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quinta-feira, 22 de abril de 2010

Parto com fórceps

Atualmente observamos um importante movimento de valorização do parto normal como a melhor opção para a mulher e para o bebê. A recuperação é mais rápida, a amamentação é mais efetiva e o risco de complicações é muito inferior ao de uma cesariana. A opção por observar o ritmo natural da evolução do trabalho de parto, entretanto, pode exigir uma intervenção do médico para auxiliar o período expulsivo, geralmente em casos de sofrimento fetal ou exaustão da mãe. Nessas situações, o bebê está prestes a nascer, já baixo demais no canal de parto para fazer uma cesariana e não se pode perder tempo. A opção mais adequada é a utilização do fórceps ou de uma ventosa a vácuo para preservar a mãe e o bebê e obter um parto mais rápido. Mas ainda utilizamos fórceps na obstetrícia moderna? E o bebê não será sempre machucado?

Existe grande desinformação e poucas evidências científicas sobre as sequelas e benefícios envolvendo a utilização de fórceps atualmente. É importante saber que até 5% dos partos vaginais podem exigir a aplicação dessa técnica, com boas indicações e resultados. Já não utilizamos mais o fórceps alto, e somente praticamos o chamado fórceps de alívio, quando o couro cabeludo do bebê já está visível na vulva. Recentemente foi publicado um estudo que acompanhou 3.200 mulheres norte-americanas que realizaram uma cesariana de emergência em 13 hospitais. Em 640 casos que tinham indicação, os médicos optaram por utilizar o fórceps como último recurso antes da cesariana, com bons resultados. Não houve diferença estatística para a ocorrência de complicações no bebê, como fraturas ou outros traumas.

Sem marcas no bebê

Um inconveniente no uso do fórceps é que, na maioria dos casos, o médico também realiza uma episiotomia, incisão no períneo, lateral à vagina, para facilitar a introdução do fórceps e o posicionamento na cabeça do bebê. Após o fórceps estar ajustado, o médico puxa com ligeira pressão enquanto a mulher faz força para empurrar durante uma contração. Não há nenhuma razão para temer um parto com fórceps se o médico estiver habilitado e as condições de aplicação do instrumento forem respeitadas. Na grande maioria dos casos não haverá qualquer marca no bebê e a recuperação da mãe será completa, semelhante à de um parto normal.

Wladimir Taborda

Médico ginecologista e obstetra e doutor em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo. Autor do livro A Bíblia da Gravidez

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