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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Feliz 2011!!!!!

Que nesse ano novo possamos sonhar,

E acreditar, de coração, que podemos realizar cada um de nossos sonhos,

Que esses sonhos possam ser compartilhados pelo bem,

E que eles tenham força de transformar velhos inimigos em novos amigos verdadeiros,

 
Que nesse ano possamos abraçar,

E repartir calor e carinho,

Que isso não seja um ato de um momento,

Mas a história de uma vida.



Que nesse ano possamos beijar,

E com os olhos fechados, tocar o sabor da alma,

Que tenhamos tempo para sentir toda a beleza da vida,

E que saibamos senti-la em cada coisa simples,



Que nesse ano possamos sorrir,

E contagiar a todos com uma alegria verdadeira,

Que não sejam necessárias grandes justificativas para nosso sorriso,

Apenas a brisa do viver,

Que nesse ano possamos cantar,

E dizer coisas da vida,

Que não sejam apenas músicas e letras,

Mas que sejam canções e sentimentos,



Que nesse ano possamos agradecer,

E expressar a Deus e a todos: “Muito Obrigado!”,

Que nesse “todos” não sejam incluídos apenas os amigos,

Mas também aqueles que, nos colocando dificuldades, nos deram oportunidades de sermos melhores.

E assim começamos mais um Ano Novo,

Um dia que nasce, um primeiro passo, um longo caminho,

Um desafio, uma oportunidade e um pensamento:

“Que nesse ano sejamos, Todos, Muito Felizes!”


quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Agradecimento

Vivemos hoje em dia sempre correndo, temos milhares de coisas para resolver, coisas que prometemos fazer no início do ano e não conseguimos realizar, mas uma coisa que não posso deixar de fazer é agradecer à todas vocês pela confiança no meu trabalho!
Este ano nascerem muitos bebês e graças a Deus todos maravilhosamente perfeitos!
Muitas de vocês me perguntam se eu lembro de todos os partos. Cada parto é único e me sinto vitoriosa, como se fossem meus!
Obrigada por compartilharem comigo cada momento, me tornando parte da história de vocês e me fazendo evoluir como ser humano, me ensinando cada vez mais!
Já ouvi de uma querida doulanda: Nossa Paula!! do jeito que você está me vendo, ninguém nunca me viu! Nem minha melhor amiga , por isso posso te considerar minha melhor amiga!
Rsrsrs, por isso repito: São momentos que necessitam de muita confiança!
Jamais conseguirei expressar em palavras o que sinto, só sei de uma coisa: amo esse sentimento de dever cumprido, saber que ajudei à vir ao mundo mais um anjinho e que faço parte do início de muitas famílias felizes!!
Obrigada mamães e papais!!

Desejo à todas um maravilhoso Natal e um próspero 2011!!!


Ordenha manual das mamas



A ordenha não serve só para quem quer doar leite materno, e sim para todas as mães que deram de mamar, mas o bebê não esvaziou a mama  por completo!
Deve ser feita sempre quando houver um pouquinho de leite sobrando na mama (e na outra que o bebê não mamou).... pois para que a produção de leite seja sempre bacana e contínua, precisamos de mamas vazias para que o cérebro entenda de que é preciso encher ali!

Boa forma das celebridades logo após o parto pressiona mulheres comuns

É difícil não ficar inconformada quando celebridades que acabaram de ter bebê aparecem lindas e magras nas revistas e TV? Você não está sozinha. Pelo menos é o que mostra um estudo feito pelo The Royal College of Midwives (Escola Real de Parteiras) e pelo site Netmums, na Inglaterra, com 6.626 mães. Segundo o levantamento, 60% delas se sentem pressionadas quando veem mães famosas supermagras poucos dias depois do parto. No Brasil, um exemplo recente é a apresentadora Adriane Galisteu (na foto ao lado), que emagreceu 10 quilos, dos 12 que engordou durante os nove meses de gravidez, em apenas 50 dias depois de dar à luz a Vittorio, em agosto. Já a atriz Giovanna Antonelli, pouco mais de um mês após o parto das gêmeas Antonia e Sofia, apareceu supermagra em um evento em São Paulo esta semana.

Para o coordenador da ginecologia e obstetrícia do hospital Quinta D’Or (RJ), Humberto Tindó, as mulheres têm que entender que, para as celebridades, a imagem é muito importante e, por isso, elas têm de estar sempre em forma. O médico lembra que elas provavelmente contam com a ajuda de profissionais para emagrecer, como nutricionistas e personal trainers. Também não se pode esquecer que nas revistas e jornais as fotos são tratadas por softwares que eliminam imperfeições.

“Se a mãe está fora do peso e não está feliz com o seu corpo, precisa encontrar um meio de encarar o problema de frente", explica Tindó. Mas a melhor fórmula para emagrecer ainda é ter uma alimentação balanceada aliada a exercícios físicos. "Ela pode até se inspirar nas famosas, desde que entenda que a rotina delas é muito diferente da de mulheres ‘normais’. ”

Mas não faz mal emagrecer rápido demais? “Na verdade, o que conta mesmo não é se a mãe emagreceu rápido ou devagar, mas o tipo de dieta que fez”, afirma o médico. O grande problema, então, seria adotar regimes restritivos e, com isso, acabar enfraquecida, suscetível a doenças e com o leite menos nutritivo – o aleitamento materno, aliás, ajuda a emagrecer.

Com relação ao peso, o ideal é que desde a gravidez a mulher cuide da alimentação tanto para não engordar demais (e isso cada uma precisa analisar com o seu médico) quanto para manter a quantidade de nutrientes necessários para o bebê. Na pesquisa, uma das maiores reclamações das mães foi que elas não receberam orientação adequada sobre nutrição durante e logo após a gestação. O coordenador do Copa D’Or afirma que, por aqui, isso também é uma preocupação. O ideal é buscar ajuda de outros especialistas, além do obstetra, como nutrólogos e profissionais de educação física. Assim fica mais fácil controlar o peso na gravidez e no pós-parto.

Fora tudo isso, respeitar o corpo e o momento é fundamental para lidar bem com os quilos a mais. Se for preciso, deixe de lado as revistas e os programas de celebridades por uns meses.
Fonte: Revista Crescer

Como organizar as visitas ao recém-nascido

Sem dúvida, é maravilhoso receber amigos e parentes para comemorar a chegada do bebê. Mas às vezes o entra-e-sai pode cansar você. Não se sinta culpada por isso. Você acabou de ter um filho, está às voltas entre amamentar e conseguir dormir um pouco, e aprendendo, com seu companheiro, como cuidar do bebê. Por tudo isso você pode optar em como quer receber essas visitas. Aqui, as opções. Veja a que é melhor para você:

Na maternidade

Vantagem: as visitas costumam ser mais curtas, você tem a equipe médica e seu companheiro para ajudar a cuidar do bebê e não precisa se preocupar com a arrumação de nada.

Desvantagem: você não vai conseguir aproveitar as brechinhas em que o bebê está dormindo para descansar também.


Em casa

Vantagem: você pode chamar todo mundo de uma só vez. Vai ser aquela loucura, mas pelo menos é um dia e você vai ter ajuda para organizar a casa depois.

Desvantagem: como você está em casa, as visitas podem esticar a saída um pouco mais ou chegar bem tarde.


Na casa da sua mãe ou sogra

Vantagem: você não precisa se preocupar com a organização, um amigo inconveniente pode ser mais polido na casa de outra pessoa e você pode ir embora antes que todo mundo saia.

