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sábado, 30 de janeiro de 2010

NOVIDADE... fraldas para piscina e mar

Já que o carnaval está aí, e junto com ele vem o calor, refrescar seu bebê na piscina ou no mar é sempre uma boa idéia! Nestes casos, uma boa dica é levar fraldas apropriadas para a piscina/mar. Existe no mercado uma fralda específica para este uso: “Little Swimmers” (Huggies).

Ela não incha como as outras quando em contato com a água, e veste como uma calcinha/cuequinha, pois não possui fita adesiva na lateral. Entretanto, deixe para colocá-la somente na hora em que for entrar na água, pois se seu bebê fizer xixi antes de entrar na água, acabará vazando.

Resultado: Realmente um ótimo produto, mas atenção: só use ela na água, caso contrário, o xixi irá vazar!

Pesquisa de enfermeira da USP constata que futuras mães se submetem ao parto inseguras

Por Paloma Oliveto



Publicação: 25/01/2010 07:00 Atualização: 25/01/2010 10:01







O resultado positivo no exame de sangue é motivo de comemoração, mas também de muitas dúvidas para as mulheres. Mães de primeira viagem e até mesmo as que já passaram por uma gestação costumam se sentir inseguras, e nem sempre o médico tem tempo para esclarecer os questionamentos sobre todas as etapas da gravidez. O que já era uma desconfiança virou certeza para a enfermeira obstetra Luciana Magnoni Reberte, da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (USP). A partir de uma pesquisa patrocinada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), ela constatou que, da fase pré-natal ao puerpério, as mulheres recebem pouca orientação sobre as mudanças que vão acontecer na vida delas.



As dúvidas das gestantes estimularam a enfermeira a escrever uma cartilha, vencedora da oitava edição do Prêmio de Incentivo em Ciência e Tecnologia para o Sistema Único de Saúde, promovido pelo Ministério da Saúde. Disponível gratuitamente pela internet, a publicação tem como objetivo desmistificar as principais dúvidas acerca da gravidez e, assim, garantir um parto seguro para a gestante.



A cartilha foi elaborada com a ajuda das próprias grávidas. Luciana montou um grupo formado por oito gestantes e quatro futuros pais no Hospital Universitário da USP. “No começo, a proposta era fazer um trabalho sobre os desconfortos corporais e emocionais, mas abrindo espaço para saber quais as dúvidas mais comuns”, conta. Em nove sessões, surgiram diversos questionamentos: desde perguntas sobre alimentação a preocupações com a saúde do bebê. Depois de fazer uma pesquisa em São Paulo, a enfermeira obstetra constatou que não havia nenhuma publicação gratuita totalmente voltada para o esclarecimento de questões práticas. Na segunda fase da pesquisa, ela construiu o texto, que foi aprovado por profissionais da área da saúde e por um grupo de outras nove gestantes.





“Muitas vezes, vi que as mulheres chegavam até mesmo à fase da amamentação sem ter tido nenhuma informação prévia sobre isso. Nem todas as gestantes têm acesso a informações e possuem alta escolaridade. Mas mesmo as que têm costumam ficar cheias de dúvidas”, diz Luciana. Ela afirma que, no geral, as consultas com o obstetra são muito rápidas, e o profissional tende a se concentrar em aspectos mais técnicos, como auferir a pressão da grávida, verificar o colo uterino e auscultar o coração do bebê. “A gestante acaba não tendo abertura para fazer perguntas e, às vezes, o médico acha que ela já sabe tudo”, conta.





A cartilha de Luciana é a prova de que os profissionais muitas vezes desconhecem o grau de informação de seus pacientes. As mulheres que participaram da pesquisa não sabiam, por exemplo, se o pai poderia acompanhar o parto. Outra dúvida foi com relação ao corpo. Uma das gestantes queria saber se a barriga nunca mais voltaria ao normal e também perguntou em quanto tempo poderia voltar a praticar exercícios físicos. A amamentação foi mais um motivo de questionamento: “Se a mãe não amamentar na hora porque está trabalhando, o bebê ainda vai aceitar mamar no peito?”, perguntou uma grávida.







Ansiedade



Há dois anos, a enfermeira Luana Fernandes Souza Belfort coordena os cursos para gestantes oferecidos gratuitamente pelo Hospital Brasília. Por três dias, mães e pais participam de aulas que vão do pré-natal aos primeiros cuidados com o bebê. As grávidas e os parceiros têm palestras sobre psicologia, enfermagem, pediatria, obstetrícia e anestesiologia. Luana conta que todas chegam muito ansiosas, com dúvidas, principalmente, sobre a saúde da criança. “Os pais, agora, também querem saber de tudo, perguntam bastante e querem ajudar”, diz.





De acordo com Luana, para os pais, tudo é novidade; por isso, surgem diversas perguntas. Uma gestante já chegou a questionar se poderia tomar banho de piscina, pois tinha medo de a água fazer mal ao bebê. “Mesmo as que estão na segunda gestação têm muitas dúvidas. É difícil encontrar uma mulher que esteja bem tranquila”, afirma. Mãe de Rafael, recém-nascido, a própria enfermeira, de 27 anos, se tornou ouvinte durante a gravidez. Ao lado de outras mães, ela fez o curso como participante. “Foi bem legal, é uma outra visão. Eu também tinha preocupação com o trabalho de parto prematuro e de o meu filho precisar ir para a UTI (Unidade de Tratamento Intensivo)”, conta. “Eu ficava ansiosa porque tinha muita cobrança. As pessoas achavam que eu não podia ter nenhuma dúvida, mas a gente sabe que a teoria é bem diferente da prática”, admite.





Para a psicóloga Fátima Franco, coordenadora da Clínica Florescer, que oferece cursos para gestantes, a falta de esclarecimento pode comprometer a saúde da mulher e do bebê. “Com o medo e a ansiedade, a pressão sobe, a glicose desregula e há ameaça de parto prematuro”, conta. “Todas essas questões são psicossomáticas”, afirma Fátima, que há 27 anos presta orientação a gestantes e, como doula — acompanhante de partos — , já acompanhou de perto 657 procedimentos.





Segundo ela, o primeiro e o último trimestre são os que mais trazem dúvidas e medos às mulheres. “Nos três primeiros meses, abordamos o medo do desconhecido. As grávidas têm receio de contar para as amigas e sofrerem um aborto espontâneo. Também é preciso falar sobre as mudanças, como o ganho de peso e a falta de desejo sexual”, diz. Já quando o parto se aproxima, elas temem a dor e pela saúde do bebê. “Preparação com exercícios, massagens e respiração correta levam a grávida a ter maior consciência do processo do parto. Dessa forma, o parto fica mais rápido e menos doloroso”, diz. Para Fátima, é fundamental que as gestantes tenham acesso a uma cartilha, na qual possam tirar suas dúvidas.





A enfermeira obstetra Luciana Magnoni Reberte gostaria de ver a sua cartilha sendo distribuída pelo Sistema Único de Saúde. Apesar de o trabalho ter vencido um prêmio do SUS, o ministério ainda não se manifestou sobre a publicação do livro em grande escala. “Tem ocorrido uma procura voluntária, de enfermeiros ou empresários que querem doar para os seus clientes. Mas meu interesse principal é o de socializar a informação”, diz Luciana.

E para terminar adicionei o vídeo da reportagem da Gisele sobre a experiência dela.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Memórias de um ex-cesarista

Antes eu era um obstetra normal. Era chamado para as festas corporativas de final de ano, dormia a noite inteira e raramente recebia ligações de gestantes nos feriados. E se acontecesse, eu ligava para um colega de plantão e ele operava pra mim.


Tinha uma vida social e ia a todos os compromissos pré-agendados, inclusive minhas cesáreas. Tudo pontualmente.

