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sábado, 17 de outubro de 2009

Parto dói?

A resposta é: sim! O parto dói.
Não tem como mentir. O parto dói, mas vou acrescentar uma coisa: vale a pena sentir essa dor. É dor boa. E faz um bem danado para nosso filho e nós mesmas evitarmos qualquer analgesia.

A dor do parto é o resultado das contrações uterinas que, junto aos movimentos fetais, pressionam o colo do útero para que ele se abra e permita a passagem do bebê. É como escancarar uma porta muito bem selada. A dor é a sensação física desse deslocamento e flexibilização do ambiente interno (o corpo da mãe) para que a porta do tesouro se abra, e haja o nascimento.

Quando se fala em “dor” se pensa nas dores que já se experimentaram. Todo mundo já passou por algum tipo de dor. Porém, aquela do parto é diferente de todas as outras. Parece-se com a dor menstrual, mas não é a mesma coisa. Porque a dor do parto vem a intervalos. Ela chega e vai, como uma onda que quebra na praia e se retira de volta para o mar. Quando a contração passa, a dor desaparece, não fica nem um rastrinho, nem aquela sensação dolorida que temos após uma dor de barriga ou uma sessão ao dentista. Nada. O mesmo vale após o nascimento do bebê: cadê a dor? Sumiu, do corpo e da mente.

É bom lembrar, também, que a dor é subjetiva. Cada um tem seu limiar de dor. A sensação física da dor varia de pessoa em pessoa. Da mesma forma, a percepção psicológica da dor é um fator totalmente subjetivo. O sofrimento que sentimos depende do que pensamos a respeito do que estamos vivendo. Quanto mais coitadinhas nos sentimos, mais gigantesca será a dor. Quando mais tranquila nossa mente e emoções, mais fácil será fluir através da experiência.

E, falando em postura emocional, as emoções conscientes e inconscientes de uma mulher em trabalho de parto influenciam a evolução do trabalho de parto e parto, para melhor ou para pior. Para que o emocional tenha um papel positivo é preciso:

1) cuidar dele, ou seja de si mesma, durante a gestação sendo sinceras conosco, desbafando com alguém de confiança, explorando as emoções que se apresentam sem medo.

2) ter no parto pessoas confiáveis e que confiam na gente.

3) sentir-se à vontade no ambiente físico e naquele humano.

4) saber o que está acontecendo.

5) soltar-se e viver intensamente o momento, sem medo.

Mulheres à vontade tendem a ter partos mais fáceis e menos doloridos.

Mulheres aparentemente à vontade, com auto-confiança inflada, não tendem a ter os partos de seus sonhos.

Mulheres estressadas tendem a ter partos estressados.

Mulheres apavoradas tendem partos muito doloridos.

Dá para entender que o medo funciona como um megafone, amplificando a dor do parto, não só aquela psicológica (a sensação de estarmos sofrendo) como aquela física, porque tensiona o corpo. É como tentar abrir o portão quando alguém do outro lado tenta fechá-lo.

Em termos técnicos, escreve Erica Cristina Motta em seu TCC “Resgate Histórico da Assistência ao Parto: por um Parto Respeitoso”:

“O processo de dor vivenciado pela parturiente é mais acentuado quando esta não se encontra em condições adequadas de conforto, privacidade e respeito durante o trabalho de parto. Ambientes “frios”, mesas de parto horizontais, mudança de sala na passagem do primeiro para o segundo estágio do trabalho de parto, alto número de toques vaginais, restrição alimentar e hídrica, pessoas desconhecidas, são fatores que estimulam a ansiedade e a prontidão, o que dificulta a concentração da mulher, consequentemente, inibe a liberação de hormônios que vão facilitar o parto e proteger a mulher da dor, causando o ciclo medo, tensão e dor.”

Antes, então, de assustar-se com a perspectiva da dor, vamos nos preparar, conhecer, entender, ajeitarmo-nos e encontrar a própria forma de lidar com a experiência. Sofrer não é preciso. Bebês não nascem na marra, ou, não deveriam. Nascem no amor, com amor. Busquem seu jeito pessoal de fazer isso acontecer.

Adriana Tanese Nogueira

http://humanizacaoesperta.blogspot.com/



2 comentários:

Ju disse...

Paulinha
Adorei o texto.

O Parto Dói sim, mas é a melhor dor que podemos sentir, pois é através dela que receberemos o nosso bebê,com o sentimento mais puro e sincero que existe.

beijinhos

Bobalha disse...

Tb Adorei ... Apóio o Parto sem analgesia ... E faria td novamente! Beijos!!!!!!