Desvantagem: casa cheia significa muitos colos por onde seu bebê pode passar. Essa agitação, ainda que controlada, pode deixá-lo bem agitado, o que dificulta a hora de dormir.

Falsos alarmes para o parto

Ninguém me contou...

...que eu teria (muitos) falsos alarmes

Você está tão ansiosa para o seu bebê nascer que vai achar que essa hora chegou diversas vezes. Veja as situações mais comuns e o que fazer:

Calcinha molhada: pode ser um sinal que a bolsa estourou, mas pode ser também apenas corrimento vaginal. Troque de calcinha ou ponha um absorvente e fique deitada, em repouso. Se for corrimento (tem cheiro de leite azedo e é esbranquiçado), não vai acontecer nada. Se for líquido (cheira a água sanitária e lembra água de coco), vai vazar. Vá para o hospital.

Contrações: se não forem acompanhadas de dor ou ritmadas, acalme-se. São as chamadas contrações de Braxton Hicks, comuns no fim da gestação, e causam desconforto, uma espécie de cãibra.

Sangramento: pode ser o tampão mucoso, que sai até dez dias antes do parto, ou um sangramento mesmo, com sangue vermelho vivo e o fluxo maior ou igual ao de menstruação. Nos dois casos, ligue para o seu médico.

Movimentos fetais: eles diminuem a partir da 38ª semana. Sempre depois que você comer, o bebê vai se mexer. Se você acha que ele está muito parado, fale com o obstetra.


Fonte: Ana Paula Junqueira Santiago, ginecologista e obstetra do Hospital São Camilo (SP) falsos alarmes


Novo equipamento mede a elasticidade do períneo e traz mais segurança no parto normal

O Departamento de Obstetrícia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) desenvolveu um aparelho que mede a elasticidade do períneo (região entre a vagina e o ânus) de gestantes. O equipamento – o primeiro no mundo criado para essa finalidade – permitirá ao obstetra avaliar com mais segurança a necessidade de uma episiotomia, corte na região realizado durante o parto normal para facilitar a passagem do bebê e evitar uma possível laceração (quando o bebê rompe). O corte pode causar demora na retomada da vida sexual, incontinência urinária e dificuldade de movimentação.

A medição poderá acontecer no terceiro trimestre de gestação. Se for constatada rigidez no períneo que possa prejudicar o parto normal, o médico indicará exercícios e massagens para melhorar a elasticidade e fortalecer a região.

Para desenvolver o modelo, a fisioterapeuta da Unifesp Miriam Zanetti e a obstetra Mary Nakamura, conduziram um estudo com 227 gestantes usando um aparelho alemão que tem a finalidade de melhorar a elasticidade da região. Miriam fez a adaptação para o novo aparelho em parceria com obstetras. "Já testamos o protótipo em algumas gestantes, e o produto se mostrou eficaz. Hoje não existe método para avaliar se é preciso ou não fazer episiotomia. Quem decide é o médico", diz Miriam. Indica-se a episiotomia quando o período expulsivo se torna muito prolongado, há sofrimento fetal, é indicado o uso de fórceps e quando o obstetra observa risco iminente de rompimento do períneo.



O novo aparelho vai ajudar o médico a tomar a decisão. Será de muito uso tanto para evitar episiotomias desnecessárias quanto para indicá-las e evitar lacerações graves.

Leite materno: como retirar e armazenar

Durante o período de amamentação, haverá algumas situações em que você vai precisar se ausentar; seja pelo retorno ao trabalho, para estudar e, por que não, até para ir ao cinema com o marido. E o seu filho pode continuar se alimentando com o leite materno mesmo quando não estiver por perto, basta que você se programe para retirá-lo.


Como tirar o leite

Em primeiro lugar, você precisa estar em um local e momento tranquilos. O ideal é que o bebê esteja dormindo, assim você não precisa interromper a retirada do leite. Esqueça também o celular e o telefone. “Essas atitudes fazem com que o leite flua melhor. Se a mãe for tirar o leite no trabalho, que seja no horário do almoço, em um local agradável e sem pressa”, diz Sônia de Lourdes Liston Colina, pediatra do Hospital Edmundo Vasconcelos (SP). Lembre-se também de ter um copo de água ao alcance.

Você pode extrair seu leite com as próprias mãos ou com bombas de sucção. “A ordenha manual é muito simples e prática, mas nem toda mãe consegue fazer. O jeito de tirar o leite varia de cada mulher”, afirma Sônia.

Para retirá-lo manualmente, é preciso que você massageie a mama como um todo, com movimentos circulares da base em direção à aréola. Uma das maneiras é colocar os polegares acima da aréola e os outros dedos abaixo e, assim, espremer ritmicamente a parte inferior do seio, enquanto o pressiona contra a costela. Esse processo pode levar, em média, de 20 a 30 minutos em cada mama, principalmente nos primeiros dias.

Há mulheres, no entanto, que preferem a bombinha manual, outras, a elétrica, que são mais caras e podem ser alugadas. Se optar por esses acessórios, é fundamental que você cuide da higiene deles, deixando-os sempre esterilizados.

Seja qual for o processo da extração do leite, higienize sempre as mãos antes e as mamas: você pode lavá-las com sabonete neutro e secá-las levemente, sem fazer atrito, com uma toalha bem macia. Evite ainda falar, espirrar ou tossir enquanto tira o leite. “A ordenha exige paciência, porque é normal a mulher ter dificuldade nas primeiras vezes. Se for voltar ao trabalho, o ideal é começar a extrair o leite cinco dias antes”, afirma a especialista.

Como armazenar

Use potes de vidro (prefira os de boca larga caso retire o leite manualmente) esterilizados e identifique-os com uma etiqueta com o dia que retirou o leite. Se ele for usado num período de 24 horas, pode ficar somente na geladeira. Além desse período, é preciso congelar. No freezer, sem ser aqueles acoplados, ele pode ser armazenado por até 30 dias.

Se for retirar o leite fora de casa, como no trabalho, por exemplo, ele deve ser conservado sempre na geladeira e transportado em uma bolsa térmica.

Para oferecer o leite ao bebê, nunca se deve fervê-lo, muito menos usar o micro-ondas para tirar o gelo. Se ele não estiver congelado, é só mergulhar o recipiente direto da geladeira para uma água morna. Agite-o levemente para que ele todo fique na mesma temperatura, que deve ser a ambiente. Se estiver congelado, retire do freezer e coloque na geladeira um dia antes de ser usado. Depois, o processo é o mesmo.

Lembre-se: o leite extraído nunca deve substituir a amamentação do seu filho. Além da sucção do bebê ser a responsável pela produção do leite, segundo Sônia, há uma perda de micronutrientes do leite materno quando ele é congelado.


Fontes: Sociedade Brasileira de Pediatria; A Bíblia da Gravidez, Wladimir Taborda e Alice D´Agostini Deutsch

Os primeiros dentes do bebê

Uma das maiores dúvidas dos pais é a época certa do nascimento dos primeiros dentes de seus filhos. Se você pesquisar na internet ou mesmo em livros, haverá sempre uma tabelinha que pode, em vez de ajudar, alarmar mais ainda quem tem filhos com dentinhos “preguiçosos”. Não é que devemos condená-las, as tabelas são apenas estimativas aproximadas, e não regras.

O desenvolvimento de cada criança depende da genética, alimentação, hábitos, história clínica. São tantos fatores que não existe idade certa nem para início nem fim da fase de troca de dentição. Por isso, não fique impressionada se metade dos bebês do playground sorrirem cheio de dentes e o seu estiver ainda “banguelíssimo”. Não tenha pressa, tudo vem a seu tempo.