Foi quando conheci a Clara, uma enfermeira recém formada em obstetrícia, contratada para humanizar o parto numa das maternidades em que eu operava. Essas “pressões do governo para reduzir cesárea, sabe como é. Pensei que fosse só pra constar. Afinal, eu já tinha uma postura muito humanizada, oras. Entre a extração do bebê e a seção de tubos nasais da pediatra, eu mostrava a criança rapidamente para a mãe, que ficava emocionada. Mas a pediatra precisava fazer o trabalho dela e isso era o prioritário naquele momento. A mãe teria o resto da vida para curtir. Uma noite sem ele, não mudaria nada.

Enfim, esta Enfermeira começou a conversar com as gestantes que chegavam antes de eu chegar, até que um dia, as peguei numa posição constrangedora: ela e a “mãezinha” de cócoras! Até então só tinha visto tamanha acrobacia em filmes eróticos muitos selecionados. Peguei a doente e operei antes que acontecesse algo pior.

Um dia quando fui ao hospital após a ligação de uma paciente “pós-termo” (40 semanas) e, enquanto me paramentava, escutei um gemido suave e um choro de bebê. Corremos para salvá-los, mas já era tarde. O feto nasceu de um parto completamente “contaminado”. E por sorte, ficaram bem, e tiveram alta após uma semana de nosso ritual de descontaminação. Fizemos o que pudemos: antibióticos, desinfecção, . Nunca cheirei tanto éter na vida.

Por pouco não cai no chão. Nas mãos de uma enfermeira que dizia “Acostume-se, ‘doutor’, no futuro os partos serão assim...” O que ela sabia sobre futuro com estas práticas retrogradas? Foi muito traumatizante pra mim, mas pelo menos, ambos sobreviveram.

O que mais me preocupava era: como aquela criança conseguiu nascer – e bem – sem um médico por perto. Isso ia contra tudo o que eu havia aprendido e acreditado.

A gota d´água para eu deixar aquela maternidade foi no dia em que essa irresponsável acendeu um incenso e colocou o CD da Enya... ‘Pra relaxar’, dizia ela.

Pois eu pedi contas imediatamente! Dois meses depois já tinham reduzido a taxa de cesárea de 95 para 75%. Era demais para mim e eu não poderia compactuar com os riscos a que estavam submetendo mãe e feto naqueles partos sem controle.

Parecia até que o parto era das mulheres, não um ato médico!

Neste novo emprego, contei para o diretor-médico todas as coisas que fui obrigado a assistir e acabei me abrindo demais ao contar que estava fazendo análise por causa desses traumas. Numa dessas seções, até chorei.

Mas este colega compartilhou de minha dor e foi solidário ao garantir que isso só se repetiria por cima do cadáver dele. Mas aí ele morreu no mês seguinte e o substituto colocou como principal meta diminuir as cesáreas, meu Karma. Eu estava quieto na minha... Mas quando vi meus próprios colegas de plantão oferecendo água pra parturiente em pleno trabalho de parto, não pude me conter! O que mais faltava acontecer? Abolir a episiotomia de rotina? Foi o que aconteceu...

Decidi que trabalharia numa maternidade particular, onde jamais seria importunado.

Novamente comecei muito bem até que auxiliei na cesárea de um colega mais cesarista que eu. Ele conversava sobre a festança de reveillon que tinha promovido e que passaria o carnaval na Bahia, por isso estava “desafogando” sua agenda. Parei para olhar aquela cena... Percebi que o assunto ignorava completamente o belo momento que estava acontecendo e que ele estava operando várias grávidas só pra poder viajar no feriado. Percebi que eu já havia feito aquelas coisas, mas ver outra pessoa fazendo igual me despertou algo estranho... Como uma lamentação.

Com o papo, ele acabou esquecendo de mostrar o bebê à mãe.

Numa sexta fera, outro colega me ligou agendando uma “cesárea de emergência” (por cordão enrolado...) para a terça seguinte. Por mais tapado que eu fosse, tinha outro entendimento sobre emergência...

Assim foi indo... Mas devagar essas situações começaram a me incomodar.

Tempos depois, uma gestante chegou ao meu consultório com 12 semanas já falando que teria um parto normal. Vê se pode... Nem estava na época de pensar nisso! Primeiro teria que dar tudo certo – tudo mesmo! – e durante o pré-natal certamente apareceria alguma intercorrência que me obrigaria a indicar a cesárea, era sempre assim.

Mas eu disse que tudo bem porque este era um uma situação distante e concordei que parto normal era melhor, desde que TUDO estivesse perfeito.

As semanas estavam se passando e e nada dela aparecer com sequer um exame alterado. E olha que o que eu mais pedia era exame! Pior é que eu era representante dos médicos no conselho do hospital e tinha uma reunião para reivindicação de um novo centro cirúrgico exatamente na mesma época prevista para este parto. Esta reunião me traria status na corporaçao. Mas seria muito azar ambos acontecerem exatamente no mesmo dia e na mesma hora! Então continuei procurando meus motivos minimamente coerentes para operá-la antes e me salvar do meu destino incerto...

O grande dia chegou. Ela entrou em trabalho de parto sem um sorinho sequer, pode acreditar. Cheguei logo depois tenso porque o “muito azar” aconteceu e estava quase na hora da tal reunião. Ela estava abraçada ao marido e, vai entender, tinha escurecido o quarto. Fiquei desconfortável, porque como eu faria meus procedimentos altamente tecnológicos sem luz? A hora da reunião se aproximava e os participantes muito ocupados, não me esperariam e os colegas me matariam se eu não aproveitasse a oportunidade. O novo Centro cirúrgico beneficiaria a todos que poderiam operar mais e atrair mais convênios para si e para o hospital.

E eu lá preso!

Já estava nervoso com a pressão alta - Nao da gestante, a minha! Saí, voltei, saí de novo e quando voltei peguei a parturiente numa posição que nem minha mulher fazia nos melhores dias: de quatro.

Custou, mas consegui o telefone daquela profética enfermeira obstetra. Ela me pediu pra ficar calmo e que o parto se faria sozinho, se eu deixasse a natureza agir. Que mane natureza! Quase xinguei, mas estava tão tenso que decidi relaxar. Já tinha perdido a reunião mesmo e o pior que poderia acontecer era o bebe nascer sem dar tempo de eu chegar a porta ao lado. Fui para o quarto dos médicos em alfa. Uns disseram que eu tinha que ficar lá, fazendo alguma coisa, que eu estava maluco... “Negligencia!”, nem liguei. Acho até que a paciente não me queria lá naquela hora. Coloquei a Enya no meu MP4 e cochilei. Acordei duas horas horas depois com a supervisora me chamando.

Quando cheguei no quarto dela, já não pude fazer mais nada, senão ver aquele bebê coroando e saindo de sua mãe. Sem fórceps, sem episio, sem nada. Na cama. Antes que eu pudesse chamar o pediatra, ela tomou o filho em seus braços e começou a niná-la entre lágrimas e devaneios. Eu precisava fazer alguma coisa, qualquer coisa, mas fiquei estático. Parecia que se eu me aproximasse, estragaria algo, sei lá. Por incrível que pareça, achei lindo e me deu um nó na garganta. Mas eu tinha que parecer profissional e não me emocionar.

Não havia laceração (nem sabia que era possível nascer sem episio), o sangramento foi moderado, mas logo cessou e eu mesmo pedi ao pediatra para não levar a criança para o berçário.

Mal podia dirigir de volta pra casa. Estava deliciosamente chocado.

Comecei a ver as coisas que estavam na minha frente o tempo todo e jamais pude ver. Me arrependi pelos tantos procedimentos que executei, sem criticar. Lamentei as oportunidade de crescimento que furtei as famílias em meu benefício. E o melhor de tudo: percebi que não precisava continuar sendo assim.

