resultando em Odds Ratio e intervalos de confiança incorretos, o que foi reconhecido pelo próprio autor do programa (49). No entanto, o principal erro enviesando a análise não foi estatístico, e sim um viés de seleção dos estudos, porque os autores da metanálise excluíram o grande estudo de coorte holandês (4) do cálculo do risco de morte neonatal, embora o tenham incluído no cálculo do risco de morte perinatal. Na verdade, os dados da metanálise são contraditórios em relação à morte neonatal e perinatal basicamente porque os autores definiram morte perinatal como morte fetal depois de 20 semanas ou a morte de um recém-nascido vivo nos primeiros 28 dias de vida, em vez de nos primeiros sete dias de vida, como é a recomendação internacional! (57) Por outro lado, outros estudos usados para calcular o risco de morte neonatal foram incorretamente incluídos e outros que poderiam ter sido incluídos para o cálculo de morte perinatal foram excluídos, por razões que não ficam bem claras. Os dados utilizados para o cálculo de morte neonatal incluíram partos que não tinham sido assistidos por parteiras ou enfermeiras-obstetras certificadas, o que já se demonstrou ser fator importante para redução dos riscos (49). Mesmo revisando os dados e apresentando os gráficos em uma publicação ulterior na revista com os novos números calculados corretamente (51), isto não resolve os sérios problemas metodológicos pertinentes à definição de termos e critérios de inclusão e exclusão (49).

Em suma, como refere Keirse em seu brilhante artigo publicado na Birth em Dezembro de 2010 (“Home Birth: Gone Away, Gone Astray, and Here To Stay”) “combinar estudos de parto domiciliar e hospitalar, sem diferenciar o que está dentro deles, onde eles estão e o que os circunda, é semelhante a produzir uma salada de frutas com batatas, abacaxi e salsão”. (48)

O debate em torno do parto domiciliar, não apenas no Brasil mas em todo o mundo, tem se tornado extremamente polarizado e politizado (48), de forma que nós não esperamos que essas críticas resolvam a polêmica. De fato, pode ser difícil gerar recomendações fortes com base em evidências fracas, oriundas de estudos observacionais, mas o mínimo que profissionais e sociedades deveriam reconhecer é que também não dispomos de evidências fortes corroborando a segurança do parto hospitalar para parturientes de baixo risco e seus neonatos. O desenho de estudo ideal para avaliar uma prática ou intervenção é um ensaio clínico randomizado, e metanálises de estudos observacionais, mesmo quando bem conduzidas e sem erros grosseiros como os encontrados na metanálise de Wax e colaboradores, não têm o mesmo poder das revisões sistemáticas de ensaios clínicos randomizados, como aquelas incluídas na Biblioteca Cochrane.

No entanto, randomizar mulheres para parto domiciliar ou hospitalar é virtualmente impossível: de acordo com Keirse, essas mulheres para quem “tanto faz” parir em casa como no hospital seriam tão raras quanto elefantes brancos (48), mas mesmo que estas mulheres fossem encontradas, dificilmente as conclusões de um ensaio clínico randomizado com esta amostra poderiam ser extrapoladas para mulheres diferentes em situações e contextos clínicos diferentes. Mulheres que DESEJAM ter seus bebês em casa diferem substancialmente daquelas que escolhem um parto hospitalar, da mesma forma que os profissionais que prestam assistência a partos domiciliares ou exclusivamente a partos hospitalares também são bastante diferentes entre si (48).

Dentro do novo paradigma da Pesquisa Translacional, entretanto, em se considerando a implementação de soluções na “vida real”, dentro de uma perspectiva de sustentabilidade e em um modelo de atenção centrado no usuário, é forçoso reconhecer que outros estudos além dos ensaios clínicos randomizados são necessários, o que desafia a hierarquia tradicional da qualidade dos estudos (58). Em um ambiente acadêmico tradicionalmente dominado pelos ensaios clínicos randomizados, desponta a importância de outras abordagens tipológicas não hierárquicas (59). Identificar necessidades, aceitabilidade, efetividade e desenvolver soluções sustentáveis, eis o desafio da pesquisa em Saúde para o século XXI.

Na prática, devemos considerar que tanto gestantes como profissionais de saúde têm sempre o mesmo e primaz objetivo de garantir uma experiência de parto satisfatória, com mãe e bebê saudáveis. Por outro lado, é um direito reprodutivo básico para as mulheres poder escolher como e onde irão dar à luz (60,61). Essa escolha deve ser informada pelas melhores evidências correntemente disponíveis, e essas evidências sugerem, sem se considerar a metanálise equivocada de Wax, que o parto domiciliar é uma opção segura para as parturientes de baixo risco atendidas por profissionais qualificados. Como vantagens em relação ao parto hospitalar se destacam a menor frequência de intervenções para a mãe e o conforto e a satisfação das usuárias, que vivenciam uma experiência única e transformadora em seu próprio lar (37,39,40) As taxas de mortalidade perinatal e neonatal são semelhantes àquelas observadas em partos hospitalares de baixo risco (2-4). No entanto, a decisão final deve se basear tanto nas evidências como nas características e expectativas das gestantes, bem como na experiência e qualificação dos prestadores e nas facilidades de acesso aos serviços de saúde (25,26,28,29).

Mais importante do que criticar as mulheres que escolhem ter um parto domiciliar e condená-las por estarem transgredindo uma “regra” imaginária é discutir e implementar estratégias para aumentar a segurança e a satisfação das usuárias em TODOS os partos (48). Isto inclui tanto melhorar e humanizar a atenção hospitalar no sentido de que os partos assistidos em maternidades ou centros de parto normal possam representar uma experiência gratificante para as mulheres, como estabelecer diretrizes para a seleção adequada das candidatas ao parto domiciliar.