Para alguns bebês, a chegada dos dentes é extremamente tranquila. Quando você se dá conta já estão lá como mágica, de uma hora para a outra. Para outros, é um desconforto sem limites, com direito a lágrimas, noites maldormidas, coceira insuportável, gengiva mais espessa, bem vermelha e muita baba. Isso tudo é resultado da pressão exercida contra o tecido das gengivas à medida que a coroa do dente rompe as membranas. A mãe adepta da homeopatia pode fazer uso da “Chamomilla” ou “Calcarea carbonica”, dependendo da recomendação do médico.

A mãe que segue outros métodos deve oferecer ao bebê algo duro para massagear as gengivas, como mordedores à base de gel, que podem ser mantidos em geladeira e usados no momento em que o incômodo começar. O frio provoca uma sensação anestésica local, aliviando a dor. Nos casos em que a irritação da gengiva dificulta a alimentação do bebê, um anestésico tópico pode ser utilizado na gengiva inflamada, mas só com autorização prévia do seu pediatra.

O bom é que essa fase vai passar! O importante é ficar calma, para que você possa estar preparada para enfrentar esse momento com seu bebê da melhor maneira possível. Boa sorte!

Fonte: Marta Haddad é odontopediatra e mãe de Marcela, 12 anos.

Amar demais não faz mal

 
Como você descreve o amor que sente pelo seu filho? E o aperto no peito que dá toda vez que é preciso dizer não? E aquela felicidade plena só de vê-lo sorrindo? Provavelmente você não vai conseguir mensurar mesmo um sentimento que parece só aumentar. Mas, aposto, vive pensando: será que amar demais pode fazer mal? Posso “estragar” meu filho enchendo ele de carinho o tempo todo?

A resposta é... não. Amor demais não faz mal. E temos comprovação científica de que o afeto só faz bem. Um respeitado estudo que durou 34 anos, rea-lizado pela Duke University, dos Estados Unidos, acompanhou 482 pessoas desde o primeiro ano de vida e mostrou que, quanto mais forte o vínculo afetivo da mãe com o filho, mais baixos eram os níveis de ansiedade, estresse e hostilidade na vida adulta. Sim, são os beijos e abraços que não cansamos de dar nos filhos que vão fortalecê-los para quando tiverem de enfrentar conflitos mais tarde. Pense quantas vezes em um momento difícil é um acalanto se lembrar do colo que recebemos dos nossos pais, avós, tios. E não é só isso.

O lado emocional influencia na saúde física também. Segundo Alessandro Danesi, pediatra do Hospital Sírio-Libanês (SP), em uma consulta pediátrica a doença não pode ser analisada isoladamente. Um atraso no desenvolvimento da criança – seja para sentar, engatinhar, falar – ou até uma crise de asma, dor de cabeça ou barriga sem motivos aparentes, pode acontecer por conta do ambiente a que ela está exposta. Para Danesi, nos primeiros meses de vida não existe manha. “O bebê acabou de sair da barriga da mãe, ora! Precisa de carinho e conforto”, diz. Ou seja: beije, abrace, segure seu filho no colo quantas vezes quiser. Esse carinho precisa ser demonstrado o tempo todo, das mais variadas formas. E, sim, pode exagerar sem culpa!

E colo é coisa de se dar a vida toda. Mas, conforme a criança cresce, a forma e os limites mudam, você sabe, mas a essência, não. Da sua experiência com família, o psicólogo Ivan Capelatto alerta: o cuidado jamais pode ser negligenciado. “A criança precisa sentir que a família está presente em sua vida, que esse amor vai acompanhá-la até quando crescer, que vai poder contar com ele sempre, ainda que a frustração seja inevitável”, afirma. É como se disséssemos: o fato de eu amar você não quer dizer que vai ter tudo que quer. Nem de mim, nem dos outros. E é preciso se manter firme, mesmo depois que ele abrir o berreiro, pois isso também é demonstração de afeto e é aí que vai nascer algo que a natureza não dá: a autoestima. “É ela que vai proteger a criança do bullying, dar suporte emocional para que consiga lidar com as adversidades, dar segurança para que tenha autonomia e faça suas escolhas”, diz Capelatto.

Um amor pelo filho é algo tão difícil de descrever que há quem não saiba lidar com essa emoção nova e, pasmem, chega a acreditar que não ama o filho do jeito que deveria. Aconteceu com a atriz e professora de teatro Nádia Hellmeister Morali, 29 anos, mãe de Pedro, hoje com 2. Para engatarmos uma conversa sobre o amor que sentia pelo filho, ela logo lembrou como foi delicado entender seus sentimentos nos primeiros dias ao lado dele. “Sempre me achei diferente de muitas mães porque não sabia direito o que sentir quando olhava para o Pedro. Me surpreendi quando me dei conta de que, à medida que eu cuidava dele, esse amor aumentava”, diz Nádia, que percebeu numa troca de fralda de cocô como cada participação na vida do filho pode despertar esse amor que a gente idealiza tanto. Esse “ideal” é o ponto principal abordado pela psicóloga Liana Isler Kupferman. É algo que começa antes da gravidez, no desejo de ter um filho. Mas, quando o bebê nasce, acontece a mudança do imaginário para o real e é nesse momento, digamos, “concreto” da relação que podem surgir dificuldades de criar vínculo com o bebê. Só que esse sentimento é precoce. “O vínculo é formado somente na convivência”, diz a especialista.

Dar amor ao seu filho é ensiná-lo a viver!
 
Fonte: Revista Crescer

Amamentar seu filho pode torná-lo mais inteligente

Mais um ótimo motivo para você amamentar seu filho. Uma pesquisa da Universidade do Oeste da Austrália mostrou que as crianças que foram amamentadas por, no mínimo, 6 meses tiveram melhores resultados em testes de leitura, matemática e grafia comparadas com crianças que mamaram por períodos mais curtos - especialmente os meninos!

O estudo, publicado na revista científica Pediatrics, foi feito com 1.038 crianças. Elas foram observadas a partir da 18ª semana de gestação até os 10 anos de idade.

“Os meninos se saíram ainda melhor do que as meninas nas provas porque, de acordo com o pesquisador, o leite compensa alguns hormônios femininos que ajudam a proteger o cérebro de meninas”, diz o coordenador da pesquisa Wendy Oddy, cientista do Instituto de Pesquisa de Saúde Infantil da Universidade.

Outra possível explicação para os resultados melhores em meninos é que a amamentação tem um efeito positivo nas relações entre mãe e filho, facilitando a interação e, de forma indireta, o desenvolvimento cognitivo. Como os meninos dependeriam mais da atenção materna do que as meninas, os efeitos positivos dessa interação seriam mais evidentes neles.

A relação entre amamentação e desenvolvimento cognitivo é atribuída aos nutrientes presentes no leite materno - principalmente ácidos graxos poli-insaturados -, que ajudam no crescimento de membranas celulares do cérebro e de neurônios

Cuidados que a grávida deve tomar no período das festas de fim de ano

Com a chegada das festas e férias de fim de ano, a rotina da família inteira muda. Compras, viagens, festas e excessos alimentares são comuns. Por isso, se você estiver grávida nessa época deve ficar atenta a alguns detalhes para só ter boas lembranças deste fim de ano com o barrigão.


Viagens

Se o seu obstetra vai viajar, agende uma consulta alguns dias antes para checar se está tudo bem. O ideal é que ele indique algum médico substituto, de preferência um que esteja a par do seu histórico médico, para atendê-la no período em que estiver fora.

