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quinta-feira, 22 de abril de 2010

Saiba como é feito o teste do pezinho


Um dos primeiros exames que seu filho vai fazer logo depois de nascer é o teste do pezinho, uma triagem do neonatal. Mas você sabe por que ele é indispensável? CRESCER acompanhou um teste em uma maternidade e como é feita a análise do exame na Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), que avalia metade dos testes realizados no estado de São Paulo.

O teste básico é obrigatório e gratuito no Brasil. Ele engloba quatro doenças (veja quadro): fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, anemia falciforme e outras hemoglobinopatias e fibrose cística. Na rede privada, a maioria das maternidades oferece o teste do pezinho ampliado, (chamado de master ou plus), que pode contemplar mais de 30 doenças, como galactosemia e toxoplasmose congênita. Em algumas delas o exame é gratuito, em outras, chega a custar mais de R$ 470.

Ele deve ser feito até 48 horas depois do nascimento, desde que o bebê tenha mamado. "É o tempo necessário para ativar o metabolismo. Alguns diagnósticos dependem da ingestão do leite", afirma João Fázio, neonatologista do Hospital Santa Catarina (SP). O resultado é entregue em até 20 dias. Se algum problema é detectado, repete-se o teste. Essa convocação não significa necessariamente que a criança tenha alguma doença. De qualquer maneira, quando o problema é descoberto precocemente, são maiores as chances de evitar complicações e sequelas.

Não é só no pezinho...

Esse teste á uma coleta de sangue, por isso pode ser feita em outras partes do corpo, como no braço. O exame ganhou este nome porque, nos primeiros programas de triagem neonatal, a coleta era feita na parte lateral do pé do bebê, que é mais irrigada e dói menos.

Leite materno
Bebês amamentados durante o teste do pezinho sentem menos dor. A constatação é da enfermeira Adriana Moraes Leite, do Hospital das Clínicas, que comparou o comportamento de 60 recém-nascidos. Durante a fase da coleta, apenas 45,2% dos bebês amamentados choraram, contra 100%. Além disso, a amamentação ajudou a normalizar a frequência cardíaca dos pequenos.

Você sabia?

Em alguns países, a incidência de determinadas doenças é maior que em outras. Por isso, os testes de rotina variam. Na França, por exemplo, há muitos casos de toxoplasmose. Em Israel, analiza-se a atividade de fosfato 6 desidrogenase, uma enzima que protege as hemácias de se desmancharem mais cedo do que deveriam. No Brasil, não há estudos sobre a incidência.


As doenças

Fenilcetonúria (PKU)

Causada pela deficiência no metabolismo do aminoácido fenilalanina. O acúmulo no organismo pode causar deficiência mental.

Freqüência: 1 para cada 15 mil nascidos vivos


Hipotireoidismo Congênito (TSH T4)

Causada insuficiência do hormônio da tireóide. A falta de tiroxina pode causar retardo mental e comprometimento do desenvolvimento físico

Freqüência: 1 para cada 4 mil nascidos vivos


Anemia Falciforme e outras hemoglobinopatias

Alteração da hemoglobina que dificulta a circulação, podendo afetar quase todos os órgãos. Pode causar anemia, atraso no crescimento e dores e infecções generalizadas. É incurável.

Freqüência: 1 para cada 400/1000 nascidos vivos

Fibrose Cística (IRT)

Ocorre aumento da viscosidades das secreções, propiciando as infecções respiratórias e gastrointestinais. Ataca pulmões e pâncreas. É incurável.

Freqüência: 1 para cada 2.500 (brancos)/17.000 (negros)/90.000 (amarelos)


*Fonte APAE SP

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