Fonte: Site Guia do bebê

Dica de leitura: Casamento à prova de bebês

A vida após o nascimento de um filho muda muito a vida do casal, mas é importante saber que não é só com você e que tudo passa...
Por isso resolvi postar essa indicação de leitura, vale muito à pena ler!



Stacie, Cathy e Julia são três mulheres que amam muito seus maridos e não trocariam por nada o papel de mãe. Mas depois de terem vivido a experiência de ter filhos, suas vidas – e seus casamentos – mudaram completamente.
De repente, elas começaram a se perguntar por que não conversam com seus maridos como antes, por que discutem tanto, por que ficam tão irritadas quando eles não encontram as chupetas e por que eles ficam tão chateados com o fato de seu entusiasmo por sexo ser igual à sua vontade de passar roupa.
Depois de conversar com centenas de pessoas, elas descobriram que tudo isso é absolutamente normal e que a maioria dos casais enfrenta as mesmas dificuldades. Mas será possível fazer alguma coisa para não viver o resto da vida assim?
Em Casamento à prova de bebês, você vai conhecer histórias de pessoas que enfrentam dilemas parecidos com os seus.

E vai ajudá-lo a aproveitar a chegada dos filhos com alegria, cumplicidade e ainda mais amor.

Matéria sobre parto domiciliar feita pela Revista Veja

Resolvi divulgar esta matéria porque hoje em dia parto domiciliar está em alta e cada um tem uma opinião à respeito. Leiam, pois o próximo post vou colocar uma matéria com uma médica que é a favor do parto domiciliar para que vocês tirem suas próprias conclusões.
 
O parto domiciliar já foi a opção mais segura para as mulheres. Na Europa de até meados do século 19, somente as mães muito pobres tinham filhos nos hospitais, bem diferentes dos que conhecemos hoje. Os médicos de então não conheciam conceitos — nem a importância — de procedimentos como a assepsia e era comum que manipulassem enfermos graves, cadáveres e logo depois realizassem um parto. A roupa de cama não era sequer trocada. Nessas condições, os índices de mortalidade em geral e também dos recém-nascidos eram altíssimos. Esse tempo, porém, pertence a um passado distante. Depois da revolução pela qual a medicina passou no século 20, hospitais tornaram-se lugares mais seguros e indicados não só para tratamento de doentes, como para o nascimento de crianças. É regra que, dadas as condições, não faz mais sentido realizar um parto dentro casa, sujeito a problemas com consequências potencialmente desastrosas que poderiam ser resolvidas em um hospital. Regra, no entanto, que algumas mulheres moradoras de grandes centros urbanos, com todas as condições de usufruir desses avanços da medicina, questionam e ignoram. Essas mulheres defendem o parto à moda antiga, dentro de casa.
O que a grande maioria dos especialistas argumentam é que, hoje, quando há complicações, médicos neonatais e obstetras têm instrumentos e procedimentos à mão para garantir a boa saúde de mãe e filho. "Mesmo se o parto domiciliar começa e caminha bem, uma intercorrência pode acontecer a qualquer minuto, nunca há 100% de garantia. Se acontecer algo com o bebê no último segundo do parto, ele precisará ser socorrido rapidamente", diz José Fernando Maia Vinagre, corregedor e coordenador da Comissão de Parto Normal do Conselho Federal de Medicina (CFM). Todas essas vantagens desaparecem se mãe e filho estão em casa, e principalmente, longe de um hospital. Em casos de emergência, a distância da casa da parturiente ao hospital pode ser decisiva para a vida de ambos. "Como há riscos envolvidos, que costumam ser baixos, mas iminentes, o CFM não dá aval a essa prática", diz Vinagre.

No Brasil, o parto domiciliar não é recomendado pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), por causa do risco desnecessário à mulher e ao bebê. "Com toda a estrutura disponível, considero o parto em casa um retrocesso. A bandeira que precisa ser levantada é a da garantia de hospitais de ponta, cada vez mais preparados para atender à gestante", diz Vera Fonseca, da Comissão para o Parto Normal do CFM e secretária executiva adjunta da Febrasgo.
Publicada em novembro de 2004, a resolução nº 111 do Cremesp determina que o parto deve ser realizado em uma instituição hospitalar dotada de infraestrutura — o que naturalmente não costuma acontecer nos domicílios. Segundo Silvana Maria Figueiredo Morandini, obstetra conselheira do Cremesp, os médicos que desrespeitam a resolução do Conselho estão agindo de maneira antiética. "Assumir riscos alegando uma medicina humanizada é uma involução. A medicina bem feita vai da relação entre médico, gestante e equipe envolvida. E é desse relacionamento que se dá a humanização do parto", diz.
Dados mais recentes do Ministério da Saúde apontam que em 2009 foram feitos quase dois milhões de partos pela rede pública. Desses, 65% foram partos naturais e apenas pouco mais de 30.000 foram feitos em casa – planejados ou não. De acordo com Eduardo Souza, obstetra e coordenador científico de ginecologia e obstetrícia do Hospital São Luiz, o parto normal tem índices de complicação relativamente baixos. "As chances de complicar são de, em média, 1%. O problema é que uma vez que acontece uma complicação, mulher e criança estão expostas a riscos que podem ser graves", diz.
Riscos — Entre as complicações que podem ocorrer durante o parto normal, colocando a saúde da mulher em perigo, estão: retenção placentária, o que pode levar à hemorragia; ruptura uterina, que pode acontecer durante a gravidez ou logo em seguida ao parto; ruptura de colo; atonia uterina, quando o útero não se contrai de maneira regular, chegando a causar hemorragia; e laceração de partes frágeis do corpo, que podem levar a hematoma anal e na bexiga, por exemplo. Para o bebê, o risco principal é a falta de oxigenação, que pode causar problemas posteriores sérios como paralisia cerebral e outras complicações. Todas essas intercorrências podem ser contornadas a contento em hospitais e centros aparelhados, quando há a presença de profissionais capacitados.
Em um estudo publicado no American Journal of Obstetrics & Gynecology, conceituado periódico médico internacional, o obstetra Joseph Wax e equipe demonstraram que a taxa de mortalidade neonatal dos partos domiciliares é até três vezes maior que a dos realizados em hospitais. Em nota, o Colégio Americano de Ginecologia e Obstetrícia salienta os dados da pesquisa de Wax para reforçar sua posição em não recomendar o parto domiciliar – em função, mais uma vez, dos riscos.