Quem vai viajar é você? Em primeiro lugar, é preciso o aval do obstetra. Além disso, os cuidados variam de acordo com a saúde da mãe e do bebê e da idade gestacional. Veja mais dicas para viajar durante os nove meses.


Compras

Prefira ir de manhã, quando o sol é mais fraco e as lojas estão mais vazias. Se tiver que enfrentar o trânsito, pare e estique as pernas a cada hora. Também compre os presentes que puder - e até o seu vestido de Natal ou Ano Novo - pela internet.

Durante as compras, não descuide da hidratação e alimentação. Tenha sempre uma garrafinha de água a mão e faça lanchinhos a cada três horas, com alimentos leves e saudáveis. O ideal é você ir acompanhada. Quando chegar em casa, repouse um pouco, colocando as pernas para cima para reduzir o inchaço.


Ceia e afins

Na maioria dos casos, não há restrição alimentar para as grávidas nesse período. Mas isso não significa que você pode se entupir de panetone, rabanada, peru, frutos secos e assim por diante. A dica é a mesma durante toda a gestação: coma de tudo, mas sem exageros. Refeições volumosas podem causar mal-estar, já que a digestão é mais lenta na gravidez. Evite também os pratos que não está habituada ou de origem duvidosa.

Como as bebidas alcoólicas estão fora do cardápio durante os nove meses, na hora de brindar, opte por sucos naturais, água de coco ou um coquetel de frutas.


Temperatura máxima

Alguns desconfortos comuns na gestação, como inchaços, tontura e pressão baixa, tendem a piorar com a chegada do verão. De férias ou trabalhando, as grávidas devem usar roupas leves e beber muito líquido. Pegue leve: nada de carregar peso e, algumas vezes ao dia, descanse com as pernas elevadas. Na hora de escolher roupas e sapatos para as festas, opte pelos confortáveis.

Na praia, na piscina...

Em primeiro lugar, não se esqueça do protetor solar e evite ficar no sol entre 10 e 16h. Tome bastante água e tenha cuidado com o que come fora (prefira levar frutas e sanduíches de casa para a hora da fome). Outra dica é não ficar com o biquíni molhado após o banho de mar ou piscina, que pode causar infecção por fungos e levar a candidíase, que provoca irritação, coceira e incômodos na região genital. Aproveite que a moda permite usar partes de cima e de baixo diferentes e troque sempre que possível.


Quase na hora do parto

Se o nascimento estiver previsto para esse período, melhor não viajar a lugares distantes ou de difícil acesso. Além disso, evite aglomerações. A correria típica de fim de ano tira o fôlego - e a paciência - de qualquer um. Na medida do possível, aproveite o intervalo para relaxar.

Fonte: Mariano Tamura, ginecologista e obstetra do Hospital Israelita Albert Einstein; Barbara Murayama, ginecologista e obstetra (SP)

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Egoísmo x Abraço

Este texto é de uma colega, e ela descreve muito bem nossa realidade! Parabéns Renata pelo trabalho!

Hoje estava conversando com uma moça que está grávida e ainda não decidiu nada sobre o tipo de nascimento que quer dar ao seu bebê.... mas disse que pensa na cesárea por causa do medo da dor do parto normal...

Quando ela me disse isso fiquei pensando mil coisas... em mil motivos para uma escolha como essa (juro que sempre tento entender!) e acabei chegando à conclusão que escolher uma cesárea sem indicação alguma, só por medo da dor do parto normal é uma atitude totalmente egoísta. Sei que muitas pessoas vão me criticar, mesmo assim vou tentar explicar através de perguntas porque acho a cesárea desnecessária um ato totalmente egoísta...

Bom....

Espera-se que toda mãe ame incondicionalmente os filhos, faça qualquer coisa por eles. Algumas até dizem que dão a própria vida pela a dos filhos, certo??

Então como entender que na hora de colocá-los ao mundo, preferem levar em consideração somente o bem-estar DELAS?? "Estou cansada, não aguento mais essa barriga.. não vejo a hora de completar 37 semanas pra fazer a cesárea."... "Vai ser cesárea porque não quero sentir dor..." muitas dizem.

Como entender que preferem arriscar a vida dos pequenos por medo DELAS sentirem dor? E a dor (física, emocional ou mesmo ambas) que eles sentem ao ser "arrancados" sem aviso algum do seu ninho de proteção, conforto e segurança? Como você se sentiria, se fosse arrancada à força de seu quarto escuro, de sua cama quentinha, segura e confortável e fosse levada para um local totalmente estranho, frio, iluminado e cheio de gente desconhecida??

Porque as mães podem se informar, podem se preparar fisica e emocionalmente para a cirurgia, né? Mas, sem o aviso que o trabalho de parto dá, como avisar ao bebê que ele será "nascido" dessa forma? "Nascido"... porque ele não nasceu, não estreiou, ele foi "nascido" por alguém.

Como entender a realização de uma cirurgia de grande porte, cheia de riscos e pós-operatório para se enfrentar (e sabemos que isso tem influência direta na descida do leite e na formação do vínculo inicial do binômio mãe-bebê) e a aceitação de intervenções desagradáveis no bebê como a aspiração de vias aéreas superiores, porque ELAS não querem sentir nada?

Como entender que preferem pôr seus filhos em risco do que se arriscarem por eles?

Olhem só as diferenças entre esses seres.... 20..30 anos de experiências separam essas pessoas. Uma grande, outra pequena. Uma forte, outra frágil. Uma consegue se impor, falar o que é melhor para si.. a outra não. Uma consegue se proteger, a outra não!

Não é muito egoísmo uma mulher saudável, forte, cheia de experiências anteriores se colocar à frente de um ser pequeno, frágil e que não pode dar sua opinião em nada?

A dor do parto não é má. Não causa sofrimento. Ela é uma benção!! Ocorre para dizer à mãe que seu corpo está funcionando corretamente e que em breve seu bebê estará em seus braços. É um feedback que chega somente no final, para dizer à mãe de que ela foi esplêndida nos últimos 9 meses... É o abraço mais apertado que o corpo feminino pode dar em suas crias. Abraço de despedida, forte, intenso. Então, porque ignorá-la? Porque anulá-la? Porque transformá-la em algo ruim, negativo? Porque associá-la ao sofrimento se tudo o que ela faz é ser um aviso de que um milagre está prestes a acontecer? Porque não deixar que esses abraços ocorram?

Se você for mãe ou está se tornando uma, pense bem em suas escolhas... e reflita se você é mesmo capaz de fazer qualquer coisa por seu filho. Se coloque no lugar dele.

Pense bem sobre o tipo de boas-vindas que você quer dar ao seu bebê... que tipo de primeira-impressão você quer que ele tenha.... que tipo de experiência sensorial, emocional e física você quer compartilhar com ele... As atitudes maternas devem começar cedo... e não somente depois do nascimento dos filhotes!

Pense nisso e abrace......

Beijos, Rê

Postado por Renata Olah

Partolândia

Existe um lugar secreto pra onde podemos ir. É um lugar pouco divulgado, antes mais pessoas visitavam, hoje apenas uma minoria tem a oportunidade de ir até lá. Mas todas as pessoas que já foram costumam descrever-lo como um lugar mágico.

Eu mesma nunca tinha ouvido falar. Depois que comecei a freqüentar grupos de mulheres que relatavam seus partos passei a ouvir a tal frase misteriosa: “então entrei na partolândia” e eu me perguntava: “que raio é esse de partolândia? Como se faz pra ir até lá? Pra quê ir até lá? O que tem lá?”.