Fui pra casa, li o site da Parto do Princípio, HUMPAR, Amigas do parto, me perdi em tantos blogs, em especial o da Dydy (hehehe) e, confesso, me filiei à REHUNA.

Isso foi há dois anos.

No 1º ano, me tornei o médico que mais fazia partos normais na região e isto me levou a conhecer muitos colegas semelhantes. Fui convidado a dar palestras, meu consultório encheu. Minha mulher disse que eu estava menos presente, mas era muito mais feliz nos momentos em que estava com minha família.

No último ano fui convidado para trabalhar numa casa de parto e há seis meses uma cliente me convidou a assistir o Parto domiciliar dela.

Hoje tenho uma equipe: eu, a clara – aquela enfermeira-Enya – minha esposa que fez um curso de doula e um pediatra que converti á humanização, mas ele raramente precisa aparecer lá.

Minha vida agora não tem mais rigidez de horários, metas e patrões. As mulheres são as minhas patroas! Estou sempre a espera para aparar alguém que vai nascer e nada mais. Incrivelmente, a consciência de que eu não preciso fazer muita coisa num parto me trouxe uma imensurável satisfação.

Sei que não estou cometendo um erro, ao contrario do que nossa sociedade não preparada acredita. Estou seguindo meu código de ética, respeitando o desejo das mulheres que me procuram e as evidencias cientificas. Desta forma, o que poderia estar errado?

Entendi que o corpo feminino é perfeito e que o máximo que precisarei fazer é ajudar, de vez em quando.

Compreendo e pratico o sentido profundo da humanização, não mais o simplista superficial. E agora que o conheço, não resta mais alternativa, não há mais volta.



Obrigado pela atenção.



Assinado: Um ex-cesarista convicto e atual parteiro...
 
Este texto eu encontrei no blog da Dydy e gostaria muito que isso acontecesse com mais frequência com nossos médicos.

Entrevista com Dr Ric Jones

Esta entrevista eu achei no site Doulas do Brasil.
Dr. Ricardo Herbert Jones é médico ginecologista, obstetra e homeopata em Porto Alegre, RS, onde já atendeu a mais de 1500 partos em 17 anos de profissão. Adepto do parto natural e um grande entusiasta do parto humanizado, é também um dos líderes na discussão sobre a melhoria da qualidade no atendimento às parturientes. É membro da Rehuna, consultor médico das Doulas do Brasil e do grupo Amigas do Parto.





Por que e como você começou a utilizar o serviço de uma doula em seus atendimentos de parto?

Ricardo H. Jones: O início de minha parceria com as doulas coincide com a época em que a Cristina Balzano Guimarães, doula que trabalha comigo, começou a atuar nesta área. Há muito tempo conversávamos sobre a possibilidade de oferecer um suporte às pacientes que entram em trabalho de parto e que sofrem, psicologica e corporalmente, com as angústias, o medo, a tensão e a dor.


Como foi o início dessa parceria?
RHJ: O início do trabalho conjunto foi como um enamoramento. Primeiro algumas pacientes faziam pré-natal comigo e depois iam fazer grupo de gestantes com ela. O contrário também começou a acontecer: primeiro a entrada nos grupos e um posterior encaminhamento a um obstetra que seguisse o modelo de trabalho que a Cristina aconselhava. Hoje em dia praticamente todas as minhas pacientes recebem no trabalho de parto a assistência da doula e da parteira. Nossa parceria produziu uma profunda reformulação conceitual na minha prática, pela introdução do componente feminino no trabalho. E quando se vê o resultado desse trabalho não há mais como voltar atrás.




 Qual o maior benefícios da presença de uma doula para a mulher que está sendo atendida?
RHJ: O contato da feminilidade produz um clima de intimidade, carinho, afeto e acima de tudo segurança. As mulheres estabelecem entre si um vínculo poderoso e mágico, que a minha masculinidade não pode atingir. A intimidade psicológica, a sintonia e a confiança que uma parturiente estabelece com uma doula é algo maravilhoso, e os resultados catalogados no mundo inteiro reforçam nossa convicção de que este é um caminho frutífero para o estabelecimento de uma nova postura diante do parto e do nascimento.




Que benefícios você, como médico, tem quando a sua cliente contrata uma doula para acompanhá-la no parto?
RHJ: A diminuição da minha ansiedade, da pressa, da angústia, do medo e de todas as intervenções médicas decorrentes secundariamente destes sentimentos. Hoje em dia minha taxa de episiotomia, fórceps, indução com ocitocina ou mesmo ruptura artificial de bolsa de águas é praticamente zero. Minha taxa de cesarianas está num nível dentro dos parâmetros da OMS (abaixo de 15%) e muito desse resultado devo à parceria que estabeleci com a doula e a parteira que me acompanham.




 E antes?
RHJ: Quando eu fazia o mesmo trabalho, e sob os mesmos pressupostos ideológicos (parto verticalizado, sem episiotomia, uso restrito de drogas e intervenções, presença de uma pessoa de livre escolha da mãe, etc...), meus resultados não eram tão bons como são hoje com o auxílio prestimoso das doulas. Certamente que a ajuda destas profissionais pode produzir uma modificação vigorosa nas práticas hospitalares, aproximando nossos índices daqueles preconizados pela OMS e outras entidades que tratam da questão do parto. A entrada das doulas no cenário do parto produziu um "plus" de qualidade, ao incorporar um toque de feminilidade e intimidade, arrancando o nascimento da sua vinculação com o tecnicismo e a alienação.




 Pela sua experiência, de que forma a doula interfere na participação do pai durante o parto?
RHJ: Diminuindo a tensão e a angústia dele. O pai pode ser um elemento desestabilizador do processo do nascimento, desde que esteja mal preparado psicologicamente para enfrentar este desafio. A doula, com sua afetividade, carinho, presença e suporte, pode oferecer ao pai a tranquilidade de que ele tanto necessita para se tornar um facilitador do parto para a sua esposa. Estando ele tranquilo, sereno e confiante, vai envolver sua companheira num campo vibracional de positividade e reasseguramento (ao invés de ser um "emissor de adrenalina", como diz Dr Michel Odent) interferindo, assim, positivamente no sucesso do evento.




 Como as suas clientes costumam avaliar a influência da doula em seus partos, nas consultas de retorno?
RHJ: É muito interessante. Várias vezes eu fiquei morrendo de ciúme do que elas falam das doulas. O encantamento, a vinculação e a gratidão são impressionantes. Existe uma cumplicidade verdadeiramente feminina, algo que soa como "Você me ajudou naquele momento. Você estava lá o tempo todo ao meu lado. Você presenciou meu choro, meu riso, meu medo e minhas lágrimas de alegria. Você me viu parindo meu filho, e este foi um dos momentos mais belos da minha vida. Estamos juntas, num elo de sangue e amor, para sempre." Fico emocionado quando elas me relatam isso, porque vejo uma coisa feminina, bela, amorosa. É algo que jamais esquecemos, e tenho certeza que estas pacientes jamais vão perder estas lembranças.




Quais as desvantagens de ter a doula no cenário de parto?
RHJ: Não consigo perceber nenhuma, a não ser uma dissintonia entre paciente e doula. Como nunca tive esta experiência, não posso avaliar o grau de problemas que ela poderia produzir, mas acho que uma paciente bem preparada emocionalmente para o nascimento de seu filho deve ter inclusive a liberdade de dizer quando e como quer a presença da doula ao lado dela. Sem o protagonismo devolvido às mulheres, sem a participação efetiva delas na condução do seu parto, não existirá humanização do nascimento.




No parto hospitalar, como fica a interação da doula com o resto da equipe que atende o parto?
RHJ: Bem, deveria ser a melhor possível, visto que a doula é uma componente da equipe multidisciplinar que vem somar-se aos esforços de dar mais segurança e conforto para a paciente. Infelizmente nossos hospitais nem sempre são lugares adequados para o nascimento de crianças. No lugar de colaboração encontramos com freqüência competição, vaidades atingidas e pequenas sabotagens.