"Assumir riscos alegando uma medicina humanizada é uma involução. A medicina bem feita vai da relação entre médico, gestante e equipe envolvida. E é desse relacionamento que se dá a humanização do parto"
Silvana Maria Figueiredo Morandini, obstetra conselheira do Cremesp

O parto domiciliar já foi a opção mais segura para as mulheres. Na Europa de até meados do século 19, somente as mães muito pobres tinham filhos nos hospitais, bem diferentes dos que conhecemos hoje. Os médicos de então não conheciam conceitos — nem a importância — de procedimentos como a assepsia e era comum que manipulassem enfermos graves, cadáveres e logo depois realizassem um parto. A roupa de cama não

Para as mulheres que decidem, ainda assim, dar à luz à moda antiga, o Colégio orienta: é necessário um pré-natal bem feito e com acompanhamento adequado, infraestrutura mínima, condições de transporte de urgência e preparo do profissional que vai acompanhar o parto, seja ele uma enfermeira ou um médico. No Brasil, a realização do parto normal pode também ser realizado por enfermeiros com especialização em obstetrícia, conforme previsto na lei nº 7498/1986 e regulamentado pela entidade de classe.
De acordo com Antônio Júlio de Sales Barbosa, obstetra do Hospital Santa Catarina, hoje já é possível que o parto seja feito de formas mais humanizadas dentro dos hospitais. Em alguns centros há salas preparadas especialmente para isso, com treinamento adequado da equipe e maior respeito às necessidades e vontades da gestante. "É ela quem escolhe a posição em que deseja dar à luz ou mesmo se quer ou não tomar anestesia no parto normal. Cada vez mais estamos nos preparando para que a mulher tenha voz ativa."

Hemorróidas é uma contra indicação para o parto normal?

Ainda existe esse mito de que gestantes com hemorróidas não podem passar pelo parto natural, isso claro, não é verdade.As hemorróidas ocorrem por causa dos vasos sanguíneos que ficam mais inchados na região anal, podem surgir antes, durante ou após o parto. Inclusive mulheres que nunca engravidaram podem sofrer deste problema, a verdade é que elas coçam e e doem, e incomodam muito. A prevenção é feita com exercícios e alimentação saudável, mas se elas já apareceram fique calma pois existe tratamento e não impede o parto natural.

Melhorar a alimentação com inclusão de fibras, ingerir bastante líquido e o uso de pomadas naturais ajudam e muito. Após o parto é necessário continuar com os cuidados. Entretanto, cuidar deste problemas após o parto fica mais fácil, pois outros medicamentos podem ser usados e sem inteferir na amamentação.Além disso é preciso evitar carregar muito peso e fazer muito esforço na região para não agravar, banhos de assentos também são uma boa opção. Vai aliviar a coceira e a dor.

http://hemroidshemorrhoids.com/hemorrhoid-information/2011/07/treating-pregnancy-induced-hemorrhoids-with-hemorrhoid-creams/

Tudo sobre o ultrassom, o exame mais popular da gestação

Muito além de matar a curiosidade de pais, avós e desvendar o sexo do bebê, o exame de ultrassom é fundamental para verificar o desenvolvimento e a saúde do feto. Mas prepare-se: a imagem que você verá é apresentada em 256 graduações de cinza, por isso não se sinta intimidada em perguntar o que é o que ao seu médico.

Os líquidos, como o saco gestacional e a placenta, aparecem em nuances escuras.O bebê apresenta-se em tons de cinza. Os tecidos mais densos, como os ossos, são identificados em branco. Entendeu?

Relaxe,o importante mesmo é o médico verificar, entre outros aspectos, a quantidade de líquido amniótico (entre 1 e 1,5 litro); peso, altura e movimentação do bebê (crianças em sofrimento fetal ficam mais quietas); os batimentos cardíacos e a respiração (mais evidentes a partir do terceiro trimestre). É claro que,mesmo nesse aglomerado de cinzas,você perceberá a cabecinha, os braços e as pernas — e também descobrirá o sexo do seu bebê.

Para quem não agüenta aguardar os nove meses para saber a fisionomia do filho, o ultrassom tridimensional oferece essa viagem maravilhosa.O exame é indicado, principalmente, quando há casos de malformações na família, como lábio leporino.