Pra variar, fui estudar o assunto e descobri um mundo à parte. A verdade é que a partolândia tem vários endereços. Ela está dentro de cada fêmea deste mundo. Não é feita de conceito, não tem forma definida, não é construída através de cultura ou criação. Ela simplesmente está lá. E não requer exercícios específicos, treinamentos pra saber entrar nela. Nem se trata de um privilégio pra poucas. Sendo uma mulher prestes a parir, já é suficiente pra se ter o ingresso nas mãos.

O problema é que hoje em dia há trombadinhas especialistas em roubar tal ingresso das mãos de mulheres em trabalho de parto. Nem sempre esses trombadinhas são pessoas necessariamente. Algumas mulheres chegam a entrar na partolândia e são arrancadas de lá. Outras nem chegam a conhecer esse maravilhoso lugar e nem ficam sabendo de sua existência. Na verdade, alguns trombadinhas são bem intencionados, mas por não saberem da existência da partolândia e suas maravilhas, num ato que acreditam ser benéfico acabam tirando essa oportunidade da parturiente.

Hoje em dia o maior medo de uma gestante é o de sentir muita dor no trabalho de parto. É um pavor que vem sendo cultivado pela nossa sociedade através de uma catequização constante de que o parto é sofrido e doloroso. Vemos mulheres sofrendo horrores no parto em novelas, filmes e até programas de TV que prometem mostrar um parto real. Quantas vezes assisti a partos Frank (frankstein) no Discovery Home & Health com mulheres urrando de dor em posição frango assado suplicando pela anestesia com médicos e enfermeiras ao seu redor fazendo toque a todo momento pra saber a quantas anda a dilatação e falando o tempo todo com essa mulher: “vamos, faça força! Respira! Vamos! De novo! No 3 hein! 1-2-3, forçaaa!”. A coitada lá, suando, fazendo respiração cachorrinho quando de repente vem um anestesista e acaba com o sofrimento. Ela continua fazendo força, mas agora não se sabe por que o bebê não sai. Gritam com ela: “você não está fazendo força o suficiente! Vamos, força!”. O bebê então entra em sofrimento fetal visto através dos batimentos cardíacos no cardiotoco ligado desde o momento em que a mãe chegou na maternidade. O médico apela pro fórceps de alívio. Algumas vezes dá certo, outras não e a cesariana finalmente salva a vida do bebê. Em novelas da Globo é comum ver mulheres com um pano na boca pra morder de tanta dor, gritando e uma parteira molhando uma compressa (que até hoje não sei pra que serve) numa bacia de água. Essas verdadeiras visões do inferno contribuem pra que se propague cada vez mais uma visão negativa e aterrorizante de um evento natural, fisiológico e cheio de significado na vida de um ser-humano.

O medo da dor é reforçado através de relatos tenebrosos de parto normal que sempre culminam em tragédias. Depois de muito sofrimento materno, a maioria deles termina em crianças com retardo mental por falta de oxigenação, morte por enforcamento pelo cordão umbilical, morte por decapitação pelo fórceps e outras atrocidades. Geralmente as explicações são associadas ao corpo da mãe que não se comportou como deveria ou por ser defeituoso (falta de abertura, falta de dilatação, força insuficiente) ou como se fosse traiçoeiro (o bebê passou do tempo e começou a sofrer dentro da mãe, por exemplo). Mas tudo isso eu já falei em posts anteriores. O problema é que essa dor horrenda e esses episódios de sofrimento materno e fetal têm em 99% dos casos alguns fatores em comum que são ignorados pela maioria: ocorrem em maternidades, são explicados e registrados em prontuários por médicos e a mulher encontra-se em uma situação sempre semelhante: rodeada de pessoas (em sua maioria desconhecidas), num ambiente frio com luz forte, posição frango assado, restringida, etc. E a grande maioria não conhece a partolândia.

Seria o caso de perguntar: o que o hospital/maternidade tem a ver com o sofrimento, com a dor com o fato dessas mulheres não conhecerem a partolândia? O que a falta da partolândia tem a ver com o sofrimento? Afinal de contas...o que é essa partolândia?!? Então vamos nos aprofundar mais nisso.

O ser humano tem o cérebro mais avançado do reino animal. Isso se deve à formação do neocórtex, uma camada fina encontrada em volta do cérebro. O neocortex é responsável pelos pensamentos, pelo raciocínio. Abaixo do cérebro temos uma glândula famosa chamada hipotálamo. Ele é responsável pelo comportamento instintivo de todos os animais, inclusive nós humanos. Controla o sistema involuntário que mantém a temperatura, produz a fome quando precisamos nos alimentar secretando hormônios que atuam nas glândulas supra-renais. As supra-renais liberam outros hormônios que atuam diretamente no nosso comportamento em diferentes situações. Portanto, é o Hipotálamos que desencadeia processos primordiais para a continuação da espécie.

Para preservar a espécie, somos levados a dormir, acordar, caçar (na antiguidade), comer, beber, fazer necessidades, fazer sexo, gestar, parir, cuidar das crias, defender-se, fugir do perigo, etc. Cada comportamento é regido por uma cascata de hormônios e neurotransmissores (substâncias cerebrais) que em algumas circunstâncias podem ter sua secreção prejudicada pela ativação inadequada do neocortex.

O neocortex é ativado através de estímulos externos que levam o individuo à situação de alerta, como a necessidade de raciocinar. Perguntas, luz forte, ser observado, etc. Quando o neocortex é ativado, o hipotálamo pode sofrer um rebaixamento de sua atividade. Outras vezes, a ativação do neocortex leva a uma interpretação da situação que exige que o hipotálamo secrete uma substância contrária à que estava sendo secretada anteriormente. Por exemplo: uma substância secretada no estado de relaxamento que pode levar ao êxtase ou ao sono pode ser interrompida por um barulho que é interpretado como perigo levando o individuo a secretar adrenalina. O mesmo ocorre quando se é tocado repentinamente ou quando algo nos estressa. Pode ser o apito de uma máquina que verifica os batimentos cardíacos, a cara de preocupação do médico, uma enfermeira irritante, o marido nervoso, a sogra apavorada.

Então imaginemos uma pessoa adormecendo. Ela repousa num ambiente tranqüilo, com pouca ou nenhuma luz, silencioso ou com um som de fundo quase que hipnótico, ela vai se desligando dos problemas, dos pensamentos, entrando num estado de consciência completamente diferente como se mergulhasse em si mesma e finalmente dorme. A partir daí passa por vários estágios do sono a começar por alpha, que serão repetidos algumas vezes durante esse período de descanso. Com certeza se ocorrer um barulho, se acenderem uma luz forte na cara dessa pessoa, se tocarem nela principalmente de forma abrupta, se começar a fazer muito frio, se começarem a fazer perguntas ou se ela se sentir observada, seu estado muda automaticamente para a vigília e o sono é interrompido. E assim é um trabalho de parto (TP).

O TP deve ser comparado às necessidades básicas (principalmente dormir e fazer sexo) porque é igualmente regido pelo hipotálamo. Quando nos deixamos levar pelo TP em si sem nenhuma interrupção externa, sem nenhuma intervenção, somos automaticamente levadas á partolândia. Portanto, a partolândia nada mais é do que um estado de consciência que permite à mulher se comportar de maneira instintiva. A introspecção é o primeiro sintoma e isso pode começar dias antes quando a mulher começa a não querer participar de eventos coletivos e prefere ficar em um ambiente que julga seguro (na maioria das vezes sua própria casa) esperando a hora chegar. Quando o TP se inicia, a introspecção começa a ficar mais evidente mostrando a necessidade de fazer uma viagem para dentro de si.

