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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Um terço das grávidas atendidas na rede pública sofre de depressão ou ansiedade

Um terço das gestantes atendidas na rede pública de saúde sofre com sintomas de ansiedade e depressão. É o que mostra estudo realizado na Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) e publicado no “Journal of Psychosomatic Obstetrics & Gynecology”. Apesar da necessidade de tratar o problema, no entanto, o trabalho sugere que ele não interfere no peso da criança ao nascer ou na ocorrência de partos prematuros, ao contrário do que outros pesquisadores já sugeriram.O estudo contou com 831 gestantes com uma idade média de 25 anos. A prevalência de transtornos mentais como ansiedade e depressão foi de 33%. Entre as mulheres que apresentavam os sintomas, apenas 7,6% dos bebês nasceram com baixo peso (menos de 2,5 Kg) e 6,9% tiveram parto prematuro (antes da 37ª semana), valores não muito diferentes dos encontrados entre as grávidas sem o problema.

O coordenador do estudo, o ginecologista Alexandre Faisal, blogueiro do UOL, explica que a relação esse tipo de transtorno na gravidez e complicações no parto ou baixo peso ao nascer é controversa: alguns estudos indicam que há interferência, enquanto outros dizem que não. “Uma revisão recente de diversos estudos defende a associação, mas ao mesmo tempo diz que ela é modesta e que depende de contextos socioeconômicos (ou seja, do grau de desenvolvimento da população estudada)”, diz.
Os fatores que mais predispõem a gestante a sintomas ansiosos e depressivos são baixo nível socioeconômico, conflitos conjugais, falta de suporte social, histórico pessoal e familiar de depressão ou outro problema psiquiátrico e ausência de planejamento da gravidez.

Ainda que o problema não interfira tanto na saúde do bebê ao nascer, Faisal alerta que deixar de tratá-lo na gravidez pode trazer consequências para a criança no futuro. Gestantes deprimidas ou ansiosas têm maior risco de sofrer depressão pós-parto, o que prejudica o desempenho da mãe em um momento crítico do bebê. “Estudos que acompanharam o desenvolvimento psicossocial e motor dos filhos de mães deprimidas mostram uma série de complicações, como pior performance em testes, prejuízo nos relacionamentos sociais, comportamento antissocial, isolamento e tendência a depressão”, relata.

O tratamento da depressão durante a gravidez pode envolver o uso de medicamentos, mas de forma criteriosa. O ginecologista afirma que existem trabalhos associando alguns tipos de antidepressivos a malformações fetais, por isso os médicos costumam avaliar muito bem o custo-benefício da terapia, além de evitar a prescrição no primeiro trimestre de gestação e tentar sempre a menor dose possível. Já para casos leves ou moderados, a primeira opção pode ser a psicoterapia, que gera melhora dos sintomas em 60% das vezes.

Fonte: Do UOL Ciência e Saúde

Em São Paulo

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