1. Pernas e pés
Além de conferir todos os ossos, o exame mede o comprimento para avaliar se a proporção está de acordo com o resto do corpo

2. Genitália O sexo do bebê pode ser visto a partir da 20ª semana. Mesmo que os pais não queiram saber qual é, os órgãos são analisados no exame. A margem de erro na descoberta do sexo não chega a 1%

3. Cordão umbilical
O ultra-som, aliado à tecnologia doppler (que avalia a vascularização do bebê), observa se a quantidade de sangue que circula na placenta e no cordão umbilical é suficiente, além do número de veias e artérias que irrigam a região

4. Braços e mãos Examinam-se o número e o tamanho dos ossos, assim como a quantidade de dedos. É comum surpreender o bebê com as mãos na boca, chupando o dedo

5. Placenta e saco gestacional
De conteúdo líquido, são facilmente visualizados no exame.Quando a placenta fica na região mais baixa do útero (placenta prévia), deve ser monitorada e, possivelmente, indicará uma cesariana

6. Cabeça e face A distância entre os olhos, a medida da cabeça e a implantação das orelhas são analisadas. Fora do padrão, podem indicar malformação, como síndrome de Down. O ultrassom também verifica a formação dos lábios

7. Estômago
A presença de líquido no estômago facilita a visualização do órgão. É também um sinal de que ele já está funcionando. Assim como ocorre com os rins e a bexiga

8. Coluna vertebral Ela deve ser observada em todas as porções (cervical, torácica e lombar), se a posição do bebê for favorável

9. Coração
Os batimentos cardíacos podem ser ouvidos logo nas primeiras semanas de gestação.Cerca de 80% das síndromes cromossômicas apresentam alterações cardíacas

Espere seu bebê querer nascer

Anatoli/Shutterstock
Sim! Alguns dias fazem muita diferença na vida do bebê. É claro que existem exceções quando a gestação passa das 39 semanas ou, então, quando há realmente um motivo médico para que uma cesárea seja feita. No entanto, o aumento exponencial do número de cesáreas eletivas (aquelas realizadas sem nenhuma necessidade), tendo como consequência bebês com problemas, tem engatilhado uma série de alertas dos médicos sobre essa irresponsabilidade – no Brasil e no exterior.

Nos Estados Unidos, segundo noticiou a Time, hospitais na Georgia, Flórida e Ohio vêm discutindo sobre o parto cirúrgico feito antes de 39 semanas. No Texas, por exemplo, para limitar os partos antes dessa época, uma legislação começou a entrar em vigor no dia 1o deste mês.
Mas será que esse é mesmo o melhor caminho?
Para Alexandre Pupo Nogueira, ginecologista e obstetra do Hospital Sírio-Libanês (SP), esse tipo de lei significa um descrédito total da medicina. “Não deveria ter uma norma, e sim moral de todos os médicos. É ensinado em qualquer faculdade de medicina os aspectos fisiológicos do bebê na gravidez (e os riscos de ele nascer fora da hora). Então qualquer cesárea agendada sem razão e que resulte em alguma situação com o bebê é passível de processo”, diz. E reforça: “O que acontece é que, na maioria das vezes, por conveniência de algumas mães e médicos sempre há uma justificativa, mesmo que errada.”

Segundo Eduardo Zlotnik, ginecologista e obstetra do Hospital Albert Einstein (SP), apesar do viés desse tipo de ação dos hospitais americanos ser mais no sentido de proteção e responsabilidade legal, a consequência é boa para o bebê. “Criou-se uma cultura de que o bebê está pronto com 37 semanas, porque para fins de trabalhos científicos não consideramos prematuro a partir dessa época. Só que o momento ideal de ele nascer é quando a mulher entra em trabalho de parto, nunca antes disso”, reforça Alexandre.
Tem que esperar, sim!
Logo na primeira consulta com o obstetra, você fica sabendo em qual provável semana seu bebê vai nascer, certo? E aí já começa a planejar o enxoval, a calcular de que signo ele vai ser, ver se o aniversário dele será perto de algum feriado... Até aí, tudo bem. O problema é que muitas mulheres acabam usando essa estimativa para agendar a data do parto e fazer a chamada cesárea eletiva. Com medo do parto normal, por falta de orientação profissional ou até mesmo por comodidade, a data do nascimento, muitas vezes, acaba sendo decidida previamente. E, se por um lado isso ajuda a família a organizar a chegada do bebê, por outro, a data fixa pode levar ao parto antes do tempo ideal porque não se pode descartar um possível erro no cálculo gestacional.
“É importante esperar que a mulher entre em trabalho de parto pois isso indica a maturidade do bebê e evita maiores complicações tanto para a mãe quanto para a criança”, afirma Wladimir Taborda, doutor em medicina pela Universidade Federal de São Paulo, colunista da CRESCER e autor de A Bíblia da Gravidez (CMS Editora). Se o parto for antes da hora, a criança pode desenvolver problemas respiratórios e, até mesmo, ter de passar alguns dias em uma UTI neonatal para compensar o período em que deveria ter ficado no útero.
Uma recente pesquisa mostra consequências ainda mais graves. Conduzido por cientistas da March of Dimes Foundation, organização não governamental norte-americana que encabeça diversas campanhas contra o nascimento prematuro nos Estados Unidos, o estudo analisou 46 milhões de partos. Os pesquisadores concluíram que o risco de morte é maior para os que nascem antes da 39ª semana em comparação com aqueles que chegam até o final da gestação. A taxa de mortalidade infantil foi de 3,9 para cada mil bebês nascidos vivos a partir da 37ª semana, e de 1,9 para na 40ª semana. Como você viu, mesmo que ele não seja prematuro (ou seja, nasça antes da 37ª semana), não significa que esteja pronto. E, como a cesárea é uma cirurgia, a mãe também corre riscos, como infecção, laceração acidental de algum órgão abdominal, trombose, embolia pulmonar ou hemorragia.
Ninguém está dizendo para se deixar de fazer cesáreas. Esse é um procedimento que salva vidas mas, segundo especialistas, só deve acontecer raramente (veja o quadro) . Em casos de diabetes gestacional ou problemas de pressão arterial, o médico também precisa avaliar. Caso vocês cheguem à conclusão que a cesárea é mesmo necessária, espere pelo menos o seu bebê indicar que quer nascer. O ideal é aguardar pelas contrações (que podem acontecer até a 42ª semana), sempre com acompanhamento do obstetra.
Quando a mulher entra em trabalho de parto, o bebê passa por uma preparação para nascer que começa com as contrações uterinas. Elas funcionam como um alerta para a criança, que passa a liberar substâncias para o amadurecimento final do próprio organismo, como o hormônio corticoide, que age no pulmão – se você estiver em trabalho de parto e for preciso uma cesárea de emergência, a criança já vai estar com o organismo mais pronto. Além disso, o seu corpo também estará mais preparado para amamentar graças a hormônios liberados no trabalho de parto. A segunda etapa ocorre no parto. Quando o bebê passa pelo canal vaginal, os pulmões dele sofrem uma compressão que ajuda a eliminar líquidos e fluídos que possam causar algum desconforto respiratório posterior. É por tudo isso que não vale a pena agendar uma cesárea.
Se você ficou aflita porque agendou o parto do seu bebê ou se estava pensando nessa possibilidade, tente manter a calma: você ainda tem tempo. A primeira atitude é conversar com seu companheiro e com o médico que acompanha você. Diga que deseja esperar pelo trabalho de parto. Como você viu, desde que suas condições de saúde e do bebê estejam normais, não há motivo para desistir. E aproveite para discutir com ele sobre o tipo de parto. Se você não ficar convencida que ele vai tentar o parto normal, veja se não é o caso de procurar a opinião de outro especialista ou até trocar de médico. “Bons profissionais estimulam uma segunda opinião e, inclusive, essa pode ser uma prática saudável para ajudar a diminuir a incidência de cesáreas eletivas no país”, afirma Taborda.
Fonte: Revista Crescer