Em muitos relatos de parto natural (sem intervenções) observo que as mulheres começam contando detalhadamente cada acontecimento e conforme o relato é desenvolvido, os detalhes vão se perdendo. Isso se deve à mudança de estado de consciência dessas mulheres que acabam por se desligar do mundo externo e entrar na partolândia onde apenas sensações são registradas e os pensamentos são quase inexistentes. Muitas vezes não se lembram quem estava presente, o que falaram. Apenas as sensações são descritas e eu nunca li ou ouvi nada parecido com sofrimento. Assim como quando dormimos ou temos um sexo satisfatório que nos leva a um orgasmo.

Há tempos já se sabe as principais substâncias secretadas durante a estadia na partolândia. No entanto, sabia-se apenas suas funções fisiológicas e que suas quantidades se modificam em cada estágio do TP. A ocitocina é responsável pela contração e a dilatação uterina. É a primeira a ser secretada no TP. As endorfinas atuam como analgésicos naturais relaxando a musculatura esquelética e diminuindo as sensações dolorosas. A adrenalina torna a atividade de expulsão do feto, no final do TP, mais eficaz. Hoje já se sabe que a atuação dessas substâncias vai além do físico alterando o comportamento, o que pode facilitar o entendimento das necessidades da parturiente e inclusive saber quanto seu útero está dilatado apenas observando como ela se comporta evitando, assim, toques desnecessários que podem tirar a mãe da partolândia.

Nota-se que nos partos naturais, logo após o nascimento, a mulher tende a posicionar-se de joelhos ou a sentar-se. Esta liberação de adrenalina é favorável aos mamíferos em geral, pois coloca a fêmea em situação de alerta. O bebê recebe parte desses hormônios do parto e, ao nascimento, está com as pupilas dilatadas. Ambos, o bebê e a mãe, possuem então condições fisiológicas para o contato olho no olho, fundamental na espécie humana.

A ocitocina é chamada de hormônio do amor por estar presente durante o orgasmo. Assim como no parto, a mulher não consegue chegar às vias de fato se não se entregar e se desligar do mundo externo. E só há entrega se ela estiver se sentindo à vontade e segura, num ambiente que propicia a concentração. Durante o orgasmo, assim como no TP, a ocitocina promove a contração uterina e é por todas essas semelhanças que dizemos que o parto faz parte da vida sexual dessa mulher. Portanto, o ambiente adequado pra ela parir é semelhante ao que ela considera ideal para fazer sexo. Um ambiente inadequado pode gerar inibição, medo, irritação e outras sensações desagradáveis que a fazem liberar adrenalina. Nesta fase do TP, a adrenalina compete receptores sensoriais com a ocitocina, o que quer dizer que a adrenalina inibe o efeito da ocitocina retardando o TP e aumentando a dor. A partir do momento em que o bebê nasce, a taxa de ocitocina na mulher chega ao seu ápice e é passada para o bebê através do cordão umbilical. Desse modo, ao se olharem, mãe e filho criam um vínculo forte que acelera o estabelecimento de uma interdependência que mais tarde culmina no amor entre os dois.

A ação das endorfinas é potente. Até a mulher atingir 8cm de dilatação a dor vai aumentando, porém continua suportável. A função da dor é estimular a secreção das endorfinas que trarão uma sensação prazerosa e concomitantemente a diminuição da dor. Principalmente se a secreção e propagação de endorfinas forem aceleradas através do relaxamento muscular e da dilatação dos vasos sanguíneos. Pra isso, existem métodos como massagem e água quente na região lombar.Se um estímulo externo tirar a parturiente da partolândia causando susto, constrangimento ou medo, ela liberará adrenalina que tem ação vaso-constritora dificultando a chegada das endorfinas, o que aumenta consideravelmente a dor. A partir da dilatação total (10cm), a maioria dos relatos revela que a dor diminui, isso comprova que a secreção de endorfinas já está a todo vapor. São opiáceos da família da morfina que não só tiram a dor mas ajudam a mulher a entrar nesse estado de consciência alterado e prazeroso. Hoje é sabido que o bebê também já secreta suas endorfinas e experimenta sensação semelhante durante o parto.

Com dilatação total, a ação da adrenalina se torna importante para a fase expulsiva do TP. Sua secreção nesse momento permite a ejeção. No sexo é responsável pela ejaculação, na amamentação é responsável pela ejeção do leite e no parto é responsável pela expulsão do bebê. A mulher se torna atenta, algumas vezes agressiva na medida exata para finalizar o TP e para cuidar de seu bebê assim que ele nasce. É comum ainda um estado de euforia devido às endorfinas combinado com a sensação de extrema energia e alerta importantes nesse momento. A dor simplesmente não existe mais. Os relatos são unânimes.

Durante a gestação, a mulher secreta prolactina que é responsável pela fabricação do leite. Este leite (chamado de colostro num primeiro momento) é armazenado nos alvéolos das mamas. Ao redor desses alvéolos existem células musculares que ao se contraírem, fazem com que os alvéolos secretem o leite. No momento do parto, o alto nível de ocitocina promove essa contração culminando na ejeção do leite por conta da adrenalina. Esse é o motivo pelo qual o leite desce mais rápido num parto natural.

Infelizmente, muitos médicos ignoram a partolândia criando protocolos infundados nas maternidades cheios de intervenções invasivas e desnecessárias. O fato da mulher ter de responder a uma série de perguntas faz com que ela ative o neocortex por ter de raciocinar o lado primitivo do cérebro e, portanto, dificultando o ingresso á partolândia. A sala fria desconcentra. Muitas pessoas observando inibe. Toques vaginais freqüentes também. A luz forte ativa o estado de alerta e o ambiente estranho gera insegurança. O fato da mulher ficar restringida numa maca desconfortável sem poder mudar de posição é uma das coisas que mais dificulta (se não impedir) o ingresso á partolândia. Além de desconfortável e inibitória, a posição de frango assado (proibida durante toda a gestação) faz com que o peso do útero e do bebê comprimam a artéria que leva oxigenação para o bebê, além de impedir a ação da gravidade (utilizada no parto de cócoras), o que dificulta a saída do bebê. Esta posição é a campeã de TPs demorados regados a dor materna e sofrimento fetal por falta de oxigenação adequada, culminando em intervenções que se não fosse tal posição seriam desnecessárias.

Isto não quer dizer que uma mulher que não ingressa na partolândia não ame seu filho ou não consiga amamentá-lo. Mas sem dúvida entrar em TP e realizar um parto natural propicia uma experiência única para mãe e filho. Geralmente, ao entrar na partolândia, a mulher vivencia um mergulho em si mesma que modifica seu modo de ver o mundo e a si mesma. É uma experiência que permite o auto-conhecimento num nível que de outra forma seria impossível. Ela experimenta de forma intensa do que seu corpo é capaz e do que ela é capaz, mudando sua auto-estima. Relatos constantemente descrevem que após o parto sentem-se capazes de absolutamente tudo. Muitas inseguranças vão embora. É comum mulheres que foram à partolândia mudarem seu comportamento com relação ao que a sociedade preconiza. Segura de si, a mulher da partolândia dificilmente sucumbe aos padrões estéticos, profissionais e morais ditados e acredita mais nas suas vontades. Desse modo, desenvolve menos depressão pós-parto, menos problemas com amamentação e vivencia um amadurecimento mais precoce.

