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segunda-feira, 5 de julho de 2010

A dor do parto é o problema?

Este reflexivo texto é de uma colega de profissão chamada Renata Olah.

Você diz que o grande problema do PN é a dor, certo?

Uma dor que não é contínua (e sim cíclica, que vem em ondas, começa devagar, atinge um ápice e depois diminui desaparecendo até o próximo ciclo).

Uma dor que tem hora para começar e hora para acabar.

Uma dor que existe justamente para você saber que algo natural, normal e bonito está acontecendo com você e seu corpo (ou seja, não é uma dor "ruim", dor de doença, de patologia, que você não sabe quando irá acabar)

Uma dor que além de trazer consigo um bebê, te traz também muitas reflexões sobre o passado, presente e futuro. Uma dor que te faz crescer e nascer junto com seu bebê.

Uma dor forte, intensa sim.... como um grande abraço de despedida que seu corpo dá ao seu bebê, afinal depois de 9 meses juntos eles irão se separar para sempre.... e uma separação tão intensa como essa, realmente merece muitos abraços apertados.

Uma dor que te prepara para todo seu futuro, pois superando-a a sensação que fica é a de missão cumprida, de orgulho, de força, de bater no peito e dizer "pqp, eu sou foda mesmo!".... rs.... e acredite, depois disso a mulherada tem a sensação que elas podem tudooo!

Será que essa dor é tão ruim assim?????

Será que é preferível abdicar dessa dor natural para ter uma dor pós-operatória? Uma dor de tecido cortado, mutilado, costurado? Uma dor controlada com analgésicos (que passam para o leite!)? Uma dor que te faz ficar com gases, com medo de tossir, de andar, de erguer o corpo e que muitas vezes, dificulta os cuidados com seu próprio bebê? Uma dor que você não sabe quando vai acabar? E que pode vir acompanhada de várias outras coisinhas como infecção, ponto que abre, etc?

Será que é medo da dor ou medo de si mesma? Medo de seus instintos que você não conhece? Medo do comportamento que vai ter? Medo de gritar, de gemer, de estressar? Medo das dores emocionais que vai causar? Medo do que vão pensar? Ou é medo de falhar?

E porque tanto medo? Porque se importar tanto? Parto não é um momento de se conter, de se fechar e sim de abrir, de gemer, de gritar, de ser você mesma pura e simplesmente. Só você. E não há nenhum mal nisso!!!!

Sabe, minha intenção não é ser xiita, radical, pensar só em PN e blá blá blá..... E sim tentar fazer as mulheres olharem a situação sob outro ponto de vista!!

Nós oferecemos nosso corpo, nossa gestação, nosso parto, nosso filho para a Medicina. Não seria ela que teria que se oferecer para gente? Porque não confiamos mais em nós mesmas, em nosso corpo e nos processos fisiológicos que nos regem há milhares de anos? Porque preferimos aceitar as tecnologias que tentam simular a ação de Deus, que tentam consertar processos que não necessitam de consertos? E porque valorizamos tanto essas tecnologias?

Parir é um processo fisiológico! Como respirar, comer, andar, fazer cocô, fazer sexo............ porque não deixamos os outros interferirem nesses processos, mas deixamos que interfiram no nosso parir?

É realmente algo que temos que pensar!

A dor existe. É fato. Então, deixe ela vir. Consinta e sinta. Se abra. Relaxe! E deixe a natureza agir!!!!



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