A CESÁREA É INDICADA QUANDO...
• Há sofrimento fetal ou o bebê tem problemas de crescimento.
• Há placenta prévia (quando essa se interpõe entre o bebê e o colo do útero) ou deslocamento prematuro de placenta.
• Existe uma obstrução vaginal (tumor).
• A mãe tem herpes genital e a lesão está ativa até um mês antes do parto.
• Em casos de gestações múltiplas (não é regra).
• A abertura da mãe for pequena para o tamanho do bebê.
• A criança está na posição atravessada ou deitada e não foi possível virá-la para a correta.

Você quer ter outro bebê logo?

Se você está no fim da gravidez ou seu filho acabou de nascer e ter outro não está nos seus planos tão cedo, é hora de pensar no uso de contraceptivos no pós-parto - e um novo guia para quem optar por anticoncepcionais foi divulgado nos Estados Unidos. Segundo a nova recomendação, quem não tem problema de saúde pode começar a usar a medicação feita apenas à base de progesterona (esse tipo não interfere na amamentação) a partir do 21o dia do parto. Aquelas que têm risco para tromboembolismo (mais chances de ter trombose), ou seja, que já tiveram o problema, têm casos na família, têm mais de 35 anos, são cardiopatas ou hipertensas, sugere-se começar 42 dias após o parto. No Brasil, a recomendação passa a ser a mesma, mas muitas vezes a mulher começa o uso só 40 dias depois, que coincide com a segunda consulta com o obstetra.
Fonte: Fabiane Sabbag Correa, ginecologista e obstetra do Hospital São Luiz (SP)

Bebês bilíngues têm mais facilidade para aprender línguas do que as demais crianças, diz pesquisa

Um estudo realizado com bebês pelo Instituto de Ciências do Cérebro e Aprendizagem da Universidade de Washington (EUA) mostrou que aqueles que tiveram contato com dois idiomas precocemente tinham mais capacidade de aprendizagem linguística em comparação com as demais crianças. Segundo a pesquisa, a partir do primeiro ano de vida, os bebês passam a ter menos facilidade para aprenderem outro idioma. Já os que crescem em um meio bilíngue tem esse tempo de facilidade aumentado.

Para Paulo Breinis, neuropediatra do Hospital Infantil Sabará (SP), a ciência ainda não sabe com precisão de que forma o fato de ser bilíngüe atua no aprendizado da linguagem, mas é sabido que uma criança que aprende dois idiomas desde cedo tem uma capacidade maior para aprender línguas no geral, além de guardar para o resto da vida os ensinamentos. Segundo Patricia Kuhl, coautora do estudo "o cérebro bilíngue é fascinante, já que reflete as capacidades dos seres humanos para o pensamento flexível. As crianças bilíngues aprendem que os objetos e eventos no mundo têm dois nomes”.

Outro ponto interessante, salienta Breinis, é que uma criança que sabe duas línguas, mesmo que passe por um período sem contato com o segundo idioma, voltará rapidamente a falar se estimulada. “A criança guarda esse aprendizado na memória de armazenamento, que é onde ficam os saberes antigos. E a qualquer momento ela pode acessar esse conhecimento”, explica o neuropediatra.