Dê-nos um exemplo
RHJ: Um dos hospitais em que atendo na minha cidade proibiu o atendimento da doula, e não por acaso este hospital tem 76% de cesarianas e coloca restrições à presença de familiares da paciente nas salas de parto. Mesmo sendo um hospital luxuoso e moderno, a matriz ideológica que sustenta suas condutas é anacrônica e equivocada. Ainda há um grande caminho a ser percorrido, mas as orientações da OMS, e agora do Ministério da Saúde, nos deixam com um pouco mais de esperança de que num futuro próximo tenhamos um acesso mais facilitado de doulas a todos os hospitais brasileiros.




Como fica a atuação da doula, caso seja necessária uma cesárea?
RHJ: Da mesma forma que num processo longo e cansativo de um trabalho de parto, num processo curto e dramático de uma indicação de cesariana a presença da doula é muito importante. Ela pode ser o elo que conecta a paciente à realidade. Diante da frustração de não ter alcançado seu objetivo de parir de forma natural, ela pode se desestabilizar e acionar seu sistema adrenérgico, fazendo com que sua pressão suba e seu coração fique acelerado. Embora extremamente banalizada em nosso país, a cesárea é uma cirurgia, e como tal pode ser um evento traumático.




Como a doula pode amenizar essa situação?
RHJ: A doula poderá oferecer suporte físico e emocional, fazendo com que a parturiente se acalme, entenda a necessidade da cirurgia e comece a fase de adaptação a esta nova realidade. Uma cesariana é sempre uma cirurgia que precisa ser bem "digerida" psicologicamente. A doula fará esse trabalho de adequar a paciente desde o momento da indicação até os primeiros dias em casa, nos cuidados consigo e com seu bebê. É uma atuação fundamental, porque enquanto o médico se prepara para as questões técnicas da cirurgia, muitas vezes a paciente fica isolada e desprotegida, tendo que enfrentar solitariamente esta tarefa. Isso pode ser um choque, mas a presença de uma doula ao lado dela pode lhe dar a segurança para entender o que está acontecendo, e para fazê-la sentir-se mais tranquila e confiante.



Em suma, defina uma Doula.
RHJ: Doulas são amortecedores afetivos. Funcionam para proteger as pacientes das inúmeras provas, dúvidas, angústias, às quais ela é submetida durante o nascimento de uma criança. Uma decisão por cesariana é apenas uma delas. E é muito importante que a doula esteja preparada para oferecer este auxílio. O nascimento humano provoca uma gama de sentimentos que normalmente não experimentamos no nosso dia-a-dia. É um momento muito mágico e muito poderoso. Por isso, as pessoas que estão presentes neste momento, são imantados de uma energia muito especial, que impregna seus corpos e almas com uma luminosidade lilás e brilhante. As doulas, mulheres como as parturientes, são abençoadas com a dádiva da cumplicidade, e recebem como prêmio a gratidão eterna.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Por que razão não querem dormir sozinhos ?

Onde dormiam os bebés há 100 000 anos? Não existiam casas, nem berços, nem roupa. Certamente que dormiam junto à mãe ou sobre ela, numa cama de folhas improvisada. O pai não devia dormir muito longe, e a tribo inteira permanecia apenas a alguns metros de distância. Só assim conseguiam sobreviver durante o sono, o momento mais vulnerável do dia. Recordação daqueles tempos é o hábito de marido e mulher dormirem juntos e a desolação (por vezes verdadeira insónia) que nós, adultos, costumamos sentir quando uma viagem nos obriga a dormir separados do nosso parceiro habitual. Muitas mães, se o marido dorme fora de casa, deixam que os filhos venham para a sua cama e não é fácil dizer qual dos dois encontra mais consolo com a companhia.

Imagina um bebé sozinho, nu, a dormir no chão e ao ar livre, a cinco ou dez metros da mãe durante seis ou oito horas seguidas? Não teria sobrevivido. Tinha de existir um mecanismo para que, também de noite, o bebé permanecesse em contacto continuado com a mãe, e de novo este mecanismo é duplo: a mãe deseja estar com o filho (exactamente, apesar de todos os tabus contra, muitas mães ainda o desejam) e a criança resiste violentamente a dormir sozinha.


Dormir sozinho! O grande objectivo da puericultura do século xx! Como comentámos, uma criança a quem a mãe deixasse sozinha, acordada, no chão, que não protestasse imediatamente e que, ao contrário, adormecesse, dificilmente teria sobrevivido durante mais do que algumas horas. Se alguma vez existiram crianças assim, extinguiram-se há milhões de anos (bem, nem todas. Fala-se de crianças que dormem durante toda a noite, espontânea e voluntariamente. Se a sua é uma dessas raras crianças, não se assuste; certamente que também é normal). Os nossos filhos estão geneticamente preparados para dormir acompanhados.


Para um animal, o sono é um momento de perigo. Os nossos genes impelem-nos a mantermo-nos despertos quando nos sentimos ameaçados e a deixarmo-nos levar pelo sono apenas quando nos sentimos seguros. Sentimo-nos ameaçados num lugar desconhecido, e muitas pessoas têm dificuldade em dormir em hotéis porque «estranham a cama». Custa-nos dormir na ausência do nosso companheiro ou na presença de desconhecidos.


Você precisava de mudar de comboio numa cidade distante e perdeu a última ligação. São duas da manhã, está tudo fechado e é obrigada a esperar pelo comboio das seis na estação. Imagine agora várias situações possíveis: a) encontra-se absolutamente sozinha na sala de espera; b) viaja sozinha, mas na sala há uma dezena de pessoas, duas famílias completas, algumas senhoras mais velhas, um grupo de escuteiros; c) na sala encontra-se você e cinco skin heads meio embriagados; d) você viaja na companhia do seu marido e de outros casais amigos. Acha que adormeceria do mesmo modo em cada uma das circunstâncias?


Estranhos na noite


Xavier, com dezoito meses, «tem dificuldade em dormir». Chama a mãe, Maria, várias vezes: quer ouvir uma história, reclama um copo de água, tem dói-dói... Cada noite se converte numa tortura para toda a família. «Zanga-te», dizem todos, «devias deixá-lo chorar, não lhe fazia mal». Hoje, Maria e Xavier foram visitar os avós numa aldeia isolada. O pai trabalha e não pôde acompanhá-Ios. Têm de mudar de autocarro numa pequena cidade, antes uma vila grande. Mas o autocarro que vem da capital atrasa-se várias horas, e Maria e o filho são os únicos passageiros que descem na solitária estação de autocarros à uma e meia da madrugada. O autocarro que os conduzirá até à aldeia onde moram os avós não sairá antes das sete e meia da manhã. Mãe e filho encontram-se sozinhos na sala de espera mal iluminada. A estação dos autocarros situa-se nos arredores da vila, separada das ruas habitadas por algumas hortas e por uma zona de fábricas e armazéns. Maria não se atreve a ir a pé até à vila. Junto da estação há uma bomba de gasolina, pedirá ao encarregado que lhe chame um táxi, deve haver um hotel na vila... Tem dinheiro suficiente? Descobre com horror que apenas tem dinheiro para o autocarro e que se esqueceu de trazer consigo o cartão de crédito. Bom, faltam apenas cinco horas, será melhor esperar aqui. A luz acesa na bomba de gasolina transmite-lhe uma certa confiança. Quase preferia ir até lá para esperar, mas está frio na rua.