Tal amadurecimento é vivenciado a partir do momento em que o vinculo mãe-filho fortificado pela ação da ocitocina é, posteriormente, sedimentado pela prolactina. A prolactina também tem um efeito comportamental. Ao passar pela partolândia e ter altos níveis de ocitocina, esta felizarda mãe também experimenta altos níveis de prolactina (níveis esses impossíveis de serem alcançados por quem não foi à partolândia). A prolactina tende a provocar estados mentais de subordinação e submissão às leis da natureza. Isto vem sendo amplamente estudado e comprovado na Suécia. Esta subordinação aumenta a adaptabilidade às necessidades do bebê. Este vem sendo apontado como um dos motivos para que mães visitantes da partolândia terem maior sucesso na amamentação.

A amamentação não é inata e nem fácil. Mas os altos níveis de prolactina permitem uma melhor adaptação e uma maior força de vontade para driblar os problemas e conseguir amamentar o bebê. Além disso, é comum que mães da partolândia (como as índias e de mulheres de outros países também) amamentem durante anos. Isto porque a modernização do parto juntamente com a necessidade de trabalhar fora faça com que a prolactina seja liberada em menor quantidade e por um período curto de tempo, provocando um desmame precoce.

São comuns as queixas de uma amamentação sofrida, cheia de frustrações e sensações ruins que levam algumas mães e verem esse período com sofrimento e sucumbirem a explicações sem fundamento do tipo: “tenho pouco leite” ou “meu leite não sustenta” para justificarem um comportamento repulsivo á amamentação que nem elas sabem explicar, mas que gera culpa. Já as mães que passaram pela partolândia costumam relatar experiências felizes com a amamentação e chegam a lastimar quando o filho dá o grito de independência não pedindo mais o peito. É nesse momento que nota-se uma tendência maior de se doar nas mães da partolândia.

Fonte: Nasce uma nova mãe

O papel da doula no atendimento ao parto é discutido em Brasília

Repassando notícias da III Conferência Internacional sobre Humanização do Parto e Nascimento!

O papel da doula no atendimento ao parto é discutido em Brasília

Centenas de mulheres do Brasil e do mundo participaram ontem, dia 26, da III Conferência Internacional sobre a Humanização do Parto e Nascimento, em Brasília. Apesar da abertura oficial ser hoje, dia 27, às 19h30, com a presença do Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, os debates e cursos já começaram.

Durante a manhã as participantes tiveram a oportunidade de entrar em contato com vivências de auto cuidado, como o self healing, a biodança, o pilates, os florais e a visualização do parto. O espaço das rodas de convivência foi dedicado a reflexão sobre a atuação da doula, a dor no parto e o luto no parto.

O trabalho do Hospital Sofia Feldman, de Belo Horizonte, pioneiro na implantação do trabalho da doula no Sistema Único de Saúde (SUS),foi um dos destaques das mesas redondas. Desde 1997 o Hospital desenvolve o projeto doula comunitária, que proporciona suporte físico e mental a parturiente e seus familiares antes, durante e após o nascimento. O objetivo é resgatar o processo natural do parto e do nascimento e, dessa forma, diminuir a alta taxa de cesarianas feitas no Brasil, 15% acima do recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Para Maria de Lourdes, conhecida como Fadynha, presidente da Associação Nacional de Doulas e doula há 32 anos, o primeiro dia foi emocionante e surpreendente pela quantidade de gente e intensa de troca de saberes. “Nessa pré-conferência eu achei importante o fortalecimento do papel da doula, fundamental no processo do parto. Aqui é o início de um longo caminho”, ressaltou.

A preocupação com capacitação de parteiras profissionais foi o tema central dos debates do I Encontro Internacional da Relacahupan – Rede Latino Americana e do Caribe pela Humanização do Parto e Nascimento, que acontece dentro da Conferência. Doulas, parteiras, indígenas, profissionais da saúde de diversos países da América do Sul vieram à Brasília para mostrar os esforços realizados em suas comunidades na integração das práticas científicas com os costumes ancestrais.

“Muitas parteiras indígenas já foram perseguidas e não queriam mais fazer partos, só se fosse de extrema necessidade”, disse a palestrante mexicana Cristina Galante do Centro de Iniciacíon a Partería de Oaxaca. Segundo ela essa foi uma das razões para a criação do Centro, além da preocupação com o aprofundamento dos conhecimentos que já tinham. Sonia Calva, parteira argentina e coordenadora da escola de Córdoba destacou que a formação das parteiras não está centrada apenas como agente de saúde, mas também como ativista dos direitos humanos.

Outras temáticas serão discutidas durante a Conferência, que segue até o dia 30 de novembro, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília.

Graziela Sant’Anna

Assessoria de Imprensa

III Conferência Internacional sobre Humanização do Parto e Nascimento

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Analgésicos na gravidez podem causar problemas de infertilidade no bebê, diz estudo

Cientistas alertam para o uso do paracetamol, até então um medicamento considerado seguro na gestação. Confira

Ana Paula Pontes

Durante a gravidez, tudo o que você consome, seja em relação à comida ou a remédios, tem um impacto na saúde do bebê. Agora mais um estudo alerta sobre o risco que alguns medicamentos podem oferecer. Uma pesquisa realizada por cientistas da Dinamarca e Finlândia, publicada na revista científica Human Reproduction, revelou que analgésicos leves, como paracetamol, aspirina e ibuprofeno (até então considerados seguros na gestação), podem ser responsáveis por parte do aumento de distúrbios reprodutivos do sexo masculino nas últimas décadas.

Resultados da pesquisa feita com 834 mulheres da Dinamarca e 1.463 da Finlândia mostraram que aquelas que usaram mais de um analgésico simultaneamente (como o paracetamol e o ibuprofeno) e, principalmente, que o tomaram durante o segundo trimestre da gravidez tiveram mais chance de dar à luz filhos com criptorquidismo. Ou seja, quando os testículos não descem. Esse problema é um fator de risco para a infertilidade - pela baixa qualidade do sêmen - e câncer de testículos no futuro.

Para comprovar essa relação, os cientistas fizeram uma análise com ratos, e o resultado mostrou que, de fato, os analgésicos prejudicam a produção do hormônio masculino testosterona durante o período crucial da gestação, quando os órgãos sexuais dos meninos estão se formando. Segundo os pesquisadores, mais da metade das gestantes de países ocidentais relatou o consumo de analgésicos leves.

Segundo Eduardo Cordiolli, obstetra do Hospital Israelita Albert Einstein (SP), não é preciso alarde, mas o estudo só reforça o que você já sabe: qualquer medicamento durante a gestação, seja um comprimido ou uma pomada, só pode ser usado com o aval do seu médico. “A gravidez é um período de observação, cuidado e atenção e só o especialista é quem pode avaliar o risco-benefício do remédio que a grávida terá de tomar. Há situações, como uma dor de cabeça, em que a mulher pode optar por tratamentos alternativos, como a acupuntura”, diz.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Os reflexos do recém - nascido

Se você bater palmas bem pertinho do rosto do seu recém-nascido, ele piscará forte. Aperte a sola do pé e ele dobrará todos os minúsculos dedos. Se apoiar o peito dele na água, verá um peixinho movimentando braços e pernas como se estivesse nadando. Seu bebê faz tudo isso por puro reflexo.