Já com relação à alfabetização bilíngue, é preciso um pouco de ponderação. “Nem sempre funciona para todas crianças da mesma maneira”, diz Antonio Carlos de Farias, neurologista infantil do Hospital Pequeno Príncipe (PR). Segundo o especialista, a exposição precoce de bebês à língua falada só traz benefícios, como atestou a pesquisa norte-americana, porém a linguagem simbólica (leitura e escrita) requer mais cuidado. “Ser alfabetizado em mais de uma língua ao mesmo tempo requer uma maturidade cerebral que algumas crianças não têm – o que gera uma dificuldade de aprendizado, em temas como ortografia e interpretação.” Por isso, incentivar desde cedo o domínio de uma outra língua, por meio da oralidade, é até válido, mas é preciso atenção na hora de matricular o seu filho em escolas bilíngues.
Fonte: Revista Crescer

Anvisa muda regras para fabricação de fórmulas infantis

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) mudou algumas regras para a fabricação de fórmulas infantis – que engloba alimentos, em pó ou líquidos, feitos à base de leite de vaca, de outros animais ou de soja, e que sejam recomendados para crianças de 0 a 3 anos. Segundo Antônia Maria de Aquino, gerente geral de alimentos da agência, a resolução antiga, de 1988, recebeu algumas atualizações, uma situação normal quando se trata de normas para produtos. Ou seja, não quer dizer que o leite que o seu filho tomou até agora seja ruim. Fique tranquila!

A principal atualização se refere à quantidade mínima e máxima de vitaminas e minerais. A fixação desses valores tem como objetivo garantir o pleno crescimento e desenvolvimento das crianças. “Quando a mãe de um bebê não pode amamentar, e ele tem que tomar uma fórmula de maneira exclusiva por seis meses, é preciso que esse alimento contenha nutrientes o mais próximo possível do leite materno”, explica Antônia Maria.

Outra mudança importante é nos rótulos de fórmulas feitas para crianças com necessidades nutricionais específicas. Em vez de indicar para qual doença o alimento é recomendado, o fabricante terá que mostrar a característica do alimento. Ou seja, não vale mais colocar “produto para crianças com intolerância à lactose”. O correto é “produto sem lactose”. “Isso vai de acordo com uma norma que já se aplica a outros produtos: os alimentos nunca devem ser associados com doenças. A informação precisa ser a mais clara possível”, afirma a gerente.

As atualizações baseiam-se em referências alimentares internacionais, especialmente no Codex Alimentarius, programa da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação e da Organização Mundial de Saúde (FAO/ONU). Os fabricantes têm 18 meses para se adequar às novas regras.

Fonte: Revista Crescer

sábado, 24 de setembro de 2011

Crie filhos em vez de herdeiros...

"Crie filhos em vez de herdeiros."
"Dinheiro só chama dinheiro, não chama para um cineminha, nem para tomar um sorvete."
"Não deixe que o trabalho sobre sua mesa tampe a vista da janela."
"Não é justo fazer declarações anuais ao Fisco e nenhuma para quem você ama."
"Para cada almoço de negócios, faça um jantar à luz de velas."
"Por que as semanas demoram tanto e os anos passam tão rapidinho?"
"Quantas reuniões foram mesmo esta semana? Reúna os amigos."
"Trabalhe, trabalhe, trabalhe. Mas não se esqueça, vírgulas significam pausas..."
"...e quem sabe assim você seja promovido a melhor ( amigo / pai / mãe / filho / filha / namorada / namorado / marido / esposa / irmão / irmã.. etc.) do mundo!"
"Você pode dar uma festa sem dinheiro. Mas não sem amigos."


E para terminar:


"Não eduque seu filho para ser rico, eduque-o para ser feliz. Assim, ele saberá o valor das coisas e não o seu preço."


fonte:
Outdoor do Citibank espalhado pelas ruas de São Paulo.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Dicas simples facilitam a amamentação

Rachaduras no bico do seio e inchaço podem ser evitados com a postura certa do bebê e cuidados na mama
A amamentação é um momento de interação entre mãe e filho, além de trazer vários benefícios à saúde de ambos. A mulher deve tomar alguns cuidados para que esse ato não gere dor e desconforto. As principais queixas são: bico do seio rachado e sensível, o que causa inflamações e dificulta o aleitamento.
 
  A empresária Vivianne Oliveira conta que quase desistiu de amamentar o filho. /Eu tive muita dor ao amamentar. A lágrima realmente caia, mas eu sabia que era essencial para ele, principalmente naqueles primeiros meses de vida/, declara. Assim como Vivianne, muitas mulheres se queixam de dor durante a primeira fase da amamentação.
Segundo o coordenador de Saúde da Criança do Ministério da Saúde, Paulo Bonilha, o contato entre mãe e bebê não é doloroso. O desconforto costuma ser causado porque a boca da criança está mal encaixada no peito da mãe. Ele orienta que ao sentir dor a mulher tire o bebê com cuido e o coloque de novo para mamar.
Para saber se bebê está “pegando” o peito direito, a mãe deve observar se a boca está bem aberta (boca de peixinho) e se o mamilo e a maior parte da auréola estão abocanhados. “Do ponto de vista prático, se está sobrando muita área escura para fora da boca do neném, é porque a pega está inadequada/, explica.
O aleitamento materno é interrompido principalmente por causa dos ferimentos nos seios durante a amamentação. É o que mostra uma pesquisa da Organização Mundial da Saúde e do Unicef, realizada em 2009. De acordo com o levantamento, 43% das mães param de amamentar antes que a criança complete três meses de vida. A pesquisa revela que 58% das mulheres em fase de amamentação apresentam algum tipo de trauma nos mamilos. Os machucados mais comuns são rachaduras no bico dos seios.
DICAS - A mãe pode ficar deitada, sentada ou em pé. O importante é que ela e o bebê estejam confortáveis. O corpo do filho deve estar inteiramente de frente, ou seja, a barriga voltada para o corpo da mãe, com a cabeça e a coluna em linha reta, no mesmo eixo. A boca fica reta para o bico do peito. A mulher apoia com o braço e mão o corpo e o “bumbum” do bebê.
O momento requer calma, para não apressar o bebê. Quando o peito estiver muito cheio, antes de amamentar, a mãe deve fazer uma ordenha manual para amaciar a aréola. Com os dedos indicador e polegar, espremem-se as regiões acima e abaixo do limite da aréola para retirar algumas gotas de leite e amaciar o bico.
Uma boa dica é encostar o bico do peito na boca do bebê, para ele virar a cabeça, o chamado reflexo da busca. Ele sozinho sabe como fazer isto. O filho é levado ao peito e não o contrário. Outra importante sugestão é segurar o peito com o polegar acima da aréola e o indicador e a palma da mão abaixo. Isto facilita a “pega” adequada. O bebê abocanhando a maior parte da aréola suga mais leite e evita rachaduras. A mãe deve ouvir o ritmo cadenciado de sucção, deglutição e pausa.
Como saber que a “pega” está adequada:
  • Boca bem aberta;
  • Lábios virados para fora;
  • Queixo tocando o peito da mãe;
  • Aréola mais visível na parte superior que na inferior;
  • Bochecha redonda (“cheia”);
  • A língua do bebê deve envolver o bico do peito.
  •  
    Fonte: jornaldiadia.com.br