De vez em quando passa um automóvel veloz ou, das fábricas, chega o ladrar de um cão. Perto das três horas, aparecem cinco motards com blusões de couro, param entre a estação de autocarros e a bomba de gasolina e começam a beber cervejas, enquanto gritam e lutam uns com os outros. De vez em quando, um deles aproxima-se ostensivamente da estação de autocarros e começa a urinar numa árvore, enquanto os outros gritam «<És estúpido, Paco, não vês que está aí uma senhora?», «Não olhe minha senhora, não vale a pena! É muito pequeno!»). E esta situação dura mais de uma hora e meia.


É claro que Maria passou as horas acordada, sentada na cadeira mais perto da porta, agarrada ao filho e à mala. Xavier, contudo, dormiu ao colo dela, num só sono. Quem tem agora «dificuldade em dormir»? Ao colo da mãe, numa vila longínqua, rodeado de desconhecidos hostis, Xavier sentiu-se mais seguro do que em sua própria casa, no seu quarto, na sua cama. Para uma criança desta idade, a Mamãe é a Supermamãe, a Protetora lnvencível. Esse colo é o seu lar, a sua pátria, o seu paraíso. Não é maravilhoso, Mamãe, sentir-se assim?


Na noite dos tempos


Naquela tribo, há 100 000 anos, duas mães foram dormir com os filhos. Não sabemos
exatamente como o faziam, mas sabemos o que fazem atualmente os chimpanzés: ao cair da noite, cada adulto prepara um leito macio com folhas e ramos e deita-se para dormir. Os chimpanzés não possuem camas de casal, o macho e a fêmea dormem separados (ainda que não muito afastados, é claro; na tribo, todos dormem perto uns dos outros). É Claro que a mãe e o filho dormem juntos até que este complete cerca de cinco anos.


À meia-noite, aquelas duas mulheres primatas acordaram; por motivos que desconhecemos, afastaram-se, deixando os filhos no solo. Uma das crianças era daquelas que acordam a cada hora e meia; a outra era das que dormem durante toda a noite, num só sono. Qual das duas crê que nunca mais acordou? Ou então acordaram ambas ao mesmo tempo, mas uma delas começou a chorar imediatamente e a outra apenas depois de cerca de três horas, quando começou a sentir fome. Qual delas morreu de fome? Uma começou a chorar imediatamente, enquanto a outra permaneceu calada até que o aparecimento de uma hiena a assustou. Qual delas terá a hiena comido? Uma delas, quando começava a chorar, só parava quando a mãe voltava e a acalmava; podia chorar meia hora, uma hora, todo o tempo necessário, até à exaustão. A outra, pelo contrário, chorava durante alguns minutos e, se ninguém aparecia, voltava a adormecer. Qual das duas dormiu para nunca mais despertar?




Adivinhou: os nossos filhos estão geneticamente preparados para acordar periodicamente. Os nossos filhos herdaram os genes dos sobreviventes, dos vencedores da dura luta pela vida.


Não dormem de um só sono, pelo contrário, passam, como os adultos, por vários ciclos de sono durante a noite. A duração de cada ciclo é variável, entre apenas vinte minutos e um pouco mais de duas horas; a duração média vem a ser de hora e meia nos adultos, mas apenas de uma hora nos bebés. Entre cada ciclo, passamos por uma fase de «despertar parcial», que facilmente se torna despertar completo.


Mesmo os especialistas que «ensinam as crianças a dormir» reconhecem esse fato: o objetivo dos seus métodos não é conseguir que a criança não acorde, isso é impossível. O que querem é que, quando acorda, em vez de chamar pelos pais, se mantenha calada até voltar a adormecer.


As crianças «estão de guarda» para se certificarem de que a mãe não se foi embora. Se o bebé consegue cheirar a mãe, tocar-lhe, ouvir a sua respiração, talvez mesmo mamar, volta a adormecer de seguida. Em muitas das vezes, nem a mãe nem o bebé despertam completamente. Mas, se a mãe não está, a criança acorda completamente e começa a chorar. Quanto mais tempo tiver chorado antes que a mãe lhe acuda, mais nervosa estará e também mais difícil de consolar.




Um planeta, dois mundos


Noutras culturas, dormirem todos juntos é praticamente universal (e os problemas de sono durante a infância, em consequência, praticamente desconhecidos). Morelli e os seus colaboradores estudaram em pormenor o comportamento e as opiniões de um grupo de 14 mães guatemaltecas de etnia maia e compararam-nos com os de 18 mães norte-americanas brancas de classe média.


Todas as crianças maias (entre os dois e os vinte e dois meses) dormiam na cama com a mãe, e oito também com o pai. Outros três pais dormiam no mesmo quarto, noutra cama (dois deles com outro filho mais velho) e em três casos o pai estava ausente. Em dez casos havia outro irmão a dormir no mesmo quarto, quatro deles na mesma cama; as outras quatro crianças não dormiam com os irmãos porque eram filhos únicos.


As crianças maias permaneciam com a mãe e mamavam quando queriam até aos dois ou três anos, pouco antes do nascimento de um irmão. Normalmente, as mães não sabiam se o filho mamava durante a noite, porque não acordavam e parecia-lhes que o assunto não tinha importância (pelo contrário, 17 das 18 mães norte-americanas tinham de acordar para alimentar o filho, a maioria durante seis meses, e as 17 afirmaram que as mamadas noturnas eram um aborrecimento).


Entre os maias não existia uma rotina para fazer dormir as crianças. Sete iam dormir ao mesmo tempo que os pais e as outras adormeciam no colo de alguém. As 10 que ainda mamavam adormeciam a mamar. Não se contavam histórias para dormir nem se lhes dava banho antes de se deitarem. Apenas uma das crianças possuía uma boneca com a qual dormia; era a única que não tinha dormido com a mãe desde o nascimento e que tinha passado uns meses a dormir num berço no mesmo quarto, para logo regressar à cama materna.


As mães maias não concebiam que as crianças pudessem dormir de outro modo. Quando se lhes explicava que as crianças norte-americanas dormiam num quarto separado, mostravam surpresa, desaprovação e compaixão. Uma exclamou: «Mas fica alguém com eles, não é verdade?» Partilhar a mesma cama não é uma consequência da pobreza ou da falta de quartos, considera-se fundamental para a educação correta da criança. As mães explicavam, por exemplo, que, para dizer a uma criança de 13 meses para não mexer em determinada coisa, bastava dizer-lhe «Não lhe mexas, não é bom, pode fazer-te dói-dói» e a criança obedecia. Quando lhes explicávamos que as crianças norte-americanas dessa idade não compreendiam proibições ou que faziam mesmo o contrário, uma mãe maia sugeriu que essa era a consequência de as ter separado dos pais durante a noite.


É apaixonante comparar como se criam as crianças em diferentes culturas. Uma antropóloga norte-americana, Meredith Small, escreveu um livro imprescindível sobre este tema (Our babies, ourselves)






Do livro Besame Mucho - Carlos González

Está limpo, mamou. Por quê chora?



Extraído do livro Bésame Mucho, do Dr. Carlos González. Seu bebê é desinteressado


"Laura, de três meses, chora desconsolada. Mamou, tem a fralda limpa, não tem frio nem calor, não foi espetada por nenhum alfinete. Sua mãe a pega no colo, diz umas palavras carinhosas e no mesmo instante Laura se acalma. A mãe volta a pô-la no berço e no mesmo instante Laura volta a chorar.

- Não tem fome, não tem sede, não tem nada - dizem as más línguas. Que diabos quer agora?


Quer a sua mãe. Quer você. Não te quer pela comida, nem pela roupa, nem pelo calor, nem pelos brinquedos que ganhará no futuro, nem pelo colégio particular que você a levará, nem pelo dinheiro que você deixará de herança. O amor de um bebê é puro, absoluto, desinteressado.


Freud acreditava que os bebês amam sua mãe porque dela obtém alimento. É a chamada teoria do impulso secundário (a mãe é secundária e o leite é o primário). Bowlby, com sua teoria do apego, sustenta todo o contrário, que a necessidade da mãe é independente da necessidade de alimento e provavelmente maior.