No dia do parto, o cérebro dele pesa entre 300 e 400 gramas, quatro vezes menos que o de um adulto. Para que se desenvolva completamente, é preciso que todas as células nervosas estejam cobertas por uma substância branca gordurosa chamada mielina. Essa camada de nome engraçadinho é a responsável pela transmissão de impulsos nervosos do cérebro para o corpo. Sem ela, a conversa entre a cabeça e as mãos, por exemplo, fica na base do impulso. "Esse processo de cobertura, chamado de mielinização, começa no segundo trimestre de gestação, atinge seu período mais intenso quando a criança tem 8 meses e continua até o segundo ano de vida", afirma o neuropediatra Luiz Celso Amaral. Com o cérebro em formação, as reações são instintivas. E esses reflexos são muito importantes para o crescimento da criança. "Indicam que o cérebro está se desenvolvendo e trabalhando de forma correta. E também têm a função de ajudar a criança a perceber as fronteiras entre seu corpo e o mundo", diz a neuropediatra Saada Ellovitch.

São seis os reflexos mais importantes e há mais de 15 exercícios feitos na maternidade para testá-los. Eles desaparecem quando a maior parte das células está recoberta pela mielina. Lá pelo sexto ou sétimo mês, a conexão entre cérebro e corpo melhora, e o bebê perde aquele jeitão estabanado. A partir do terceiro mês, já é capaz de fazer alguns movimentos voluntários, como sustentar o pescoço. Isso porque o amadurecimento da medula se dá no sentido da cabeça para os pés. Os movimentos reflexos começam ainda na gravidez, entre a 28a e a 35a semana, como a sucção."Ela e o choro são reações vitais para a sobrevivência e a proteção do bebê. O movimento de sugar já aparece no útero", afirma o fisioterapeuta Marcus Vinicius Marques de Moraes. Logo depois de nascer, se você colocar a boca do recém-nascido em contato com qualquer objeto, ele tentará abocanhá-lo. Mais tarde o bebê procura intencionalmente a chupeta, por exemplo, porque a sucção o acalma, ou vai às lágrimas para comunicar o que ainda não consegue dizer em palavras. Alguns reflexos ficam por mais tempo, como o de Moro, em que a criança, sentindo-se desequilibrada ou assustada por um ruído forte, joga a cabeça para trás e estica braços e pernas. Isso até os 5 meses.

Na maternidade

Mais do que uma exibição de habilidades para os pais, os reflexos são fonte de pesquisa para os pediatras. Num dos testes realizados na maternidade, chamado clonos, os pés do bebê são empurrados para trás repetidas vezes. A reação esperada é a de que os pezinhos batam como se estivessem acelerando um carro. Ao menos seis desses movimentos – marcha, sucção, pontos cardeais (toca-se os cantos da boca ou lábios inferior e superior e a criança vira a cabeça em direção ao toque como se quisesse mamar), preensão das mãos, do pés e reflexo de Moro — devem ser reavaliados nas primeiras consultas pediátricas. Mas nem sempre foi assim. Até o início do século passado, os médicos examinavam os bebês apenas fisicamente. Ouviam o coração, sentiam a respiração, mediam e pesavam. Não detectavam alterações causadas por pequenos problemas neurológicos. "Alterações nos reflexos podem sinalizar problemas futuros. Os exames servem para evitar que a criança tenha pouco ou nenhum atraso em seu desenvolvimento. É uma ação preventiva", diz a neonatologista Marina de Moraes Barros. "Quanto mais reflexos observados, melhor. Porém, com esses seis já é possível saber se a criança é saudável. O importante é o resultado do conjunto, e não de um reflexo isolado", ressalta Marina.

Vigor emocional e muscular

Os exames não machucam e é importante que o bebê chore. "Por meio do choro, percebemos a capacidade de autoconsolo do bebê, de como ele se reorganiza emocionalmente. Se fica inconsolável ou indiferente, isso pode indicar certa dificuldade de adaptação à nova vida. É necessário repetir os testes numa próxima consulta", explica a neonatologista. Quando os pediatras fazem essas avaliações reflexas, também estão de olho no vigor muscular do seu filho. Verificam, por exemplo, se o braço dele volta rapidamente quando alguém o estica. "Se isso não ocorrer ou se o bebê resistir ao movimento, pode significar algum problema", afirma Marina.

A influência da nutrição

Tão importante quanto ter os reflexos é perdê-los. O crescimento da circunferência da cabeça e o desaparecimento dos reflexos indicam que o bebê está cumprindo as etapas: vai primeiro sentar, depois engatinhar – mesmo que seja um pouquinho. Que ficará em pé, apoiado em algo, para depois andar. E que falará feito uma matraca aos 2 anos. A falta dessa resposta indica aos médicos uma possível lesão neurológica que, dependendo do tipo, pode ou não ter comprometimento no futuro, como desenvolvimento motor e neurológico mais lento. É possível amenizar o problema com fisioterapia. Infecções na gravidez e hipertensão grave, por exemplo, podem prejudicar a formação da mielina ainda na gestação. O fisioterapeuta catarinense Marcus Vinicius Marques de Moraes fez um estudo inédito em seu trabalho de mestrado. Avaliou os reflexos de bebês entre 14 dias e quatro meses. Queria descobrir se existe uma relação entre o desenvolvimento motor dos pequenos, sua alimentação, os problemas no parto e a amamentação. Concluiu que a nutrição influencia. "Bebês gordos se movimentam menos e, nos de baixíssimo peso, o cérebro não se desenvolve como deveria. Demoram para passar dos movimentos reflexos para os voluntários", diz Moraes.

Bebês prematuros são apontados como os de maior risco para seqüelas neurológicas porque nascem antes de o organismo estar completo. "A finalização do amadurecimento neurológico desses bebês ocorre fora do útero, o que faz seu desenvolvimento ser mais lento. Eles nem fazem os mesmos testes de reflexos que as crianças nascidas depois de 38 semanas", diz a neuropediatra Saada.

Gordos, magrinhos, prematuros ou não, os recém-nascidos querem entender o mundo à sua volta e, para isso, precisam de estímulos. Quanto mais os pais os tocarem, melhor. Os bebês estão criando códigos de comunicação nessa fase e o ideal é que suas experiências sejam positivas. Eles se sentem amparados e seguros quando os pais entendem suas poucas dicas: um resmungo para avisar que a fralda está suja ou um chorão para indicar que quer colinho.


Os reflexos e suas reações

Reflexo de Moro – O bebê joga a cabeça para trás, estica as pernas, abre os braços e os fecha depois. Surge quando o recém-nascido se sente desequilibrado ou assustado. Some por volta do segundo ou terceiro mês.


Marcha reflexa – Colocado em pé, com apoio nas axilas, ele ergue uma perna dando a impressão de estar andando. É o primeiro a desaparecer. Some até o fim do primeiro mês.


Sucção e busca pelo seio – O bebê abre a boca e suga o que aparece à sua frente. Ao tocar qualquer região em torno da boca, ele vira o rosto para o lado estimulado. A busca pelo seio desaparece por volta do segundo mês, quando o reflexo da sucção passa a ser voluntário.

Preensão palmar e plantar – O recém-nascido agarra o dedo da mãe com força. Esse reflexo ocorre nas mãos e nos pés. O da mão costuma desaparecer por volta do terceiro mês. O do pé continua até o sétimo ou oitavo mês.

Tônico-cervical – Com o bebê deitado, o médico gira a cabeça do bebê para o lado, a criança tende a estender este braço e dobrar o outro. É chamado de posição de esgrimista. Costuma desaparecer no terceiro mês.

Engatinhar – De bruços, o bebê estica as pernas, como se tentasse rastejar, quando alguém lhe dá apoio nos pés. Some por volta do quinto mês.