SAIBA COMO USAR O COPINHO NO ALEITAMENTO

Saiba como usar o copinho na alimentação de bebês em Aleitamento Materno:
O leite materno é o melhor alimento para o bebê, é completo, contém tudo que ele precisa para crescer com saúde e se defender de várias doenças como as diarréias, as infecções respiratórias como gripes e pneumonias, diminui o custo da família, já que é de graça e não requer material para ser preparado, sendo também muito prático para ser utilizado.

O aleitamento ao seio é importante para fortalecer o vínculo entre a mãe e o seu filho, despertando o sentimento de amor entre os dois. Com a amamentação o bebê se desenvolve intelectualmente e emocionalmente através do prazer e da convivência com a mãe. Algumas situações podem aparecer dificultando este contato, a mãe que precisa se ausentar e não pode levar seu filho junto, por exemplo, quando tem que ser internada por problema de saúde, quando vai trabalhar fora ou estudar, enfim, situações que provocam um afastamento do bebê.

O uso de mamadeiras e chucas confundem o bebê porque a forma de sugar ao seio é completamente diferente da forma como se suga os bicos artificiais correndo-se grande risco de desmame, ou seja, do bebê recusar o seio, porém, muitas vezes podemos oferecer este alimento precioso através de utensílios que manterão o aleitamento materno.

Para situações em que a mãe vai se afastar podemos utilizar copinhos, tais como xícara de cafezinho, os de aguardente, enfim, qualquer copinho ou xícara que não tenham nenhuma saliência em seu rebordo e que possam ser lavados e fervidos.

* Para realizar tal tarefa recomendamos os seguintes passos:

1- Despertar o bebê, massagear os pés e a face. Não deixar que o bebê esteja agitado de fome ou outro desconforto, pois dificulta a manobra;

2- Acomodar o bebê na posição sentada ou semi-sentada em seu colo, sendo que a cabeça forme um ângulo de 90º com o pescoço;

3- Encostar a borda do copo no lábio inferior do bebê e deixar o leite materno tocar o lábio;

4- O bebê fará movimentos de lambida do leite seguidos de deglutição;

5- Não despejar o leite na boca do bebê. O uso do copinho é um excelente método de alimentar o bebê com o leite materno, quando a mãe não pode oferecer o seu leite no próprio seio. Favorece o contato do bebê com o seu cuidador.

Quando mãe e filho estiverem novamente juntos ele manterá o aleitamento ao seio.

O recomendado pela OMS/UNICEF, Ministério da Saúde e Sociedade Brasileira de Pediatria é que o aleitamento seja exclusivo até o sexto mês e complementado até dois anos ou mais. Portanto o ideal é que seu bebê receba seu leite (leite materno) ordenhado e oferecido no copinho. Apesar da técnica estar descrita acima, sugiro que procure por um profissional do aleitamento materno (AM) para treinamento. Geralmente estes profissionais treinados em AM (pediatra, enfermeira, psicóloga, etc) são encontrados em bancos de leite humano.

Dr Luciano B. Santiago - presidente do comitê de AM da SMP.
Fonte: Grupo Mamabanco de leite

Informar só não basta!

Este texto é do blog mamíferas. Acho que vai ajudar a refletir um pouco...