Por quê você não desfruta, como mãe, dessa maravilhosa sensação de receber um amor absoluto? Você se sentiria melhor se seu bebê só a chamasse quando tivesse fome, sede ou frio e a ignorasse totalmente quando estivesse satisfeito? Ninguém negaria comida a um bebê que chorasse de fome, ninguém deixaria de agasalhar a um bebê que chora de frio. Você vai deixar de pegar um bebê que chora porque precisa de carinho? "


Por que chora quando a mãe sai do quarto ? (BM)


"O imediatismo é uma das características do pranto infantil que surpreende e aborrece algumas pessoas. 'Basta deixá-lo no berço que começa a chorar como se estivessem matando-o'.


Para alguns especialistas em educação, esta constitui uma característica desagradável do caráter infantil e o objetivo é vencer seu "egoísimo" e "teimosia", ensinar-lhe a atrasar a satisfação dos seus desejos. Por que razão não tem um pouco mais de paciência, por que não pode esperar um pouco mais ?


Poderíamos compreender que, 15 minutos depois de a mãe partir, começassem a ficar um pouco inquietos; que meia hora depois começassem a choramingar e que duas horas mais tarde chorasse com todas as suas forças. Isso pareceria lógico e razoável. É isso que nós, adultos, fazemos, assim como as crianças mais velhas, depois de termos "ensinado" a ser pacientes, não é verdade ? Mas, em vez disso, os nossos filhos pequenos começam a chorar com toda a força enquanto se separam da mãe; choram ainda com mais força (o que parecia ser impossível !) cinco minutos depois e apenas deixam de chorar quando ficam exaustos. Não parece lógico !


Mas é lógico. Começar a chorar imediatamente é o comportamento "lógico", o comportamento de adaptação, o comportamento que a seleção natural favoreceu durante milhões de anos, porque facilita a sobrevivência do indivíduo. Numa tribo, há 100.000 anos, se um bebê separado da mãe chorasse imediatamente a plenos pulmões, a mãe provavelmente iria buscá-lo de imediato. Porque essa mãe não tinha cultura nem religião, nem conhecia os conceitos de "bem", "caridade", "dever" ou justiça"; não cuidava do filho por pensar que essa era a sua obrigação ou porque temia a prisão ou o inferno. Muito simplesmente, o choro do filho desencadeava nela um impulso forte, irresistível, de acudi-lo e confortá-lo. Mas se um bebê se mantivesse calado durante 15 minutos e depois chorasse baixinho e apenas chorasse a plenos pulmões em 2 horas, a mãe poderia estar longe demais para ouvir.


Esse grito tardio já não teria qualquer utilidade para a sua sobrevivência, contribuindo, pelo contrário, para acelerar o seu fim. Porque agora, os gritos de angústia de uma cria abandonada seriam música para os ouvidos das hienas.


Além disso, se refletirmos um pouco, veremos que esse comportamento que nos parece "lógico" e "racional" perante a separação da pessoa amada, esperar um pouco e aborrecer-se gradualmente, apenas é adotado pelos adultos quando esperam confiantemente o regresso da pessoa ausente. Imagine que a sua filha de 15 anos está na escola. Durante o horário escolar, você não sente qualquer preocupação relativamente a essa separação, porque sabe perfeitamente onde ela se encontra e quando vai regressar (o seu filho de 2 anos saberá onde você se encontra e quando você volta ? Mesmo que lhe expliquem, não consegue compreender). Se passarem 30 minutos da hora em que deveria chegar em casa, certamente você começará a sentir os primeiros temores ("o ônibus atrasou", "deve estar conversando com os amigos"). Se se atrasar mais do que 1 hora, começará a aborrecer-se ("estes filhos, parece mentira, são uns irresponsáveis, pelo menos podia ter telefonado, foi para isso que lhe comprei o celular"). Se ela se atrasar 2 ou 3 horas, você começará a telefonar para as amigas, para ver se ela está na casa de alguma. Se 5 horas depois ainda não tiver aparecido, você estará chorando, ligando para os hospitais, porque pensa que foi atropelada. Depois de 12 horas, chorará cada vez mais, irá à polícia, onde lhe vão explicar que muitos adolescentes fogem de casa por qualquer motivo, mas quase todos voltam dentro de 3 dias. Durante 3 dias, você vai agarrar-se a essa esperança, mas cada vez chorará mais e, ao fim de 1 semana, será a imagem viva do desespero.


Mas imagine agora que tem uma grande discussão com a sua filha de 15 anos, na qual se proferem censuras e insultos graves e, por fim, ela mete alguma roupa velha numa mochila e grita "odeio você ! Odeio, estou farta desta família, vou embora para sempre, não quero ver você nunca mais"e vai-se embora, batendo a porta. Quantas horas espera alegre e despreocupadamente antes de começar a chorar ? Não começará a chorar ainda antes que ela saia de casa, não a seguirá pela escada, não correrá atrás dela pela rua, não tentará agarrá-la sem temer dar espetáculo na frente dos vizinhos, não se porá de joelhos à frente dela e suplicará, não se deterá apenas quando a exaustão a impedir de continuar a correr ? Parece-lhe que comportar deste modo possa ser "infantil" ou "egoísta" da sua parte ? Acha que ouviria os vizinhos dizerem "olha que mãe mais mal-educada, nem há 5 minutos que a filha foi embora e já está chorando como uma histérica. Certamente faz isso para chamar a atenção" ?


Sim, é fácil ser paciente, quando se está convencido de que a pessoa amada vai regressar. Mas não se mostrará tão paciente quando tiver dúvidas a esse respeito. E quando tiver certeza absoluta de que a pessoa amada não pensa em voltar, não será absolutamente nada paciente desde o início.


Não precisa esperar 15 anos para viver uma cena como a descrita. A sua filha já se comporta assim agora, quando você vai embora. Porque ainda é muito pequena


Para saber se você vai regressar ou não, ou quando vai regressar, ou se vai estar perto ou longe. E, por acaso, o seu comportamento automático, instintivo, aquele que herdou dos seus antepassados ao longo de milhares de anos, será começar a pensar sempre no pior. Cada vez que se separa de você , a sua filha irá chorar como se a separação fosse para sempre. (E o que dizer das mães que pretendem "tranqüilizar" os filhos com frases do estilo "se não se comportar, a mamãe vai embora" ou "se não se comportar, não gosto de você" ?).


Dentro de 3, 4, 5 anos, à medida em que vá compreendendo que a mãe vai voltar, a sua filha poderá esperar cada vez mais tranqüila e durante mais tempo. Mas não será por ser "menos egoísta" nem "mais compreensiva", e muito menos porque você, seguindo os conselhos de qualquer livro, ensinou-lhe a adiar a satisfação dos seus caprichos.


Os recém-nascidos necessitam do contato físico. Provou-se experimentalmente que, durante a primeira hora depois do parto, os bebês que estão no berço choram 10 vezes mais do que aqueles que estão nos braços da mãe.


Ao fim de alguns meses, é provável que se conformem com o contato visual. O seu filho ficará contente, pelo menos durante algum tempo, se puder ver a mãe e se ela sorrir-lhe ou falar com ele de vez em quando. Há 100.000 anos, as crianças de meses provavelmente nunca se separavam da mãe, porque isso significava ficarem no chão nus. Atualmente, estão bem protegidos num local macio, e, mesmo que o instinto lhe continue a dizer que estarão melhor no colo, são tão compreensivos e têm tanta vontade de fazerem-nos felizes que a maioria se resigna a passar alguns minutos na cadeirinha. Mas, assim que você desaparecer do seu campo visual, o seu filho começará a chorar como "se estivessem matando-no". Quantas vezes se ouviu uma mãe dizer esta frase ! Porque efetivamente a maorte foi, durante milhares de anos, o destino dos bebês cujo pranto não obtinha resposta.