Outro dia, uma conhecida me pediu um artigo científico para convencer uma mãe a desistir de uma cesárea eletiva. Disse a ela que nenhuma informação poderia convencer ninguém de nada, que ela já havia decidido o rumo desta gestação.
É bem verdade que a imprensa tradicional é bem tendenciosa em relação à cesárea. Por que ela é realmente mais segura? Por que somos loucas que tentamos a qualquer preço um exercício biológico do corpo em um parto natural?
Não. A resposta é porque a mídia é patrocinada por órgãos, por laboratórios que se beneficiam com as cesáreas eletivas. Laboratórios, empresas ligadas a área médica também financiam a pesquisa de novos equipamentos e fármacos eficientes para alivio da dor, fios para cicatrização etc. E profissionais são convidados para congressos cheios de mimos para conhecerem os benefícios destas descobertas. Como abrir mão de tudo isso, deixando no armário a possibilidade de “fazer um parto”, para ser apenas coadjuvante de um nascimento?
De certa forma o protagonismo médico é confortável. Não exige grandes mudanças, revoluções, questionamentos. Basta ir a todas as consultas de pré natal, vibrar com os ultrassons, achar o médico o máximo por ter o equipamento no consultório, seguir suas orientações. No lugar do parto apenas uma cirurgia que trará seus filhos para seus braços, passivamente. Que importa se feita com 37 semanas? O médico com seus aparelhos mágicos sabe a hora que o bebê está pronto. Afinal, me ensinaram a ser uma menina comportada: não fazer perguntas indiscretas e principalmente, respeitar o médico (ou o pai ou Deus).
E existe conforto em tudo isso: muitas pessoas fizeram esse mesmo caminho. Para que procurar um médico fora do plano de saúde? Para que abrir mão dos benefícios de uma anestesia ou mesmo da cirurgia?
Não adianta: sementes só nascem em solos férteis. O que fertiliza esse solo? A vida, as experiências anteriores deste ser humano.
Muito se fala de empoderamento. O que é essa palavra? Assumir o protagonismo das próprias escolhas. A maternidade é um momento em que esse chamado se torna mais claro. Afinal é no momento que nos tornamos mãe que deixamos a história da filha para trás para escrever nosso capítulo como força feminina criadora daquela nova família.
O empoderamento se dá muito antes, quando decidimos não seguir a religião dos nossos pais, quando escolhemos a faculdade que é nossa vocação e não a tradição da família, quando adotamos a homeopatia no lugar da alopatia, quando resolvemos viajar sozinha pelo mundo.
O protagonismo é a capacidade de fazer escolhas baseadas, não no medo de não conseguir, não na crença de modelos estabelecidos e difundidos pela mídia, mas pela nossa capacidade de pensar e agir de acordo com nossas crnças.
Não adianta com artigo convencer uma mãe que ela deve ter um parto. Ela ainda está na tutela do médico, da família, da mídia que a faz acreditar que ela escolheu, quando de fato ela se trata de um marionete na mão de poderosos títeres.
Cortar os fios não é fácil. Ser títere da própria vida é solitário e pioneiro. Existem poucas referências por perto. Sair da matrix é difícil em todos os sentidos. Nunca olharemos para uma tinta de cabelo com a mesma inconsciência, nem uma vitamina artificial como inofensiva. Empoderar-se é entender como as coisas funcionam. Não adianta um texto, uma palestra para mostrar que suas escolhas estão inadequadas.
Empoderamento ou você tem ou você não tem. E não quer dizer que a mulher que teve uma cesárea não é empoderada. Conheço muitas mulheres que assumiram o poder interior e vivenciaram uma cirurgia. E um monte de mulheres que nunca assumiram o protagonismo da própria vida que tiveram partos naturais na água.
O empoderamento está na vida, em cada atitude desta mulher. Esse poder pode ser forte, como um tufão, ou sereno e leve como uma brisa. E não por acaso, essas mulheres se aglomeram em diversidade para lançar sementes para que outras mulheres, em seus solos já férteis, gestem o poder interior e cortem os fios e assumam o controle de suas próprias escolhas.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Olha que legal!! Fui entrevistada pela Carol do blog papo de pae

Entre no link e saiba mais sobre meu trabalho,além de conhecer esse lindo blog!

http://papodepae.blogspot.com/2011/09/importancia-da-doula-e-entrevista-com.html

Anvisa proíbe a comercialização de mamadeiras com bisfenol A no Brasil

Mamadeiras que contenham bisfenol A não poderão mais ser fabricadas e comercializadas no Brasil. As empresas terão 90 dias, a partir da publicação no Diário Oficial da União, para paralisar a fabricação e até o dia 31 de dezembro de 2011 para vender os produtos que estão estocados.

Essa determinação foi baseada em estudos recentes que indicam que o BPA, substância presente no policarbonato e material mais utilizado na fabricação de mamadeiras, oferece diversos riscos à saúde. Crianças de 0 a 12 meses são as maiores vítimas potenciais, porque, no primeiro ano de vida, o organismo delas ainda não é capaz de eliminar a substância.

E são as crianças que ficam mais expostas a ela do que os adultos. “O aumento do calor facilita a liberação do BPA. Ou seja, quando a mamadeira é aquecida ou quando colocamos algo quente dentro delas, a substância é liberada em maior quantidade”, diz Adriana Pimentel, doutora em química e professora da Universidade Pequeno Príncipe (PR). Além disso, a estrutura química dessa substância, quando ingerida, se assemelha ao estrógeno, hormônio feminino, o que é prejudicial. “A fase da puberdade pode ser adiantada por esse tipo de substância”, acrescenta Adriana.

Enquanto o mercado brasileiro não se adequa à determinação, você tem como opções as mamadeiras de vidro ou de polipropileno. Hoje em dia, muitas marcas oferecem produtos com BPA free. Então fique atenta ao escolher a mamadeira de seu filho. Se a informação não estiver destacada na embalagem, leia a composição do produto.

Embora ainda não existam resultados conclusivos a respeito dos riscos oferecidos pelo BPA, diversos países já proibiram seu uso, entre eles Canadá, Costa Rica, alguns estados americanos e toda a União Europeia. “Os estudos com seres humanos não são conclusivos, mas já sabemos que ele pode fazer mal, então essa é uma precaução válida”, afirma Adriana. De acordo com a Anvisa, os países do Mercosul devem adotar a mesma medida em breve.

Fonte: Revista Crescer