É claro que o ambiente onde criamos nossos filhos é atulamente muito diferente daqeule em que evoluiu a nossa espécie. Quando você deixa seu filho no berço, sabe que ele não vai passar frio ou calor, que o teto o protege da chuva e as paredes, do vento, que não será devorado por animais selvagens; sabe que estará apenas a alguns metros, no quarto ao lado, que acudirá prontamente ao menor problema. Mas seu filho não sabe disso. Não pode sabê-lo. Reage exatamente como teria reagido um bebê do Paleolítico. O seu pranto não responde a um perigo real, mas a uma situação, a separação, que durante milênios significou invariavelmente perigo.


À medida em que vai crescendo, seu filho irá aprendendo em que caso a separação comporta um perigo real e em que caso não tem importância. Poderá ficar tranqüilamente em casa enquanto você vai às compras, mas começará a chorar se estiver perdido no supermercado e pensar que você voltou para casa sem ele...


O pranto de nada serviria se a mãe não estivesse também geneticamente preparada para lhe responder. O pranto de uma criança é um dos sons que provoca uma reação mais intensa num adulto humano. A mãe, o pai e mesmo os desconhecidos sentem-se comovidos, preocupados e angustiados; sentem um desejo imediato de fazer algo para que o choro pare. Amamentá-lo, passear com ele, trocar a fralda, pegá-lo no colo, vesti-lo, despi-lo; qualquer coisa, desde que se cale. Se o pranto for especialmente intenso e contínuo, recorre-se ao pronto socorro ( e muitas vezes com bons motivos).


Quando nos é impossível calar um pranto, a nossa própria impotência pode converter-se em irritação. É o que acontece, quando se ouve chorar noutro andar: as convenções sociais impedem-nos de intervir e, por isso, a situação é particularmente aborrecida para nós ("Mas o que estão pensando aqueles pais ?" "Não fazem nada ?, "Aquele menino é um malcriado, os nossos nunca choraram assim !"). Muitos vizinhos criticam pelas costas ou repreendem as mães cujos filhos choram "demais" e alguns chegam até a bater na porta para protestar. Várias mães já me disseram: "O médico disse que o deixasse chorar porque chora sem razão; mas não posso fazer isso porque os vizinhos reclamam." Com a mesma intensidade sonora, uma criança que chora num edifício incomoda-nos mais do que um trabalhador que martela um som de heavy metal.


Quando as normas absurdas de alguns especialistas impedem os pais de responder ao choro da forma mais eficaz (pegando o bebê no colo, tocando-lhe, cantando, amamentando-o...), que outra saída nos resta ? Pode deixá-lo chorar e tentar ver TV, cozinhar, ler um livro ou conversar com o seu companheiro, enquanto ouve o pranto agudo, contínuo, dilacerante do seu próprio filho, um prato que atravessa as paredes e pode prolongar-se por 5, 10, 30, 90 minutos ? E quando começa a fazer ruídos angustiantes como se estivesse vomitando ou sufocando ? E quando deixa de chorar tão de repente que, em vez de ser um alívio, imagina a criança parando de respirar, ficando branca e depois azulada ? Estarão os pais autorizados a correr para o lado do filho ou isso seria considerado como "recompensá-lo pela choradeira" e até disso estão proibidos ?


A outra opção é tentar acalmá-lo, mas sem pegar no colo, embalar ou amamentar. E porque não também com uma mão amarrada nas costas, para tornar a tarefa ainda mais difícil ? Ou ligar ou rádio, rezar ou oferecer-lhe dinheiro ?


Um especialista, o Dr. Estivill, propõe que lhe digamos o seguinte (a uma distância superior a um metro, de modo que os pais não toquem na criança): "Meu amor, mamãe e papai te amam muito e estão ensinando você a dormir. Dorme aqui com seu boneco... Até amanhã"


Palavras de consolo e de amor verdadeiro que certamente acalmariam qualquer criança, seja qual for a causa do seu pranto, a partir de 6 meses ! Ainda que talvez nem mesmo o autor destas palavras acredite muito na sua eficácia tranqüilizadora, pois adverte os pais que, uma vez pronunciadas, devem ir-se embora, mesmo que a criança continue a chorar e a gritar (a mal agradecida).


Em muitos países os maus tratos são um problema. Dezenas de crianças morrem todos os anos nas mãos dos próprios pais e muitas sofrem hematomas, fraturas, queimaduras... A pobreza, o álcool e outras drogas, o desemprego e a marginalidade contam-se entre as causas dos maus tratos. Mas também é necessário um catalisador. Por que bateram na criança hoje e não ontem ? O pranto é um catalisador freqüente. "Chorava sem parar e não consegui suportar mais". O que podem fazer os pais quando tudo o que serve para acalmar as crianças (peito, colo, canções, agrados) está proibido ?"




Do livro Bésame Mucho - Como Criar os Seus Filhos Com Amor, do Dr. Carlos González.

Esta foi uma colaboração da querida Paolla, obrigada!

sábado, 16 de janeiro de 2010

O que fazer a cada troca de fralda?

"Na hora de limpar o bebê durante o banho, ou na hora de trocar as fraldas, a primeira coisa é considerar o seu sexo. Tanto meninos como meninas necessitam em geral de cuidados muito parecidos. A limpeza só se distingue por gênero, ou seja, se se trata de um menino ou uma menina. Os genitais infantis devem ser cuidados com muita delicadeza e atenção. Com não estão expostos, podem apresentar alguma infecção por falta de higiene.



No caso das meninas, para evitar que a vagina se infeccione com os germes provenientes dos restos de fezes do ânus, sempre se deve limpá-la de frente para atrás, ou seja, da vulva ao ânus. Não é necessário abrir suas genitais para limpar lábios maiores e menores. Limite-se a lavar a zona coberta pela fralda ou calcinha, sempre no sentido da frente para atrás. Uma vez limpos, passar a esponja ou toalhinha pelo abdômen, coxas, dobrinhas e nádegas. Quando estiver tudo bem seco, aplicar uma fina camada de creme protetor somente nas partes externas, nas dobrinhas e ao redor do ânus.




No caso dos meninos, como a urina se espalha por todas as partes, é necessário limpá-lo muito bem para evitar ardência no pênis. Tenha cuidado antes de retirar a fralda suja. Os bebês podem urinar no momento em que você for tirar a fralda. Por essa razão, é aconselhável segurar a fralda por alguns segundos. Feito isso, abrir a fralda e retirar as fezes com toalhinhas e tirá-las com a fralda. Passar a toalhinha ou a esponja pelo abdômen, umbigo, dobrinhas, coxas, testículos e debaixo do pênis, para não ficar restos de urina e fezes. Não é necessário retirar ou limpar a pele do prepúcio do seu pênis. Limpa-se melhor durante o banho. Os que não têm circuncisão devem baixar ou puxar para trás o prepúcio e lavar com água em abundância e sabão nesta parte da glande. Levantar suas pernas para limpar-lhe o ânus e as nádegas. Quando toda a zona estiver bem seca, aplicar o creme protetor generosamente sobre o pênis e ao redor dos testículos, ânus e nádegas."






*Fonte: Guia Infantil

Os riscos de um parto agendado sem necessidade

Enquanto as estatísticas mostram que a cesárea apresenta índices muito acima do recomendado pela OMS, estudo revela os riscos que um parto cirúrgico agendado pode trazer para o bebê.Se numa roda de conversa com outras mães, você perguntar quem teve parto normal, vai perceber que as estatísticas sobre o parto cesárea no mundo são mesmo alarmantes.

Dados recentes divulgados pelo The NHS INformation Centre, na Inglaterra, trouxeram preocupação aos médicos britânicos ao mostrar que 25% dos partos no Reino Unido, entre 2008 e 2009, foram cirúrgicos. Nos Estados Unidos, em 2005, esse índice já era de 30,2%.

No Brasil, os números são ainda mais assustadores. Somente no SUS, 33,25% dos partos realizados em 2008 foram cirúrgicos, de acordo com o Ministério da Saúde, o que representa cerca de 655 mil cesáreas. Todos esses dados contrariam a recomendação da Organização Mundial de Saúde, que determina que esse tipo de parto represente somente entre 10% e 15%.

O grande problema da cesárea é quando ela é eletiva (ou seja, agendada sem a mulher estar em trabalho de parto). Se houver um erro no cálculo da idade gestacional, o que é comum, o bebê pode nascer prematuro. Sem necessidade, a criança pode deixar de ganhar peso, amadurecer os pulmões, o que acontece nas últimas semanas de gravidez, e pode ter de ficar internada na UTI neonatal. Na análise britânica, das cerca de 155 mil cesarianas, uma em cada dez foi eletiva.

No tempo certo


Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade do Alabama, nos Estados Unidos, avaliou 13.258 cesáreas eletivas. Destas, 35,8% aconteceram antes de 39 semanas, e o resultado mostrou que os bebês nascidos com 37 e 38 semanas apresentaram mais risco de complicações, entre elas problemas respiratórios e hipoglicemia. “Muitas cirurgias são feitas sem necessidade, apenas por comodismo, tanto dos pais da criança, que querem se organizar melhor, quanto dos médicos, que não precisam desmarcar consultas para realizar um parto a qualquer momento”, diz Alexandre Pupo Nogueira, ginecologista do Hospital Sírio-Libanês (SP).

A situação é diferente, no entanto, quando a mãe entra em trabalho de parto e, no meio do caminho, é preciso realizar uma cesárea. O risco de a criança ter problemas pulmonares é menor porque, durante o processo, o bebê sofre uma compressão no útero da mãe e, segundo Pupo, há uma série de transformações que acontecem na criança de maneira que ela fica mais preparada para sobreviver fora do útero. “Não se deve interferir num processo natural, a não ser em casos específicos em que há risco de vida para a mãe e o bebê”, enfatiza o ginecologista.

A data provável dos partos é em torno de 40 semanas de gestação. E, se mãe e filho estiverem bem, esse prazo pode se estender até 41 semanas e 6 dias.


Os benefícios do parto normal

Para o bebê: esse tipo de nascimento é bom porque segue o processo natural. Ela nasce na hora certa, a não ser nos casos de prematuros. Existem várias evidências e especulações de que o trabalho de parto não é meramente uma atitude física de expulsão do bebê, e sim uma alteração de padrão hormonal em que há liberação de hormônios pela mãe e bebê que sinalizam que o momento de nascer está chegando. Outro beneficio é que o tórax do bebê é comprimido ao passar pelo canal de parto, o que faz com que ele expulse secreções das vias respiratórias, tornando-o mais adaptado a respirar.

Para a mãe: além do aspecto psicológico, da satisfação da mulher em poder dar à luz, a recuperação é mais rápida e são menores as chances de complicações após o procedimento, como sangramentos ou infecções, por exemplo.


Quando o parto cesárea é realmente necessário?

- Quando a placenta cobre parcial ou totalmente o colo do útero, impedindo a saída do bebê, a chamada placenta prévia;

- Caso a mãe tenha herpes genital com lesão ativa até um mês antes do parto;

- Em casos raros de doenças cardíacas;

- Se o bebê está atravessado, mas antes é possível tentar ajudá-lo a ficar na posição correta;

- Nos casos em que a gestante tenha aids com varga viral muito alta ou desconhecida;

- Quando há descolamento prematuro de placenta;

- Se a abertura do colo da mãe é pequena para o bebê, algo que ocorre em menos de 5% dos partos;

- Nas situações em que o cordão umbilical penetra no canal de parto antes do bebê;

- Se há diminuição drástica no fluxo de oxigênio ou nos batimentos cardíacos, o que ocorre em apenas 1% dos partos.



*Fonte: Revista Crescer

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Sexo confortável

Sua barriga que não para de crescer pode fazer com que o ato sexual em determinadas posições seja desconfortável. Qualquer posição em que seu parceiro fique sobre você é inadequada quando a barriga começa a se projetar, a menos que ele tire todo o peso de cima do seu corpo.

Mas vocês podem tentar outras posições e essas tentativas por si só podem tornar a relação sexual mais satisfatória.

1. Em pé: Com o apoio da parede, o homem sustenta o peso da parceira, segurando-a pela parte posterior das coxas. É ideal para os primeiros meses da gravidez ou enquanto a barriga ainda estiver pequena. À medida que o útero cresce, a postura pode prejudicar a coluna.






2. De joelhos: Ele se ajoelha e ela fica apoiada em um dos joelhos. A mulher pode abraçar a cintura do parceiro com a outra perna. Essa posição é sugerida para os primeiros meses de gravidez (até o terceiro mês), quando o útero ainda não se dilatou muito.



3. Cachorrinho: Nesta posição, a mulher mantém a barriga totalmente solta, enquanto o homem, ajoelhado, controla a penetração. A postura é bastante confortável durante os primeiros trimestres. Nos últimos três meses, a barriga pesada desequilibra a coluna, que fica mais vulnerável nessa posição.



4. Pelve levantada: Enquanto ela se deita sobre travesseiros (que devem estar acomodados sob a coluna), ele, de joelhos, controla a penetração. Assim, a barriga fica livre. A pelve levantada pelas almofadas facilita o orgasmo. Pode ser experimentada até o sétimo mês. Depois disso, com a barriga muito grande, a posição tende a ficar desconfortável.


5. Colher: É uma das posturas mais confortáveis para a grávida e poderá ser praticada durante a gestação toda. O casal se encaixa de lado e a mulher pode usar um travesseiro pequeno sob a barriga para mantê-la apoiada. A postura deixa a barriga em posição de descanso, como se fosse em um ninho. Outra vantagem é que a coluna, às vezes prejudicada pelo peso da barriga, se mantém em linha reta.



6. Sentada: Sentada em frente e sobre o parceiro, a mulher está à vontade para controlar os movimentos e a intensidade da penetração. Isso permite que ela mantenha a barriga livre, sem nenhuma pressão. Uma postura agradável e suave principalmente a partir do oitavo mês, quando a barriga está mais dolorida devido ao aumento do útero.




7. Papai e mamãe adaptado: Para não pressionar a barriga da parceira, o parceiro não deita totalmente sobre ela. Mantém o tronco um pouco elevado. Assim não há pressão no útero – essencial a partir do segundo trimestre, quando o órgão aumenta bastante de tamanho.




8. Cruz: Essa é uma alternativa pela qual o casal pode optar até o final da gestação. A mulher fica deitada com as pernas flexionadas sobre o corpo do parceiro, que se encaixa nela de lado. Nessa postura, o conforto para a mulher é extremo já que além da coluna bem posicionada, ela mantém a barriga apoiada na cama e em situação de descanso.



9. Sentada de costas: A grávida se senta sobre o homem – de costas para ele – de forma confortável. Como a barriga fica livre e a mulher consegue maior controle sobre os movimentos, a posição permite a relação sexual até o final da gestação.




10. Armadilha da serpente: Vem do Kama Sutra esta sugestão de nome tão curioso. A mulher fica sentada sobre o parceiro, de frente, e ambos seguram os pés um do outro. O arranjo permite ao casal balançar, em um estimulante movimento de vai-e-vem, e deixa a barriga livre. Além disso, evita a pressão sobre o diafragma – com o aumento do útero, a tendência é que o órgão comprima o músculo respiratório e dificulte um pouco a respiração. Com essa posição, a liberdade e o conforto são maiores. Até o final da gravidez.






*Fonte: Bebê.com.br